Levantamento divulgado pelo Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI) mostra que, apesar de liderar os gastos militares totais da América do Sul e discutir aumento no orçamento da defesa em 2026, o Brasil aparece atrás de Uruguai, Colômbia, Chile e Equador no investimento militar por habitante, enquanto o governo tenta fortalecer sua posição estratégica em meio ao cenário global de instabilidade e pressão por mais soberania nacional
O Brasil discute ampliar o orçamento de defesa, mas ainda aparece em 74º lugar no ranking global de gasto militar por habitante em 2025. Segundo dados do SIPRI, divulgados em 27 de abril, o país investe US$ 112,74 por pessoa, valor equivalente a cerca de R$ 601,39.
Nesse contexto, a discussão ganhou força após uma declaração do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, durante a abertura do Mecodex 2026, em Brasília, no dia 4 de maio. Na ocasião, ele afirmou que o Brasil estuda elevar o orçamento da defesa para ao menos 1,5% da receita corrente líquida.
Investimento por habitante coloca o Brasil abaixo de vizinhos
No entanto, apesar da ambição de reforçar a soberania nacional, o Brasil ainda fica atrás de quatro países sul-americanos no gasto militar per capita. Assim, o desempenho brasileiro perde força quando o orçamento é dividido pelo número de habitantes.
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Entre os vizinhos que aparecem à frente estão:
Uruguai — 35º lugar, com US$ 577,2 por habitante
Colômbia — 52º lugar, com US$ 272,8 por habitante
Chile — 54º lugar, com US$ 268,9 por habitante
Equador — 66º lugar, com US$ 150,2 por habitante
Na sequência, aparecem Peru, em 86º lugar, Paraguai, em 94º, e Bolívia, em 96º.
Brasil lidera em gasto total, mas enfrenta pressão no orçamento
Por outro lado, quando o critério é o volume total de gastos militares, o Brasil mantém a liderança regional. Segundo o levantamento citado, o país concentra 42,4% do orçamento militar da América do Sul.
Ainda assim, no ranking global de gastos militares totais, o Brasil ocupa a 21ª posição. O país também registrou alta de 13% entre 2024 e 2025, conforme os dados apresentados.
Entretanto, José Múcio voltou a reclamar da falta de previsibilidade financeira na pasta. Segundo o ministro, os cerca de R$ 130 bilhões do orçamento “não dão para absolutamente nada”, já que 83% dos recursos são destinados a despesas fixas.
Ranking global é liderado por Israel
Enquanto isso, no topo do ranking mundial de gasto militar por habitante, Israel aparece em 1º lugar, com US$ 5.107,9. Em seguida, vêm Noruega, com US$ 3.039,8, e Singapura, com US$ 2.979,7.
Na mesma lista, os Estados Unidos ocupam a 4ª posição, com US$ 2.755,4, enquanto a Dinamarca aparece em 5º lugar, com US$ 2.495,2.
Já a Ucrânia surge em 7º lugar. A Rússia aparece em 13º, o Reino Unido em 15º, a França em 22º, a China em 56º e a Índia em 90º.
Portanto, embora China e Índia tenham populações superiores a 1 bilhão de habitantes, ambas perdem força no cálculo per capita. Ainda assim, em volume total, continuam entre os maiores orçamentos militares do mundo: a China ficou em 2º lugar, com US$ 336 bilhões, enquanto a Índia ocupou a 5ª posição, com US$ 92,1 bilhões.
Afinal, como o Brasil pretende ampliar sua influência militar se ainda gasta menos por habitante que quatro vizinhos sul-americanos?


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