Dezenas de agricultores franceses despejaram esterco, lixo, pneus e repolhos diante da casa de praia de Emmanuel Macron em Le Touquet, nesta sexta-feira 19 de dezembro de 2025, hoje, exibindo um caixão com “Não ao Mercosul” para pressionar a União Europeia a adiar o acordo comercial com o bloco sul-americano.
Nesta sexta-feira, 19 de dezembro de 2025, dezenas de agricultores franceses transformaram a frente da casa de praia de Emmanuel Macron, em Le Touquet, no norte da França, em um cenário de revolta ao despejar esterco, lixo, pneus e repolhos diante da mansão sob forte vigilância policial. Um caixão com a frase “Não ao Mercosul” foi colocado em frente à residência do presidente e de Brigitte Macron, como símbolo do repúdio ao acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.
O protesto dos agricultores em Le Touquet veio na sequência da grande manifestação de agricultores europeus em Bruxelas, realizada na quinta-feira, 18 de dezembro de 2025, que registrou cenas de violência e levou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a informar que o acordo UE-Mercosul, inicialmente previsto para ser assinado no sábado, 20 de dezembro de 2025, durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, seria adiado para janeiro, enquanto os produtores também cobram respostas do governo francês diante de uma doença que atinge o rebanho bovino.
Montanha de esterco na casa de praia de Macron

Segundo os participantes, dezenas de agricultores se concentraram na rua em frente à casa de praia do casal Macron nesta sexta-feira.
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Sob olhar de policiais posicionados na região, os manifestantes descarregaram sacos de esterco, pneus, repolhos e galhos ao lado do imóvel, que permaneceu sob vigilância durante toda a ação.
Para muitos agricultores, levar o protesto diretamente à casa de praia do presidente é a forma mais visível de mostrar o descontentamento do campo francês com o rumo das negociações comerciais.
De Bruxelas a Le Touquet, a mesma pressão dos agricultores
Um dia antes de cercarem a casa de Macron em Le Touquet, agricultores europeus haviam participado de uma grande mobilização em Bruxelas contra o acordo UE-Mercosul, que registrou cenas de violência nas proximidades das instituições da União Europeia.
O clima de tensão foi levado pelos agricultores franceses até o litoral do norte da França em uma tentativa de manter o tema no centro da agenda política em Paris e em Bruxelas, reforçando a mensagem de que o descontentamento não se limita à França.
Acordo UE-Mercosul é adiado após recado das ruas
O acordo em discussão busca reduzir ou eliminar tarifas de importação e exportação entre União Europeia e Mercosul.
A Comissão Europeia concluiu o texto em dezembro de 2024 com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, e a assinatura estava programada para o sábado, 20 de dezembro de 2025, durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu.
Depois dos protestos de agricultores em Bruxelas, na quinta-feira, 18, Ursula von der Leyen informou aos líderes europeus que o acordo não seria mais assinado na data prevista e que a decisão ficaria para janeiro, movimento impulsionado pela pressão da França, que passou a contar também com o apoio da Itália.
‘Estamos retrocedendo’, dizem representantes dos agricultores
Para Benoît Hédin, do sindicato agrícola FDSEA, o ato diante da casa de Macron é “simbólico” e volta-se diretamente contra a “política europeia atual”.
Ao relacionar o acordo com o Mercosul à reforma da Política Agrícola Comum, programa que subsidia os agricultores da União Europeia, Hédin afirma que o setor corre o risco de ver redução dos benefícios já no próximo ano, o que o leva a concluir que “estamos retrocedendo” nas garantias oferecidas ao campo.
Medo de carne, arroz, mel e soja do Mercosul
Entre as principais preocupações dos agricultores franceses está a entrada em larga escala de carne, arroz, mel e soja sul-americanos no mercado europeu. Segundo eles, os produtos do Mercosul seguem regras de produção menos rígidas e, por isso, chegam mais baratos às prateleiras.
“Os produtos são importados sem qualquer restrição regulatória e competem conosco a preços impossíveis de igualar”, lamentou o agricultor Marc Delaporte, acrescentando que “estamos protestando há dois anos e nada muda” diante da falta de respostas concretas de Bruxelas.
FNSEA fala em ‘xeque-mate’ e rejeita concessões
A pressão também vem do FNSEA, principal sindicato agrícola da França, que classificou o adiamento da assinatura como “insuficiente”.
Em comunicado nas redes sociais, a entidade afirmou que “o Mercosul continua sendo um NÃO” e que, “para dar xeque-mate no Mercosul”, os agricultores vão se manter mobilizados mesmo após o recuo anunciado pela Comissão Europeia.
E você, acha que os agricultores franceses estão certos em transformar o acordo UE-Mercosul no principal alvo dos protestos?

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