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Bahia cava poço vertical de mais de 1,5 km no subsolo para criar “elevadores gigantes” em mina de cobre, mover 2,2 milhões de toneladas de rocha por ano, transportar 840 trabalhadores por dia e trocar horas de viagem subterrânea por apenas 20 minutos no Complexo do Vale do Curaçá

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Escrito por Ana Alice Publicado em 25/06/2026 às 16:00 Atualizado em 25/06/2026 às 16:03
Assista o vídeoPoço vertical de 1,5 km na Bahia promete reduzir viagens subterrâneas e ampliar a logística da mina de cobre Caraíba com novo shaft. (Imagem: Ilustrativa)
Poço vertical de 1,5 km na Bahia promete reduzir viagens subterrâneas e ampliar a logística da mina de cobre Caraíba com novo shaft. (Imagem: Ilustrativa)
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Um projeto subterrâneo no Vale do Curaçá reúne engenharia internacional, logística de mineração e treinamento de equipes locais em uma obra que promete mudar a forma como trabalhadores e minério circulam em profundidade.

A Ero Copper avança, no Vale do Curaçá, no norte da Bahia, com a construção de um poço vertical de 1.550 metros de profundidade na Mina Pilar, dentro das Operações Caraíba.

A estrutura foi projetada para ampliar o acesso às áreas mais profundas de cobre, reduzir o tempo de deslocamento subterrâneo de trabalhadores e reorganizar a logística de transporte de minério, pessoas e materiais na operação.

O projeto tem engenharia e execução da UMS Group, empresa de origem sul-africana especializada em mineração subterrânea.

Segundo a companhia, o shaft foi desenhado para movimentar até 2,2 milhões de toneladas de rocha por ano e transportar 840 pessoas por dia, distribuídas em quatro turnos de trabalho.

Chamado de shaft na mineração, esse tipo de poço vertical terá 6,3 metros de diâmetro final, revestimento em concreto e quatro compartimentos internos.

A operação será atendida por dois guinchos duplos de tambor: um destinado ao içamento de minério e rocha estéril, e outro voltado ao transporte de trabalhadores, materiais e equipamentos entre a superfície e os níveis subterrâneos.

As atividades de engenharia, desenho e aquisição de infraestrutura começaram no quarto trimestre de 2021.

A construção foi iniciada em janeiro de 2023, de acordo com a UMS.

A previsão informada pela empresa é concluir o sistema do shaft até o fim de 2026, enquanto a Ero Copper projeta o início de operação do novo shaft da Mina Pilar em 2027.

A obra integra a estratégia de transformar a Mina Pilar em um sistema com dois acessos principais.

A estrutura já existente continuará atendendo os níveis superiores, enquanto o novo poço vertical permitirá o acesso à chamada Deepening Extension Zone, área mais profunda das Operações Caraíba.

Shaft vertical na Mina Pilar amplia acesso ao cobre profundo

As Operações Caraíba ficam no nordeste da Bahia, a cerca de 385 quilômetros ao norte-noroeste de Salvador, e formam um complexo integrado de mineração e beneficiamento de cobre.

O conjunto reúne as minas subterrâneas Pilar e Vermelhos, a mina a céu aberto Surubim e a usina Caraíba, com capacidade de processamento de aproximadamente 4,2 milhões de toneladas por ano, segundo a Ero Copper.

A companhia afirma que o novo shaft deve permitir taxas mais altas de lavra, diminuir o tempo de transporte entre a superfície e as regiões profundas da mina e ampliar a eficiência operacional da unidade.

Em 2025, as Operações Caraíba produziram 36.035 toneladas de cobre em concentrado.

Para 2026, a orientação divulgada pela empresa indica produção entre 35 mil e 40 mil toneladas.

Na operação atual, deslocamentos por rampas longas podem consumir horas até a frente de trabalho.

