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RJ
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Brasil começa a erguer em Nova Friburgo a primeira barreira japonesa SABO do país, uma armadilha de concreto de R$ 15 milhões feita para segurar pedras, troncos e lama antes que a chuva extrema desça das encostas

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Escrito por Ana Alice Publicado em 25/06/2026 às 17:18
Primeira Barreira SABO do Brasil avança em Nova Friburgo para reter pedras, troncos e lama em áreas de encosta. (Imagem: Ilustrativa)
Primeira Barreira SABO do Brasil avança em Nova Friburgo para reter pedras, troncos e lama em áreas de encosta. (Imagem: Ilustrativa)
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Estrutura inédita com tecnologia japonesa será instalada na Região Serrana do Rio para reter materiais pesados em áreas de encosta e marca uma nova etapa em obras de contenção de detritos no país.

O Brasil iniciou, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, a execução da primeira Barreira SABO do país, estrutura de engenharia japonesa projetada para reter pedras, troncos, lama e sedimentos antes que esse material avance encosta abaixo.

A obra será implantada no bairro Duas Pedras, nas proximidades do Hospital São Lucas, com repasse de R$ 15 milhões pelo Ministério das Cidades dentro do Novo PAC.

A tecnologia SABO é voltada à retenção do chamado fluxo de detritos, formado por materiais sólidos carregados pela água em áreas de encosta.

Segundo a Caixa, esse tipo de barragem permite a passagem da água e retém materiais pesados, como rochas, troncos e lama, reduzindo o volume e a velocidade do fluxo em direção às áreas localizadas abaixo da encosta.

No caso de Nova Friburgo, a estrutura será construída em uma área do bairro Duas Pedras, ponto indicado nos documentos oficiais do projeto como local de implantação das obras de retenção de fluxo de detritos.

A proposta é instalar a barreira em uma área de passagem natural desse material, antes que ele alcance trechos urbanizados.

Como funciona a Barreira SABO em Nova Friburgo

A palavra SABO vem da junção de termos japoneses associados a sedimento e proteção, conforme explicação divulgada pela Caixa.

Na prática, a barreira é instalada em pontos estratégicos de encostas ou de áreas por onde água, terra, pedras e vegetação podem descer em situações de fluxo intenso.

A estrutura não atua como uma parede impermeável.

De acordo com a Caixa, a tecnologia permite que a água passe, enquanto materiais mais pesados ficam retidos ou têm sua movimentação reduzida.

Essa característica diferencia a Barreira SABO de obras convencionais voltadas apenas à contenção ou ao escoamento.

Em termos de engenharia, a função principal é controlar o deslocamento de materiais sólidos.

Quando a água ganha força no terreno inclinado, ela pode carregar solo, blocos de rocha, galhos e troncos.

A barreira é projetada para interceptar esse material em um ponto anterior à chegada às áreas abaixo da encosta.

Essa lógica explica a associação feita no título à ideia de uma armadilha de concreto.

A expressão descreve, de forma figurativa, a função da estrutura: reter parte dos elementos arrastados pelo fluxo, sem impedir totalmente a passagem da água.

Resumo do funcionamento da barreira SABO - Imagem: Ana Alice/I.A
Resumo do funcionamento da barreira SABO – Imagem: Ana Alice/I.A

Obra com tecnologia japonesa integra o Novo PAC

A reunião de partida da obra foi informada pelo Ministério das Cidades em 18 de abril de 2026.

O encontro marcou o alinhamento técnico e institucional para o início efetivo dos trabalhos, com definição de rotinas de acompanhamento, vistorias, prazos de execução, formas de reporte e procedimentos operacionais do empreendimento.

Participaram da reunião representantes do Ministério das Cidades, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, da Caixa, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, da Prefeitura de Nova Friburgo, da COPPE/UFRJ e de empresas envolvidas na execução e no gerenciamento da obra.

A construção integra o eixo de Prevenção a Desastres – Contenção de Encostas do Novo PAC.

A gestão é compartilhada entre a Secretaria Nacional de Periferias, vinculada ao Ministério das Cidades, e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, ligada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

O projeto também faz parte de uma cooperação técnica entre Brasil e Japão, com apoio da Agência de Cooperação Internacional do Japão, a JICA.

Segundo o Ministério das Cidades, a iniciativa combina transferência de conhecimento, capacitação e implantação de intervenções estruturais.

Nova Friburgo será caso piloto da tecnologia SABO no Brasil

A cerimônia de início das obras ocorreu em 12 de janeiro de 2026, em Nova Friburgo, segundo a JICA.

A agência japonesa informou que a implantação no município é tratada como caso piloto e que a experiência poderá subsidiar a aplicação da tecnologia SABO em outras áreas de risco de deslizamentos no estado do Rio de Janeiro e em outras regiões do país.

