Com apoio do Fundo da Marinha Mercante, Brasil busca reerguer sua indústria naval, modernizar a frota e impulsionar a logística aquaviária nacional
A indústria naval brasileira já brilhou no cenário global. Nos anos 1970, o país era o segundo maior em encomendas de navios, com mais de 40 mil trabalhadores. Depois, veio a desindustrialização e a crise econômica. Agora, a construção naval tenta voltar ao protagonismo, apoiada em uma ferramenta essencial: o Fundo da Marinha Mercante (FMM).
O FMM é o principal meio de financiamento da construção de navios no Brasil. Ele é gerido pelo Ministério dos Transportes e sustentado por um tributo específico, o Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM).
A operação dos recursos fica a cargo de bancos como Banco do Brasil, BNDES e Caixa. Com isso, projetos estratégicos podem ser financiados com juros baixos, prazos longos e carência maior.
-
Enquanto navios gigantes ainda queimam combustível pesado e o setor marítimo corre contra metas climáticas, Maersk e Vale começam a apostar no etanol como nova rota para reduzir emissões no mar
-
China inicia construção do maior navio de GNL do mundo, gigante de 344 metros capaz de abastecer 4,7 milhões de casas por um mês, levar 271 mil m³ de gás e colocar QatarEnergy na maior encomenda naval já registrada na história mundial
-
A China está projetando um navio porta-contêineres com reator nuclear de tório que vai funcionar por 40 anos sem reabastecer, e o gigante de 25.000 contêineres do Jiangnan Shipyard vai cruzar oceanos sem emitir carbono numa indústria que queima 300 milhões de toneladas de combustível por ano
-
Um barco inteiro saiu da impressora 3D sem molde e sem emenda: robô gigante da CEAD cria cascos de até 12 metros em peça única, troca meses de estaleiro por código e coloca a construção naval diante de uma virada que parece ficção científica
Construir navios exige muito. São bens caros, feitos sob medida e com produção demorada. As empresas precisam de crédito que se encaixe no tamanho e no risco desses projetos.
No Brasil, o financiamento privado enfrenta obstáculos como burocracia, logística falha, instabilidade regulatória e juros altos. Tudo isso forma o chamado “Custo Brasil”. Nesse cenário, o FMM se torna ainda mais importante para a indústria.
Apesar da importância, conseguir os recursos não é simples. As empresas precisam apresentar projetos detalhados, provar capacidade técnica e seguir regras dos bancos. A burocracia e a pouca informação sobre os critérios de acesso dificultam o uso do fundo. Isso reduz seu impacto real no setor.
Em 2024, o BNDES liberou R$ 6 bilhões em financiamentos do FMM. É o maior valor em 12 anos e mais que o triplo do total entre 2019 e 2022. Ao todo, o setor naval brasileiro recebeu aval para R$ 30,8 bilhões em investimentos. São 430 projetos, entre construção de navios, manutenção e obras portuárias.
A construção naval movimenta muito mais que estaleiros. Ela ativa uma cadeia inteira: aço, serviços técnicos, logística e empregos. É também essencial para a logística nacional, como na cabotagem e na navegação de longo curso. O fortalecimento desse setor é estratégico para o país.
O Brasil precisa aumentar sua frota, modernizar navios e dar conta da demanda por transporte aquaviário. Para isso, é necessário fortalecer a indústria naval com crédito, políticas públicas estáveis e integração com leis como a da BR do Mar (Lei 14.301/2022).
A retomada do setor naval não depende só de dinheiro. Precisa também de vontade política, regras claras e instrumentos bem ajustados. O FMM pode ser essa força de transformação. Para cumprir esse papel, o fundo precisa ser mais acessível, com menos burocracia e mais divulgação.
A indústria naval brasileira tem potencial. Com os ajustes certos, o FMM pode ser a âncora que faltava para recolocar o Brasil no mapa mundial da construção de navios.
Com informações de Portos e Navios.
