O antimônio, um metal cinza pouco conhecido fora da indústria, virou um dos símbolos da disputa por minerais críticos entre China e Estados Unidos. Usado em munições, baterias, retardantes de chama, equipamentos militares e tecnologias industriais, ele passou a preocupar governos e empresas depois que Pequim restringiu suas exportações.
A China anunciou em agosto de 2024 controles sobre o envio ao exterior de antimônio e materiais relacionados. As regras passaram a valer em 15 de setembro de 2024 e foram justificadas pelo governo chinês como medida de segurança nacional e controle de itens de “duplo uso”, isto é, com aplicações civis e militares.
A decisão afetou um mercado já concentrado. Em 2024, segundo a Reuters, a China respondia por cerca de 48% da produção mundial minerada de antimônio.
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A agência também destacou que o metal tem uso em aplicações militares, incluindo munições, mísseis infravermelhos, armas nucleares e óculos de visão noturna, além de baterias e equipamentos fotovoltaicos.
Preço disparou, mas número de US$ 1.400 não tem boa comprovação
Em agosto de 2024, a Reuters informou que o antimônio já estava acima de US$ 22 mil por tonelada, depois de praticamente dobrar desde o começo daquele ano.
Depois das restrições chinesas, o movimento ficou ainda mais forte. Em janeiro de 2025, a Reuters informou que o antimônio era negociado entre US$ 39.500 e US$ 40.000 por tonelada em Roterdã no fim de dezembro de 2024. A agência também relatou que os preços haviam subido cerca de 250% ao longo de 2024.
O U.S. Geological Survey, órgão do governo dos Estados Unidos, também registrou a alta. No Mineral Commodity Summaries 2026, o USGS informou que o preço médio do antimônio em 2025 foi de US$ 25 por libra, mais que o dobro da média de 2024.
O relatório ainda aponta que o preço mensal quase dobrou entre agosto e dezembro de 2024, após os controles chineses e o banimento de exportações para os EUA.
Banimento aos EUA aumentou a tensão
A pressão sobre o mercado cresceu em dezembro de 2024, quando a China proibiu exportações de gálio, germânio e antimônio para os Estados Unidos.
A Reuters classificou a medida como uma escalada nas tensões comerciais, tomada logo após novas restrições americanas ao setor chinês de semicondutores.
Esse banimento, porém, teve mudança posterior. Em novembro de 2025, a China suspendeu a proibição de exportar gálio, germânio e antimônio para os Estados Unidos até 27 de novembro de 2026. Ainda assim, a suspensão não eliminou totalmente o controle, porque exportadores continuam sujeitos a licenças e regras chinesas para itens de uso duplo.
Na prática, isso significa que a “torneira” não está completamente fechada em 2026, mas também não voltou ao normal. A China manteve instrumentos de controle sobre o fluxo de um material considerado estratégico por sua aplicação em setores sensíveis.
Por que o antimônio preocupa os Estados Unidos
A preocupação dos Estados Unidos não está apenas no preço. O antimônio é tratado como mineral importante para a segurança nacional porque aparece em cadeias industriais ligadas a defesa, energia e tecnologia.
O USGS informa que, em 2025, a produção mundial de antimônio foi estimada em 110 mil toneladas, com China e Rússia entre os principais produtores.
A Reuters também informou que o antimônio é considerado essencial para os EUA por seu uso em munições, baterias, retardantes de chama e materiais de grau militar. Essa dependência externa levou Washington a buscar reforço de estoque e produção doméstica.
Em setembro de 2025, a United States Antimony Corporation fechou um contrato de fornecimento exclusivo de cinco anos, no valor de até US$ 245 milhões, com a Defense Logistics Agency.
O acordo prevê o fornecimento de lingotes de antimônio metálico para o estoque nacional de defesa dos Estados Unidos.
A Reuters informou ainda que a empresa opera as duas únicas fundições de antimônio da América do Norte, o que reforça o esforço americano para reduzir a vulnerabilidade diante da concentração do mercado internacional.
