Brasil supera 38 milhões na informalidade, e avanço do trabalho sem carteira pressiona modelo tradicional de emprego e acende debate econômico.
Em 2026, o Brasil voltou a registrar um dos maiores contingentes de trabalhadores fora da formalidade desde o início da série histórica recente: mais de 38 milhões de pessoas atuando sem carteira assinada ou vínculo formal, segundo dados da IBGE divulgados ao longo do primeiro trimestre do ano. O número consolida um movimento que vem ganhando força desde a pandemia e que, agora, passa a ser analisado não apenas como efeito econômico, mas como possível transformação estrutural no mercado de trabalho.
O dado mais relevante não está apenas no volume absoluto, mas na persistência desse patamar elevado mesmo em um cenário de desemprego relativamente baixo. Isso indica que uma parcela significativa da população economicamente ativa está inserida em formas de trabalho sem proteção formal, como autônomos, trabalhadores por conta própria, microempreendedores individuais e ocupações informais.
Continue lendo abaixo para entender o que está por trás desse crescimento, quais são os impactos reais para a economia e por que o avanço da informalidade passou a ser visto como um dos principais desafios do mercado de trabalho brasileiro.
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Mais de 38 milhões na informalidade colocam o Brasil entre os maiores mercados de trabalho não formal do mundo
O Brasil historicamente apresenta uma taxa elevada de informalidade, mas o patamar atual reforça a dimensão do fenômeno. Segundo o IBGE, a informalidade inclui trabalhadores sem carteira assinada no setor privado, empregados domésticos sem registro, trabalhadores por conta própria sem CNPJ e empregadores sem formalização.
Dentro desse universo, os trabalhadores por conta própria representam uma fatia expressiva, seguidos por empregados sem carteira no setor privado e trabalhadores domésticos informais.
Esse conjunto forma uma massa de trabalhadores que, embora esteja economicamente ativa, opera à margem das garantias legais previstas na Consolidação das Leis do Trabalho, como férias remuneradas, 13º salário, FGTS e proteção previdenciária.
Crescimento da informalidade ocorre mesmo com desemprego em níveis historicamente baixos
Um dos pontos mais relevantes do cenário atual é a coexistência entre baixa taxa de desemprego e alta informalidade.
Em ciclos econômicos anteriores, a informalidade tendia a crescer em momentos de crise e cair quando o emprego formal avançava. No cenário atual, essa relação se tornou mais complexa.
Mesmo com o mercado de trabalho apresentando níveis relativamente baixos de desemprego, a informalidade se mantém elevada, o que indica que a geração de vagas formais não tem sido suficiente para absorver toda a força de trabalho disponível ou que parte dos trabalhadores está optando por caminhos alternativos.
Esse comportamento sugere uma mudança mais profunda na estrutura do mercado, que vai além das oscilações conjunturais da economia.
Avanço do trabalho sem carteira reflete combinação de fatores econômicos, tecnológicos e comportamentais
O crescimento da informalidade não pode ser explicado por um único fator. Ele resulta da combinação de diferentes transformações que ocorrem simultaneamente.
Do ponto de vista econômico, a informalidade surge como alternativa em um cenário de recuperação desigual, onde nem todos os setores conseguem gerar empregos formais em ritmo suficiente.
No campo tecnológico, plataformas digitais e aplicativos ampliaram o acesso a formas de renda imediata, permitindo que trabalhadores atuem como motoristas, entregadores, prestadores de serviço e freelancers sem necessidade de vínculo formal.

Já do ponto de vista comportamental, há indícios de que parte dos trabalhadores valoriza maior autonomia, flexibilidade de horário e possibilidade de múltiplas fontes de renda.
Esse conjunto de fatores cria um ambiente em que o trabalho informal deixa de ser apenas uma solução temporária e passa a ocupar um espaço estrutural na economia.
Renda imediata e flexibilidade atraem trabalhadores, mas ausência de proteção gera riscos de longo prazo
Um dos elementos centrais do debate atual é a relação entre ganhos imediatos e segurança futura. No curto prazo, a informalidade pode oferecer vantagens como maior liberdade de escolha, flexibilidade de jornada e possibilidade de ganhos variáveis.
No entanto, a ausência de vínculo formal implica falta de acesso a benefícios como aposentadoria, auxílio-doença e seguro-desemprego, o que aumenta a vulnerabilidade em situações de crise.
Esse contraste faz com que o crescimento da informalidade seja visto como um fenômeno ambíguo, capaz de gerar renda no presente, mas com potencial de fragilizar a segurança econômica no longo prazo.
Setores como serviços, transporte e comércio concentram maior parte dos trabalhadores informais
A distribuição da informalidade no Brasil não é homogênea. Setores ligados a serviços, comércio e transporte concentram a maior parte dos trabalhadores informais, especialmente em atividades com baixa barreira de entrada.
O crescimento de aplicativos de transporte e entrega também contribuiu para ampliar esse contingente, criando novas formas de ocupação que não se enquadram nos modelos tradicionais de emprego.
Essa concentração setorial reforça a ideia de que a informalidade está fortemente associada a atividades que exigem menor qualificação formal, mas que oferecem rápida inserção no mercado.
Informalidade elevada impacta arrecadação, produtividade e estrutura do mercado de trabalho
O avanço da informalidade tem implicações diretas para a economia como um todo. Do ponto de vista fiscal, trabalhadores informais contribuem menos para a arrecadação de impostos e para o sistema previdenciário, o que pode pressionar as contas públicas no longo prazo.
Em termos de produtividade, a informalidade está frequentemente associada a menor acesso a crédito, tecnologia e qualificação, o que limita o crescimento da eficiência econômica.
Além disso, a expansão do trabalho informal pode gerar distorções competitivas, já que empresas que operam dentro da formalidade enfrentam custos mais elevados.
Debate sobre “preferência” por informalidade exige cautela e análise baseada em dados
Embora exista uma narrativa crescente de que trabalhadores estariam “preferindo” a informalidade, esse ponto exige análise cuidadosa.
Dados do IBGE não permitem afirmar, de forma conclusiva, que há uma escolha deliberada e generalizada por parte dos trabalhadores em abandonar o emprego formal.
O que se observa é um conjunto de fatores que influenciam decisões individuais, incluindo disponibilidade de vagas, condições de trabalho, remuneração e oportunidades alternativas.
Por isso, interpretar o avanço da informalidade como simples mudança de comportamento pode simplificar um fenômeno complexo, que envolve tanto limitações estruturais quanto transformações no mercado.
Comparação com períodos anteriores mostra que informalidade se mantém resiliente mesmo em ciclos de recuperação
Ao comparar o cenário atual com períodos anteriores de crescimento econômico, é possível observar que a informalidade apresenta maior resistência à queda.
Mesmo com recuperação parcial da economia, o número de trabalhadores informais permanece elevado, indicando que parte desse contingente não retorna ao mercado formal.
Esse comportamento reforça a percepção de que o mercado de trabalho brasileiro está passando por uma transição, em que modelos tradicionais convivem com novas formas de ocupação.


Na verdade, o trabalho informal tá gerando mas ganhos , e só a pessoa pagar o INSS por fora se quiser não precisa tar preso a horário patrão,e exigências.
Ea oportunidades que o governo federal dar pra pessoas abrir seu próprio negócio obrigado presidente Lula que Deus te abençoe sempre…etc
Já comeu seu capim hoje…?
A informalidade proporciona ganhos maiores, apesar de ter mais carga horária e insegurança em caso de doença/acidentes!