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Brasil quer voltar ao topo da construção naval, posição que já ocupou no passado

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 23/05/2025 às 12:02
Indústria naval, Brasil
Imagem: Marinha do Brasil
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Com apoio do Fundo da Marinha Mercante, Brasil busca reerguer sua indústria naval, modernizar a frota e impulsionar a logística aquaviária nacional

A indústria naval brasileira já brilhou no cenário global. Nos anos 1970, o país era o segundo maior em encomendas de navios, com mais de 40 mil trabalhadores. Depois, veio a desindustrialização e a crise econômica. Agora, a construção naval tenta voltar ao protagonismo, apoiada em uma ferramenta essencial: o Fundo da Marinha Mercante (FMM).

O FMM é o principal meio de financiamento da construção de navios no Brasil. Ele é gerido pelo Ministério dos Transportes e sustentado por um tributo específico, o Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM).

A operação dos recursos fica a cargo de bancos como Banco do Brasil, BNDES e Caixa. Com isso, projetos estratégicos podem ser financiados com juros baixos, prazos longos e carência maior.

Construir navios exige muito. São bens caros, feitos sob medida e com produção demorada. As empresas precisam de crédito que se encaixe no tamanho e no risco desses projetos.

No Brasil, o financiamento privado enfrenta obstáculos como burocracia, logística falha, instabilidade regulatória e juros altos. Tudo isso forma o chamado “Custo Brasil”. Nesse cenário, o FMM se torna ainda mais importante para a indústria.

Apesar da importância, conseguir os recursos não é simples. As empresas precisam apresentar projetos detalhados, provar capacidade técnica e seguir regras dos bancos. A burocracia e a pouca informação sobre os critérios de acesso dificultam o uso do fundo. Isso reduz seu impacto real no setor.

Em 2024, o BNDES liberou R$ 6 bilhões em financiamentos do FMM. É o maior valor em 12 anos e mais que o triplo do total entre 2019 e 2022. Ao todo, o setor naval brasileiro recebeu aval para R$ 30,8 bilhões em investimentos. São 430 projetos, entre construção de navios, manutenção e obras portuárias.

A construção naval movimenta muito mais que estaleiros. Ela ativa uma cadeia inteira: aço, serviços técnicos, logística e empregos. É também essencial para a logística nacional, como na cabotagem e na navegação de longo curso. O fortalecimento desse setor é estratégico para o país.

O Brasil precisa aumentar sua frota, modernizar navios e dar conta da demanda por transporte aquaviário. Para isso, é necessário fortalecer a indústria naval com crédito, políticas públicas estáveis e integração com leis como a da BR do Mar (Lei 14.301/2022).

A retomada do setor naval não depende só de dinheiro. Precisa também de vontade política, regras claras e instrumentos bem ajustados. O FMM pode ser essa força de transformação. Para cumprir esse papel, o fundo precisa ser mais acessível, com menos burocracia e mais divulgação.

A indústria naval brasileira tem potencial. Com os ajustes certos, o FMM pode ser a âncora que faltava para recolocar o Brasil no mapa mundial da construção de navios.

Com informações de Portos e Navios.

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Romário Pereira de Carvalho

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