O Instituto Butantan recebeu autorização da Anvisa para fabricar a vacina contra chikungunya no Brasil. Produção nacional deve baratear acesso ao SUS. Confira.
A fabricação da primeira vacina do mundo contra a chikungunya será nacionalizada para reduzir gastos públicos e facilitar a entrada do imunizante no Sistema Único de Saúde (SUS). A autorização para que o Instituto Butantan produza o fármaco em sua fábrica no Brasil foi concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na segunda-feira (4).
Batizada de Butantan-Chick, a vacina é voltada para adultos de 18 a 59 anos e já possuía registro para uso em território nacional desde o ano passado, porém sua produção ainda dependia de laboratórios estrangeiros. Agora, o centro de pesquisa brasileiro assume o processo fabril para combater a virose transmitida pelo Aedes aegypti.
Anvisa autoriza Butantan a fabricar vacina contra chikungunya no Brasil; produção deve baratear acesso ao SUS
A principal vantagem da decisão da Anvisa é que a vacina contra chikungunya passa a ter um custo de produção significativamente menor. Ao assumir a fabricação integral, a instituição pública elimina a necessidade de importação do produto final da parceira Valneva, uma farmacêutica franco-austríaca.
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Segundo Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan, essa mudança é estratégica para a saúde pública brasileira. O diretor explicou em comunicado que, por ser um órgão estatal, o Butantan consegue repassar o imunizante com preços mais baixos:
“Executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan poderá entregar a vacina com um preço menor e mais acessível, com a mesma qualidade e segurança”, garantiu o gestor.

Regras de aplicação e grupos prioritários
Mesmo com a nacionalização, os protocolos de segurança para a vacina contra chikungunya permanecem rigorosos. O imunizante utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado, o que exige cautela para determinados perfis de saúde.
Confira as diretrizes de aplicação:
- Público autorizado: Adultos entre 18 e 59 anos de idade.
- Restrições obrigatórias: O uso é proibido para gestantes, pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas.
- Justificativa médica: Como o vírus está apenas enfraquecido (e não morto), ele poderia causar complicações em sistemas imunológicos fragilizados.
- Aplicação prática: Cidades paulistas como Mirassol e Bady Bassitt já utilizam o imunizante em áreas de surto desde fevereiro deste ano.
Dados de eficácia e reconhecimento global
A segurança do imunizante nacionalizado foi comprovada em testes internacionais realizados com cerca de 4 mil pessoas nos Estados Unidos. Os resultados científicos, que serviram de base para o aval da Anvisa, foram destacados no periódico especializado The Lancet, sob a liderança da pesquisadora Martina Schneider.
Os dados mostram que 98,9% dos voluntários desenvolveram anticorpos neutralizantes, células de defesa que bloqueiam a entrada do vírus nas células humanas. Esse alto índice de proteção já rendeu à vacina a aprovação de órgãos reguladores internacionais de prestígio, como a EMA, na Europa, e a FDA, nos Estados Unidos.
Com informações do Instituto Butantan

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