Estrutura inédita com tecnologia japonesa será instalada na Região Serrana do Rio para reter materiais pesados em áreas de encosta e marca uma nova etapa em obras de contenção de detritos no país.
O Brasil iniciou, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, a execução da primeira Barreira SABO do país, estrutura de engenharia japonesa projetada para reter pedras, troncos, lama e sedimentos antes que esse material avance encosta abaixo.
A obra será implantada no bairro Duas Pedras, nas proximidades do Hospital São Lucas, com repasse de R$ 15 milhões pelo Ministério das Cidades dentro do Novo PAC.
A tecnologia SABO é voltada à retenção do chamado fluxo de detritos, formado por materiais sólidos carregados pela água em áreas de encosta.
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Segundo a Caixa, esse tipo de barragem permite a passagem da água e retém materiais pesados, como rochas, troncos e lama, reduzindo o volume e a velocidade do fluxo em direção às áreas localizadas abaixo da encosta.
No caso de Nova Friburgo, a estrutura será construída em uma área do bairro Duas Pedras, ponto indicado nos documentos oficiais do projeto como local de implantação das obras de retenção de fluxo de detritos.
A proposta é instalar a barreira em uma área de passagem natural desse material, antes que ele alcance trechos urbanizados.
Como funciona a Barreira SABO em Nova Friburgo
A palavra SABO vem da junção de termos japoneses associados a sedimento e proteção, conforme explicação divulgada pela Caixa.
Na prática, a barreira é instalada em pontos estratégicos de encostas ou de áreas por onde água, terra, pedras e vegetação podem descer em situações de fluxo intenso.
A estrutura não atua como uma parede impermeável.
De acordo com a Caixa, a tecnologia permite que a água passe, enquanto materiais mais pesados ficam retidos ou têm sua movimentação reduzida.
Essa característica diferencia a Barreira SABO de obras convencionais voltadas apenas à contenção ou ao escoamento.
Em termos de engenharia, a função principal é controlar o deslocamento de materiais sólidos.
Quando a água ganha força no terreno inclinado, ela pode carregar solo, blocos de rocha, galhos e troncos.
A barreira é projetada para interceptar esse material em um ponto anterior à chegada às áreas abaixo da encosta.
Essa lógica explica a associação feita no título à ideia de uma armadilha de concreto.
A expressão descreve, de forma figurativa, a função da estrutura: reter parte dos elementos arrastados pelo fluxo, sem impedir totalmente a passagem da água.

Obra com tecnologia japonesa integra o Novo PAC
A reunião de partida da obra foi informada pelo Ministério das Cidades em 18 de abril de 2026.
O encontro marcou o alinhamento técnico e institucional para o início efetivo dos trabalhos, com definição de rotinas de acompanhamento, vistorias, prazos de execução, formas de reporte e procedimentos operacionais do empreendimento.
Participaram da reunião representantes do Ministério das Cidades, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, da Caixa, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, da Prefeitura de Nova Friburgo, da COPPE/UFRJ e de empresas envolvidas na execução e no gerenciamento da obra.
A construção integra o eixo de Prevenção a Desastres – Contenção de Encostas do Novo PAC.
A gestão é compartilhada entre a Secretaria Nacional de Periferias, vinculada ao Ministério das Cidades, e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, ligada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
O projeto também faz parte de uma cooperação técnica entre Brasil e Japão, com apoio da Agência de Cooperação Internacional do Japão, a JICA.
Segundo o Ministério das Cidades, a iniciativa combina transferência de conhecimento, capacitação e implantação de intervenções estruturais.
Nova Friburgo será caso piloto da tecnologia SABO no Brasil
A cerimônia de início das obras ocorreu em 12 de janeiro de 2026, em Nova Friburgo, segundo a JICA.
A agência japonesa informou que a implantação no município é tratada como caso piloto e que a experiência poderá subsidiar a aplicação da tecnologia SABO em outras áreas de risco de deslizamentos no estado do Rio de Janeiro e em outras regiões do país.
Antes do início da execução, a Prefeitura de Nova Friburgo informou que o município firmou, em 15 de dezembro de 2021, um termo de compromisso de participação no projeto de cooperação entre os governos do Brasil e do Japão.