Com os elevadores de mina previstos no shaft, o tempo estimado de acesso será reduzido para cerca de 20 minutos, segundo informações apresentadas pelos executivos do projeto à Conexão Mineral.

A mudança altera uma parte central da rotina subterrânea: o transporte vertical passa a substituir parte dos deslocamentos extensos feitos por rampas, enquanto caminhões e demais equipamentos tendem a concentrar suas atividades em trechos mais próximos dos níveis de operação.

Esse arranjo é apresentado pela UMS e pela Ero Copper como uma forma de reduzir tempo improdutivo e reorganizar o fluxo interno da mina.

Içamento de SHAFT para a mina do pilar - Imagem: Reprodução/Crane Brasil
Içamento de SHAFT para a mina do pilar – Imagem: Reprodução/Crane Brasil

Como a escavação do shaft funciona no subsolo da Bahia

A UMS adotou no projeto o método conhecido como Slype and Line, técnica que utiliza um furo piloto central para ampliar gradualmente o diâmetro do shaft por meio de detonações controladas.

O material desmontado cai pelo próprio poço e é retirado por baixo, a partir da infraestrutura subterrânea existente.

Essa escolha foi viabilizada pela presença de túneis e rampas já operacionais na Mina Pilar.

A partir desses acessos, a equipe consegue apoiar a escavação do novo poço e retirar o material fragmentado sem depender apenas de operações pela superfície.

De acordo com a UMS, um furo central do tipo raise-bore atravessa o eixo do shaft e permite direcionar a rocha desmontada para retirada por equipamentos subterrâneos.

O ciclo de trabalho inclui perfuração, detonação, limpeza, contenção e revestimento, etapas que precisam ser coordenadas para manter o avanço da escavação dentro dos parâmetros técnicos do projeto.

Após a conclusão da etapa de escavação, o poço receberá a estrutura interna de aço, além dos sistemas de içamento, ventilação, energia, comunicação e transporte.

Só depois dessa instalação o shaft poderá operar como corredor vertical para circulação de pessoas, materiais e minério.

A infraestrutura associada ao poço inclui sistemas de manuseio de minério e rocha estéril, passes de minério, silo de material britado e câmara subterrânea de britagem.

Segundo a UMS, esse conjunto foi projetado para transferir minério britado e rocha por transportadores até os arranjos de carregamento do shaft nos níveis profundos da mina.

Engenharia sul-africana e fornecedores brasileiros no projeto

A UMS Group desenvolveu o projeto combinando engenharia realizada em seus escritórios na África do Sul com fabricação, montagem e contratação de fornecedores brasileiros em diferentes frentes.

A estrutura de superfície, incluindo o headgear, teve projeto sul-africano e execução com participação de empresas no Brasil.

Robert Hull, diretor de Operações da UMS Group, afirmou à Conexão Mineral que a empresa ficou responsável não apenas pelo shaft, mas também pelo desenho do envelope subterrâneo ligado ao projeto.

Esse escopo inclui galerias, câmara de britagem e estruturas de apoio de superfície.

Bruno Paladino, Country Manager da UMS no Brasil, explicou que equipamentos altamente especializados, como guinchos e guias de aço do tipo Top Hat Guides, precisaram ser adquiridos no exterior.

Esses componentes serão usados para orientar o deslocamento dos elevadores ao longo do poço vertical.

Em outras frentes, a empresa informou ter priorizado fornecedores nacionais, especialmente em estruturas metálicas, compressores e controles eletrônicos.

A necessidade de importar determinados itens foi atribuída ao grau de especialização exigido por projetos de escavação de shafts profundos, ainda pouco comuns no mercado brasileiro.

Treinamento de mão de obra para mineração subterrânea

A formação de mão de obra especializada é um dos pontos destacados pela UMS na execução do projeto.

A escavação de shafts profundos tem baixa presença no Brasil quando comparada a mercados com tradição maior em mineração subterrânea, o que reduz a disponibilidade de profissionais com experiência direta nesse tipo de obra.

