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Brasil vai rasgar o fundo do Porto de Santos em obra de R$ 617,9 milhões para levar canal a 16 metros, receber navios maiores e reduzir dependência da maré no maior porto do Hemisfério Sul

Escrito por Ana Alice
Publicado em 17/06/2026 às 22:09
Atualizado em 17/06/2026 às 22:11
Assista o vídeoPorto de Santos terá dragagem de R$ 617,9 milhões para aprofundar canal a 16 metros e receber navios maiores. (Imagem: Ilustrativa)
Porto de Santos terá dragagem de R$ 617,9 milhões para aprofundar canal a 16 metros e receber navios maiores. (Imagem: Ilustrativa)
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Obra no canal de navegação do Porto de Santos envolve dragagem, contrato milionário e mudanças operacionais para receber embarcações maiores, em meio a discussões sobre concessão e novos projetos de infraestrutura no complexo portuário.

A Autoridade Portuária de Santos autorizou a dragagem de aprofundamento do canal de navegação do Porto de Santos, no litoral de São Paulo, para elevar a profundidade de 15 para 16 metros.

A ordem de serviço está prevista para ser assinada nesta quarta-feira (17), dentro de um contrato de R$ 617,9 milhões firmado com a Jan de Nul do Brasil, empresa responsável pela execução dos serviços.

O contrato tem vigência de cinco anos e inclui a dragagem de aprofundamento do canal, além da manutenção do novo gabarito por dois anos.

Segundo a APS, o canal permanece há 14 anos com 15 metros de profundidade, condição que limita parte das operações envolvendo embarcações de maior porte.

Com a obra, a autoridade portuária afirma que o Porto de Santos poderá ampliar a capacidade do acesso aquaviário e reduzir a dependência das janelas de maré em determinadas manobras.

A mudança também deve permitir a entrada de navios maiores com mais carga, conforme avaliação divulgada pela administração portuária.

Dragagem altera condições de navegação no Porto de Santos

A dragagem consiste na retirada de sedimentos do fundo do canal de navegação para ampliar a profundidade disponível às embarcações.

No caso de Santos, o serviço foi contratado para levar o canal ao patamar de 16 metros, o que deve ampliar o calado operacional autorizado no complexo portuário.

O presidente da APS, Anderson Pomini, afirmou, em vídeo enviado à imprensa, que o porto deu “mais um importante e decisivo passo rumo ao futuro, planejado para 25 anos à frente”.

A declaração foi feita no contexto da assinatura do contrato e da preparação para a emissão da ordem de serviço.

Pomini também disse que as embarcações de maior porte poderão acessar o porto “a qualquer tempo, independentemente de maré, e com carga total”.

Segundo o dirigente, o novo patamar de profundidade deve trazer mais segurança, eficiência e previsibilidade às operações, além de reduzir custos logísticos.

A avaliação da APS está relacionada a uma limitação operacional comum em portos com grande movimentação de cargas.

Quando o canal não oferece profundidade suficiente em todos os horários, navios maiores podem depender da maré alta ou precisar operar com restrição de carga.

O aprofundamento busca reduzir esse tipo de condicionante no acesso marítimo ao Porto de Santos.

Ganho de um metro refletirá na capacidade do acesso ao porto (Imagem: Alexsander Ferraz/AT)
Ganho de um metro refletirá na capacidade do acesso ao porto (Imagem: Alexsander Ferraz/AT)

Obra de R$ 617,9 milhões será executada pela Jan de Nul

A execução dos serviços ficará a cargo da Jan de Nul do Brasil, filial brasileira do grupo belga Jan De Nul.

A companhia atua em dragagem, engenharia marítima, energia offshore e infraestrutura portuária.

O valor contratado, de R$ 617,9 milhões, contempla o conjunto de serviços previsto pela APS.

A contratação ocorre em meio ao esforço da autoridade portuária para adequar o canal de navegação ao aumento do porte dos navios usados no transporte marítimo internacional.

Com 24,6 quilômetros de extensão, o canal de navegação concentra o fluxo de entrada e saída das embarcações que atendem os terminais do complexo santista.

Por ele passam navios ligados a operações de contêineres, granéis sólidos, granéis líquidos, carga geral e outras movimentações portuárias.