A administração municipal também registrou que estudos e discussões sobre a implantação da tecnologia na cidade começaram em 2013, no âmbito do projeto Gides, com participação de técnicos da JICA.

A escolha de Nova Friburgo para receber a primeira Barreira SABO do Brasil aparece nas fontes oficiais associada à implantação de uma obra-piloto com tecnologia japonesa para retenção de fluxo de detritos.
O texto da Prefeitura cita ainda a relação do projeto com ações anteriores de cooperação técnica e com estudos voltados a movimentos de massa na cidade.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro participou do lançamento da pedra fundamental da obra, realizado no Teatro Municipal Laercio Rangel Ventura.
Na ocasião, a Secretaria de Estado de Habitação de Interesse Social informou que a intervenção será executada em uma encosta do bairro Duas Pedras, na RJ-130, com investimento de R$ 15,2 milhões.
Valores oficiais da Barreira SABO aparecem em etapas diferentes
Os valores associados ao projeto variam conforme a etapa administrativa citada nas fontes oficiais.
Em junho de 2025, a Caixa informou que o projeto havia sido aprovado com investimento de R$ 20,1 milhões do Novo PAC, com recursos do Orçamento Geral da União repassados pelo banco.
Já na reunião de partida, em abril de 2026, o Ministério das Cidades citou repasse de R$ 15 milhões para a construção da Barreira SABO em Nova Friburgo.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro, por sua vez, informou investimento de R$ 15,2 milhões no lançamento da pedra fundamental.
Também há registro de valor maior no edital de licitação nº 25/2025 da Secretaria de Estado de Habitação de Interesse Social.
O documento indicou valor total de contratação de R$ 20.551.524,55 para a execução das obras de retenção de fluxo de detritos na área denominada Morro Duas Pedras, no bairro Duas Pedras, em Nova Friburgo.
Por isso, o texto mantém o valor de R$ 15 milhões mencionado no título e na divulgação do Ministério das Cidades, mas registra que outras fontes oficiais apontaram valores diferentes em fases anteriores ou específicas do processo.
Estrutura vai reter pedras, troncos, lama e sedimentos
O ponto central da obra está na retenção de materiais sólidos transportados pelo fluxo de detritos.
No projeto de Nova Friburgo, a intervenção foi descrita em documentos oficiais como obra de retenção de fluxo de detritos na área denominada Morro Duas Pedras, no bairro Duas Pedras.
Esse tipo de fluxo ocorre quando a água em movimento carrega solo, rochas, vegetação e outros materiais pelo terreno.
A Barreira SABO atua sobre essa mistura, retendo parte dos elementos sólidos e reduzindo a energia do deslocamento, conforme a descrição técnica divulgada pela Caixa.
A tecnologia, portanto, não se limita ao controle da água.
Seu objetivo técnico é atuar sobre o material que desce junto com ela.
Em uma encosta, esse conjunto pode incluir pedras, lama, troncos e sedimentos, que são justamente os elementos citados pelas fontes oficiais ao explicar o funcionamento das barragens SABO.
Na formulação mais simples, a estrutura funciona como um ponto de retenção para materiais arrastados encosta abaixo.
A água segue o trajeto previsto pelo projeto, enquanto os elementos pesados são retidos ou têm a velocidade reduzida pela barreira.
Teresópolis também receberá uma Barreira SABO
Nova Friburgo não será o único município da Região Serrana a receber a tecnologia.
O Ministério das Cidades informou que outra Barreira SABO será construída em Teresópolis, também com recursos do Novo PAC Contenção de Encostas e apoio técnico de consultores japoneses.
A implantação em mais de um município indica que a tecnologia está sendo incorporada como solução de engenharia em projetos de contenção de encostas financiados pelo governo federal.
No caso fluminense, a Região Serrana reúne áreas urbanas próximas a terrenos inclinados, o que torna esse tipo de intervenção parte da agenda de obras estruturais.
A experiência de Nova Friburgo será acompanhada por órgãos federais, estaduais, municipais, instituições técnicas e empresas contratadas para a execução e o gerenciamento.
As rotinas de vistoria e acompanhamento foram definidas na reunião de partida, segundo o Ministério das Cidades.
À medida que a obra avançar, os dados de execução e operação devem indicar como a primeira Barreira SABO do Brasil será incorporada à engenharia de contenção de detritos no país.