Antes do início da execução, a Prefeitura de Nova Friburgo informou que o município firmou, em 15 de dezembro de 2021, um termo de compromisso de participação no projeto de cooperação entre os governos do Brasil e do Japão.

A administração municipal também registrou que estudos e discussões sobre a implantação da tecnologia na cidade começaram em 2013, no âmbito do projeto Gides, com participação de técnicos da JICA.

Primeira Barreira SABO do Brasil avança em Nova Friburgo para reter pedras, troncos e lama em áreas de encosta. (Imagem: Ilustrativa)
Primeira Barreira SABO do Brasil avança em Nova Friburgo para reter pedras, troncos e lama em áreas de encosta. (Imagem: Ilustrativa)

A escolha de Nova Friburgo para receber a primeira Barreira SABO do Brasil aparece nas fontes oficiais associada à implantação de uma obra-piloto com tecnologia japonesa para retenção de fluxo de detritos.

O texto da Prefeitura cita ainda a relação do projeto com ações anteriores de cooperação técnica e com estudos voltados a movimentos de massa na cidade.

O Governo do Estado do Rio de Janeiro participou do lançamento da pedra fundamental da obra, realizado no Teatro Municipal Laercio Rangel Ventura.

Na ocasião, a Secretaria de Estado de Habitação de Interesse Social informou que a intervenção será executada em uma encosta do bairro Duas Pedras, na RJ-130, com investimento de R$ 15,2 milhões.

Valores oficiais da Barreira SABO aparecem em etapas diferentes

Os valores associados ao projeto variam conforme a etapa administrativa citada nas fontes oficiais.

Em junho de 2025, a Caixa informou que o projeto havia sido aprovado com investimento de R$ 20,1 milhões do Novo PAC, com recursos do Orçamento Geral da União repassados pelo banco.

Já na reunião de partida, em abril de 2026, o Ministério das Cidades citou repasse de R$ 15 milhões para a construção da Barreira SABO em Nova Friburgo.

O Governo do Estado do Rio de Janeiro, por sua vez, informou investimento de R$ 15,2 milhões no lançamento da pedra fundamental.

Também há registro de valor maior no edital de licitação nº 25/2025 da Secretaria de Estado de Habitação de Interesse Social.

O documento indicou valor total de contratação de R$ 20.551.524,55 para a execução das obras de retenção de fluxo de detritos na área denominada Morro Duas Pedras, no bairro Duas Pedras, em Nova Friburgo.

Por isso, o texto mantém o valor de R$ 15 milhões mencionado no título e na divulgação do Ministério das Cidades, mas registra que outras fontes oficiais apontaram valores diferentes em fases anteriores ou específicas do processo.

Estrutura vai reter pedras, troncos, lama e sedimentos

O ponto central da obra está na retenção de materiais sólidos transportados pelo fluxo de detritos.

No projeto de Nova Friburgo, a intervenção foi descrita em documentos oficiais como obra de retenção de fluxo de detritos na área denominada Morro Duas Pedras, no bairro Duas Pedras.

Esse tipo de fluxo ocorre quando a água em movimento carrega solo, rochas, vegetação e outros materiais pelo terreno.

A Barreira SABO atua sobre essa mistura, retendo parte dos elementos sólidos e reduzindo a energia do deslocamento, conforme a descrição técnica divulgada pela Caixa.

A tecnologia, portanto, não se limita ao controle da água.

Seu objetivo técnico é atuar sobre o material que desce junto com ela.

Em uma encosta, esse conjunto pode incluir pedras, lama, troncos e sedimentos, que são justamente os elementos citados pelas fontes oficiais ao explicar o funcionamento das barragens SABO.

Na formulação mais simples, a estrutura funciona como um ponto de retenção para materiais arrastados encosta abaixo.

A água segue o trajeto previsto pelo projeto, enquanto os elementos pesados são retidos ou têm a velocidade reduzida pela barreira.

Teresópolis também receberá uma Barreira SABO

Nova Friburgo não será o único município da Região Serrana a receber a tecnologia.

O Ministério das Cidades informou que outra Barreira SABO será construída em Teresópolis, também com recursos do Novo PAC Contenção de Encostas e apoio técnico de consultores japoneses.

A implantação em mais de um município indica que a tecnologia está sendo incorporada como solução de engenharia em projetos de contenção de encostas financiados pelo governo federal.

No caso fluminense, a Região Serrana reúne áreas urbanas próximas a terrenos inclinados, o que torna esse tipo de intervenção parte da agenda de obras estruturais.

A experiência de Nova Friburgo será acompanhada por órgãos federais, estaduais, municipais, instituições técnicas e empresas contratadas para a execução e o gerenciamento.

As rotinas de vistoria e acompanhamento foram definidas na reunião de partida, segundo o Ministério das Cidades.

À medida que a obra avançar, os dados de execução e operação devem indicar como a primeira Barreira SABO do Brasil será incorporada à engenharia de contenção de detritos no país.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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