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Brasil será contemplado com 27 novas usinas de biometano nos próximos anos

20 de junho de 2022 às 12:59
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Efeitos das novas regulações para biogás e biometano. Na imagem, centro de tratamento de resíduos do Grupo Urca Energia em Seropédica (RJ)

Brasil ganhará investimentos em 27 novas usinas de biometano com potencial de conexão à rede de gasodutos nos próximos anos.

Distribuidoras de gás natural e produtores de biogás já mapearam investimentos em 27 novas usinas de biometano com potencial de conexão à rede de gasodutos nos próximos anos, no Brasil. O levantamento foi feito pelo grupo de trabalho conjunto formado pela Associação Brasileira do Biogás (Abiogás) e pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), em maio, com o intuito de aprimorar o uso do biometano pelas concessionárias dos estados.

Produção brasileira de biometano pode atingir os 2,2 milhões de m³/dia até 2027

É importante ressaltar que biometano é o nome dado ao combustível renovável gerado a partir da purificação do biogás, gerado na indústria sucroalcooleira a partir de material orgânico residual como vinhaça e torta de filtro da cana-de-açúcar, gerada do processo de cultivo e processamento da cana. A expectativa das entidades é que, com os investimentos, a produção brasileira atinja os 2,2 milhões de m³ por dia nos gasodutos até 2027.

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Desse valor, 1,3 milhão de m³ por dia deve vir do biogás gerado no setor de saneamento, como aterros sanitários. Os investimentos no setor sucroenergético, por sua vez, devem gerar o equivalente a 700 mil m³ por dia, e o setor agroindustrial mais de 200 mil m³ por dia.

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São Paulo conta atualmente com 15 plantas conectadas à rede de gasodutos, sendo o estado com mais investimentos em projetos novos, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 6. Há novos projetos mapeados também no Rio de Janeiro, Mato Grosso, Pará, Goiás, Amazonas e Mato Grosso do Sul.  

Investimentos em usinas de biometano contribuirão para que concessionárias diversifiquem o portfólio de suprimento

De acordo com Marcelo Mendonça, diretor de Estratégia e Mercado da Abegás, daqui a dois anos, na próxima grande janela de contratação de molécula por parte das distribuidoras, a participação do combustível renovável nos gasodutos já será um pouco maior no Brasil, ajudando as concessionárias dos estados a diversificarem o portfólio de suprimento. Além das 27 novas usinas de biometano já mapeadas no curto prazo, Mendonça afirma que a produção brasileira avançará ainda mais nos próximos cinco a dez anos.

O diretor ressalta que o Brasil sequer produz 1% do seu potencial atualmente, que seria algo em torno de 100 milhões de m³ por dia. Atualmente, são produzidos 400 mil m³ por dia, e são injetados na rede de gasodutos apenas 100 mil m³ por dia.

É de fato muito pouco, se considerarmos que esse potencial de 100 milhões de metros cúbicos inclui áreas onde a produção e o escoamento de biometano são muito difíceis. Caso fosse possível viabilizar 20% disso, seria um grande avanço, que poderia mudar o panorama da distribuição de biometano nos gasodutos do Brasil, segundo Mendonça.

Biometano pode impulsionar o setor de veículos pesados

Mendonça, entretanto, não acredita que todas as plantas de biometano serão necessariamente conectadas à rede de gasodutos das distribuidoras.

Segundo o executivo da Abegás, seria um grande desperdício para o Brasil ignorar o potencial de uso do produto na frota de veículos pesados, como caminhões e ônibus, que independe, diversas vezes, da interligação entre a planta de biogás e a rede de gasodutos.

O diretor comenta que é preciso impulsionar outros novos mercados. A sua estimativa é de que a utilização de 30 milhões de m³ por dia de biometano, para a substituição do diesel usado por esses veículos, faria com que o Brasil economizasse de US$ 6 bilhões a US$ 7 bilhões anualmente.

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