Segundo a APS, o aprofundamento deve reforçar a competitividade do Porto de Santos no comércio exterior.

A justificativa apresentada pela autoridade portuária é que embarcações maiores podem transportar mais carga por viagem, o que tende a melhorar a produtividade operacional e diminuir restrições associadas ao calado.

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TCU liberou retomada da licitação da dragagem

O avanço do contrato ocorreu após análise do Tribunal de Contas da União.

Em maio de 2026, o plenário do TCU revogou a medida cautelar que mantinha suspensa a licitação para a dragagem de aprofundamento do canal do Porto de Santos.

A concorrência havia sido paralisada em janeiro, após representação de um consórcio desclassificado.

O caso envolveu o Consórcio Santos Dragagem, liderado pela Etesco Construções e Comércio, com participação da Neptune Brasil e da chinesa Chec Dredging.

Conforme informações publicadas sobre o processo, o TCU entendeu que o motivo usado inicialmente para a desclassificação não seria suficiente, mas manteve a impossão de reclassificação por causa de uma alteração posterior na composição do grupo, após a saída da Neptune.

Com a decisão, a APS pôde dar sequência ao resultado da licitação, e a Jan de Nul foi mantida no processo.

O tribunal também comunicou à autoridade portuária a necessidade de adotar medidas corretivas e preventivas em futuras concorrências, em razão de inconsistências apontadas na justificativa formal da desclassificação.

Esse histórico explica a retomada do cronograma de contratação.

A dragagem havia sido interrompida por questionamentos administrativos e só avançou depois da revogação da cautelar pelo TCU.

Concessão do canal segue em discussão na Antaq

O aprofundamento para 16 metros também aparece no debate sobre a concessão do canal de acesso ao Porto de Santos.

O modelo em discussão pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários prevê obrigações de serviço e investimentos privados ao longo de um contrato de longo prazo.

Em abril de 2026, a Antaq adiou a audiência pública sobre a concessão do canal, que estava prevista no processo de recebimento de contribuições.

A agência informou que uma nova data seria divulgada posteriormente e prorrogou até 1º de julho de 2026 o prazo para envio de colaborações, subsídios e sugestões.

Antes da assinatura do contrato de dragagem, a APS já havia afirmado que os serviços de aprofundamento não deveriam aguardar a conclusão do processo de concessão.

O argumento da autoridade portuária é que a demanda operacional do porto existe no momento atual, enquanto a concessão ainda depende de etapas formais, análise de contribuições e definição do modelo final.

O projeto de concessão envolve um fluxo financeiro estimado em R$ 23,4 bilhões ao longo de 25 anos, com possibilidade de prorrogação até 70 anos, segundo as informações disponíveis no texto original.

O investimento mínimo previsto até o oitavo ano de contrato é de R$ 688,1 milhões.

Porto de Santos busca reduzir restrições no acesso aquaviário

O Porto de Santos é o maior complexo portuário da América Latina e opera diferentes tipos de carga, como granéis sólidos, granéis líquidos, carga geral solta e conteinerizada.

Pela sua participação no comércio exterior brasileiro, alterações no acesso aquaviário afetam armadores, terminais, operadores logísticos, importadores e exportadores.

A dragagem integra um conjunto de ações de infraestrutura em discussão ou execução no complexo santista.

Além do canal, a APS menciona projetos de acessos terrestres e o túnel imerso Santos-Guarujá como iniciativas relacionadas à expansão da capacidade operacional do porto.

Ao comentar o contrato, Pomini associou a dragagem a esse conjunto de obras.

Segundo o presidente da APS, o serviço, ao lado do túnel e dos acessos, deve contribuir para o crescimento sustentável do Porto de Santos.

A expectativa da administração portuária é que a nova profundidade aumente a previsibilidade das operações sem reduzir os parâmetros de segurança da navegação.

Para os usuários do porto, a principal mudança esperada está na programação de atracações e partidas, especialmente em operações realizadas por navios de maior porte.

Com o canal projetado para 16 metros, o Porto de Santos passa a executar uma obra voltada a ampliar o acesso marítimo e a diminuir restrições relacionadas ao calado.

A próxima etapa será a realização dos serviços contratados e o acompanhamento técnico da manutenção do novo gabarito ao longo do período previsto em contrato.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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