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De mais de US$ 22 mil para perto de US$ 40 mil por tonelada: a China apertou o controle sobre o antimônio, metal cinza quase desconhecido usado em munições, baterias e retardantes de chama, enquanto os Estados Unidos correm para reforçar estoques estratégicos

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 04/07/2026 às 20:57
Descubra como a China se tornou central na produção de antimônio e afeta o mercado global de minerais críticos.
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O antimônio, um metal cinza pouco conhecido fora da indústria, virou um dos símbolos da disputa por minerais críticos entre China e Estados Unidos. Usado em munições, baterias, retardantes de chama, equipamentos militares e tecnologias industriais, ele passou a preocupar governos e empresas depois que Pequim restringiu suas exportações.

A China anunciou em agosto de 2024 controles sobre o envio ao exterior de antimônio e materiais relacionados. As regras passaram a valer em 15 de setembro de 2024 e foram justificadas pelo governo chinês como medida de segurança nacional e controle de itens de “duplo uso”, isto é, com aplicações civis e militares.

A decisão afetou um mercado já concentrado. Em 2024, segundo a Reuters, a China respondia por cerca de 48% da produção mundial minerada de antimônio.

A agência também destacou que o metal tem uso em aplicações militares, incluindo munições, mísseis infravermelhos, armas nucleares e óculos de visão noturna, além de baterias e equipamentos fotovoltaicos.

Preço disparou, mas número de US$ 1.400 não tem boa comprovação

Em agosto de 2024, a Reuters informou que o antimônio já estava acima de US$ 22 mil por tonelada, depois de praticamente dobrar desde o começo daquele ano.

Depois das restrições chinesas, o movimento ficou ainda mais forte. Em janeiro de 2025, a Reuters informou que o antimônio era negociado entre US$ 39.500 e US$ 40.000 por tonelada em Roterdã no fim de dezembro de 2024. A agência também relatou que os preços haviam subido cerca de 250% ao longo de 2024.

O U.S. Geological Survey, órgão do governo dos Estados Unidos, também registrou a alta. No Mineral Commodity Summaries 2026, o USGS informou que o preço médio do antimônio em 2025 foi de US$ 25 por libra, mais que o dobro da média de 2024.

O relatório ainda aponta que o preço mensal quase dobrou entre agosto e dezembro de 2024, após os controles chineses e o banimento de exportações para os EUA.

Banimento aos EUA aumentou a tensão

A pressão sobre o mercado cresceu em dezembro de 2024, quando a China proibiu exportações de gálio, germânio e antimônio para os Estados Unidos.

A Reuters classificou a medida como uma escalada nas tensões comerciais, tomada logo após novas restrições americanas ao setor chinês de semicondutores.

Esse banimento, porém, teve mudança posterior. Em novembro de 2025, a China suspendeu a proibição de exportar gálio, germânio e antimônio para os Estados Unidos até 27 de novembro de 2026. Ainda assim, a suspensão não eliminou totalmente o controle, porque exportadores continuam sujeitos a licenças e regras chinesas para itens de uso duplo.

Na prática, isso significa que a “torneira” não está completamente fechada em 2026, mas também não voltou ao normal. A China manteve instrumentos de controle sobre o fluxo de um material considerado estratégico por sua aplicação em setores sensíveis.

Por que o antimônio preocupa os Estados Unidos

A preocupação dos Estados Unidos não está apenas no preço. O antimônio é tratado como mineral importante para a segurança nacional porque aparece em cadeias industriais ligadas a defesa, energia e tecnologia.

O USGS informa que, em 2025, a produção mundial de antimônio foi estimada em 110 mil toneladas, com China e Rússia entre os principais produtores.

A Reuters também informou que o antimônio é considerado essencial para os EUA por seu uso em munições, baterias, retardantes de chama e materiais de grau militar. Essa dependência externa levou Washington a buscar reforço de estoque e produção doméstica.

Em setembro de 2025, a United States Antimony Corporation fechou um contrato de fornecimento exclusivo de cinco anos, no valor de até US$ 245 milhões, com a Defense Logistics Agency.

O acordo prevê o fornecimento de lingotes de antimônio metálico para o estoque nacional de defesa dos Estados Unidos.

A Reuters informou ainda que a empresa opera as duas únicas fundições de antimônio da América do Norte, o que reforça o esforço americano para reduzir a vulnerabilidade diante da concentração do mercado internacional.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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