Para enfrentar essa limitação, a empresa estruturou um programa de treinamento para trabalhadores brasileiros com experiência anterior em mineração ou construção.

Segundo relato apresentado pela UMS, esses profissionais passam por capacitação teórica e prática no subsolo, sempre acompanhados por equipes internacionais experientes durante a execução das atividades.

A organização dos turnos também foi apontada pela companhia como um fator relevante para o andamento da obra.

Segundo o portal Conexão Mineral, os executivos citam limitações associadas à jornada de trabalhadores em minas subterrâneas no Brasil e a regras relacionadas à atuação de profissionais seniores, mas a aplicação exata desses pontos ao projeto não foi detalhada de forma documental na fonte consultada.

No projeto baiano, mais de 30% da força de trabalho atual é formada por profissionais da Bahia, segundo os executivos ouvidos pela Conexão Mineral.

A empresa também informou crescimento da participação feminina em áreas como EHS, compras e administração, sem detalhar o percentual total de mulheres no quadro do projeto.

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Segurança e produtividade no transporte subterrâneo

A redução do tráfego pesado em rampas subterrâneas é apresentada pela UMS como um fator ligado à segurança e à produtividade da mina.

De acordo com a empresa, a menor dependência de longas viagens de caminhões em profundidade pode reduzir desgaste de equipamentos, consumo de diesel e exposição de trabalhadores a deslocamentos extensos no subsolo.

Hull afirmou à Conexão Mineral que a segurança é uma prioridade na execução do shaft.

Segundo o executivo, técnicos brasileiros foram treinados nos padrões da UMS, enquanto profissionais expatriados acompanham atividades de escavação de poços ao lado das equipes locais.

A empresa também informou ter alcançado, em seus projetos globais, períodos sem registro de lesões com afastamento.

Como esse dado foi apresentado pela própria companhia na entrevista, ele deve ser tratado como informação atribuída à UMS, e não como registro independente de auditoria.

No planejamento operacional da Ero Copper, o novo shaft da Mina Pilar aparece associado ao acesso à Deepening Extension Zone a partir de 2027.

A companhia informou que continuará investindo no poço vertical e em infraestrutura vinculada às Operações Caraíba para sustentar as próximas etapas de produção.

A ampliação do acesso subterrâneo ocorre em um contexto de maior demanda por projetos de cobre em diferentes países.

No caso da Bahia, a obra conecta a experiência sul-africana da UMS em shafts profundos à operação brasileira da Ero Copper no Vale do Curaçá, região que concentra parte importante da produção de cobre da companhia no país.

UMS amplia atuação na América Latina

Além do Brasil, a UMS informou ter aberto um escritório em Santiago, no Chile, para apoiar clientes locais de mineração com suporte técnico e de campo em operações subterrâneas e projetos de shafts.

A expansão regional foi apresentada por Paladino como parte da estratégia da companhia para atuar em mercados latino-americanos com demanda por soluções subterrâneas.

O executivo também destacou a experiência acumulada da empresa em projetos desse tipo.

Segundo a UMS, o grupo reúne mais de seis décadas de atuação em desenvolvimento e operação de minas subterrâneas, com presença em diferentes continentes.

Hull afirmou que a empresa vê oportunidades em novos projetos de cobre, ouro, platina e potássio, em razão do cenário de preços de commodities e da demanda por operações subterrâneas.

A UMS também informou ter conquistado contrato de construção para um projeto de potássio na África, sem que o texto original detalhe o nome do empreendimento.

No Brasil, a execução do shaft da Mina Pilar representa uma das aplicações mais relevantes desse tipo de engenharia em uma operação de cobre subterrânea.

A obra reúne escavação profunda, sistemas de elevação, infraestrutura de britagem e treinamento de mão de obra local em um mesmo projeto industrial.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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