Rompimento de barragem em Ponte Alta do Bom Jesus, no sudeste do Tocantins, alaga ruas, mobiliza o Corpo de Bombeiros nesta sexta-feira (19) e deixa moradores apreensivos, enquanto o episódio reacende o alerta nacional sobre riscos de novas tragédias envolvendo barragem ligada a garimpo e rejeitos tóxicos em rios amazônicos.
Uma barragem rompeu na manhã desta sexta-feira (19) em Ponte Alta do Bom Jesus, no sudeste do Tocantins, e a força das águas inundou parte do município. Vídeos gravados por moradores mostram ruas tomadas pela água logo após o rompimento, enquanto o Corpo de Bombeiros é acionado para avaliar o cenário. A ocorrência, registrada por volta das 8h50, mobilizou equipes da 6ª Companhia Independente de Bombeiros Militar, que iniciaram as primeiras medidas de resposta e monitoramento da estrutura.
O novo rompimento de barragem reacende o alerta em todo o país, já abalado pelo colapso de uma estrutura de rejeitos ligada a garimpo ilegal no Amapá, em 11 de fevereiro. Naquele episódio, rejeitos do garimpo São Domingos avançaram pelos rios Cupixi, Araguari e Amapari, atingindo cerca de 17 mil moradores em quatro municípios e levando o Ministério Público Federal a pedir indenização milionária por danos morais coletivos.
Ruas alagadas e moradores em alerta no Tocantins

Rompimento de barragem inundou parte de município no Tocantins nesta sexta-feira (19)Foto: Daniel Lélis/@dannlelis/X
No caso registrado em Ponte Alta do Bom Jesus, a barragem se rompeu na parte superior, conhecida como crista, e provocou o avanço rápido da água em direção à área urbana do município.
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As imagens que circulam nas redes sociais mostram o volume de água avançando logo após a falha na estrutura, o que gerou apreensão entre moradores da região.
De acordo com as primeiras informações da 6ª Companhia Independente de Bombeiros Militar, a falha atingiu cerca de dois metros da crista da barragem, ponto que ajuda a conter o reservatório.
A corporação foi acionada pela manhã para fazer a avaliação inicial e orientar as autoridades locais sobre os próximos passos para garantir a segurança da população.
Até o momento, não há confirmação oficial de vítimas, danos em residências ou impactos ambientais consolidados relacionados ao rompimento no Tocantins.
Os bombeiros trabalham em conjunto com órgãos municipais para mapear as áreas afetadas e checar possíveis prejuízos em propriedades rurais e estruturas próximas ao curso da água.
Como o rompimento da barragem aconteceu no Tocantins
Segundo o relato repassado pelos bombeiros, o rompimento ocorreu durante o fechamento do vertedouro da barragem, mecanismo responsável por controlar o nível do reservatório e evitar transbordamentos.
Durante essa operação, parte superior da estrutura cedeu parcialmente, permitindo a saída repentina de água.
Por enquanto, o caso é classificado como rompimento parcial de barragem, já que a estrutura não foi totalmente destruída.
Técnicos ainda precisam inspecionar o local com mais detalhes para definir a extensão real dos danos e o risco de novos deslizamentos de material ou aumento no fluxo de água rio abaixo.
Equipes dos bombeiros se deslocam a partir de Dianópolis para reforçar o atendimento na região de Ponte Alta do Bom Jesus.
A prioridade é garantir que não haja pessoas em situação de risco imediato nas áreas alagadas, além de isolar pontos que possam sofrer nova elevação de nível de água caso haja instabilidade remanescente na estrutura.
Desastre em barragem de garimpo no Amapá volta ao foco
O episódio no Tocantins reacende a preocupação com a segurança de barragens em todo o país, especialmente depois do colapso de uma barragem de rejeitos de garimpo ilegal no Amapá, em 11 de fevereiro. Segundo o Ministério Público Federal, aquela estrutura estava ligada ao garimpo São Domingos e funcionava de forma clandestina.
Naquela ocasião, o rompimento da barragem espalhou rejeitos pelos rios Cupixi, Araguari e Amapari, afetando moradores de quatro municípios:
Pedra Branca do Amapari, Porto Grande, Ferreira Gomes e Cutias. O MPF estima que cerca de 17 mil pessoas foram impactadas direta ou indiretamente pela contaminação, o que levou o órgão a ingressar com ação pedindo indenização mínima de 51,6 milhões de reais por danos morais coletivos.
A ação judicial foi direcionada contra a União, a Agência Nacional de Mineração, o governo do Amapá e o município de Pedra Branca do Amapari.
Para o MPF, os entes públicos foram omissos ao não fiscalizar nem desmontar barragens clandestinas mantidas por garimpos ilegais, permitindo a continuidade do risco até a ocorrência do colapso.
Contaminação, laudos técnicos e riscos ambientais
Após o rompimento da barragem de rejeitos no Amapá, laudos do Instituto Evandro Chagas apontaram que os níveis de alumínio, ferro e mercúrio na água ficaram acima dos limites estabelecidos pela legislação ambiental.
Esses resultados acenderam um alerta para riscos graves à saúde da população e ao equilíbrio dos ecossistemas aquáticos, já que metais pesados podem se acumular em peixes, solos e no organismo humano.
No episódio de Ponte Alta do Bom Jesus, no entanto, ainda não há confirmação de contaminação da água ou do solo.
As autoridades reforçam que será necessário monitorar a qualidade da água e o comportamento da barragem remanescente antes de descartar qualquer risco ambiental.
Por enquanto, as informações se concentram no volume de água liberado e nas áreas atingidas por alagamentos.
Mesmo sem laudos conclusivos sobre o caso do Tocantins, especialistas defendem que eventos sucessivos envolvendo barragens reforçam a urgência de revisões em normas de fiscalização, planos de emergência e transparência das informações para a população que vive a jusante dessas estruturas.
Monitoramento da barragem no Tocantins e próximos passos
O Corpo de Bombeiros do Tocantins mantém contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Ponte Alta do Bom Jesus para reunir dados técnicos da barragem, como capacidade do reservatório, estado de conservação e histórico de manutenção.
Essas informações devem orientar as próximas decisões sobre isolamento da área e eventual necessidade de evacuação preventiva em pontos específicos.
Equipes seguem em deslocamento para o local para realizar novas avaliações diretas na estrutura e no entorno.
A expectativa é que, com as vistorias presenciais, seja possível definir se o rompimento parcial da barragem representa risco de novos desmoronamentos ou se o pior já passou, restando apenas o trabalho de recuperação das áreas atingidas.
Enquanto isso, moradores acompanham as atualizações por canais oficiais e pelas redes sociais, onde vídeos do momento do rompimento continuam sendo compartilhados.
E você, acredita que a fiscalização de barragens no Brasil é suficiente hoje ou novas tragédias ainda são inevitáveis se nada mudar?

