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Banco Central da China reforça compromisso de acelerar o uso do yuan no comércio internacional e cria infraestrutura própria de transações chamada CIPS, o objetivo não é disputar com o dólar, mas oferecer alternativa a outros países

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 14/05/2026 às 00:32 Atualizado em 14/05/2026 às 00:34
Assista o vídeoO Banco Central da China reforçou o compromisso de acelerar o uso do yuan no comércio internacional e criou uma infraestrutura própria de transações chamada CIPS. Professor da FGV afirma que o objetivo não é disputar com o dólar, mas oferecer alternativa.
O Banco Central da China reforçou o compromisso de acelerar o uso do yuan no comércio internacional e criou uma infraestrutura própria de transações chamada CIPS. Professor da FGV afirma que o objetivo não é disputar com o dólar, mas oferecer alternativa.
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O Banco Central da China reforçou o compromisso de acelerar a disseminação do yuan no comércio internacional, mantendo condições financeiras frouxas para sustentar a recuperação econômica e investindo em uma infraestrutura de transações chamada CIPS que funciona como alternativa ao sistema Swift. Segundo o TIMES BRASIL – LICENCIADO EXCLUSIVO CNBC, o professor de finanças internacionais da FGV afirma que o objetivo não é disputar com o dólar, mas oferecer mais uma opção de moeda para países que buscam diversificação.

A China não esconde sua ambição de tornar o yuan uma moeda de referência global. O Banco Central chinês reforçou nesta semana o compromisso de manter condições financeiras favoráveis para sustentar a recuperação econômica do país e, ao mesmo tempo, acelerar os esforços para disseminar o uso do yuan, também chamado de renminbi, nas transações comerciais e financeiras internacionais. A estratégia inclui o desenvolvimento de uma infraestrutura própria de pagamentos internacionais chamada CIPS (Cross-Border Interbank Payment System), que permite realizar transações em moeda chinesa de forma independente do sistema Swift dominado pelo Ocidente.

Segundo o professor Shu Cheng, especialista em finanças internacionais da FGV EAESP, a internacionalização do yuan não é uma disputa monetária contra o dólar. “É simplesmente oferecer mais uma alternativa de moedas internacionais para que sejam usadas nas transações internacionais, comércio e investimento”, afirmou o professor. Na visão dele, o objetivo do Banco Central da China é reduzir a vulnerabilidade do país a crises externas e garantir o funcionamento da própria economia chinesa, não substituir o dólar como moeda dominante. Mas o caminho entre oferecer alternativa e se tornar concorrente pode ser mais curto do que parece.

O que é o CIPS e por que ele importa

O CIPS é uma infraestrutura de pagamentos transfronteiriços criada pela China para processar transações internacionais em yuan. Na prática, funciona como uma versão chinesa do sistema Swift, a rede que conecta bancos do mundo inteiro e que é amplamente dominada por instituições ocidentais. A diferença fundamental é que o CIPS opera com a moeda chinesa e permite que países realizem transações bilaterais sem precisar converter seus valores para dólares americanos.

A existência do CIPS dá à China uma independência operacional que poucos países possuem. Quando os Estados Unidos impõem sanções econômicas a um país e o excluem do sistema Swift, como fizeram com a Rússia após a invasão da Ucrânia, esse país perde a capacidade de realizar transações bancárias internacionais com a maior parte do mundo. O CIPS oferece uma rota alternativa que não pode ser bloqueada por Washington, o que torna o sistema atraente para nações que querem se proteger de pressões geopolíticas americanas.

A estabilidade do yuan como pré-requisito

Para que uma moeda seja aceita como reserva global, ela precisa ser estável. O professor Shu Cheng destaca que a China vem controlando sua inflação de forma eficiente e mantendo a estabilidade do yuan em relação a outras moedas. Desde o início do ano, o renminbi valorizou aproximadamente 2,44% em relação ao dólar, um desempenho que demonstra solidez quando comparado a outras moedas asiáticas, embora menor que a valorização do real brasileiro no mesmo período.

A estabilidade monetária é sustentada por um Banco Central que mantém controle rígido sobre o câmbio e sobre os fluxos de capital. A China não permite a livre flutuação do yuan como os Estados Unidos fazem com o dólar, o que gera críticas de quem defende mercados totalmente abertos, mas garante previsibilidade para países e empresas que realizam transações em moeda chinesa. Para parceiros comerciais que buscam segurança nas trocas bilaterais, saber que o yuan não vai oscilar violentamente de uma semana para outra é um argumento tão forte quanto a taxa de juros.

O dólar fragilizado pelas declarações de Trump

Enquanto a China trabalha para fortalecer o yuan, o dólar americano enfrenta um período de oscilações atípicas. As declarações do presidente Donald Trump sobre política comercial, tarifas e relações internacionais têm provocado movimentos bruscos no câmbio, colocando a cotação do dólar em patamares muito diferentes dos registrados há um ano. Para uma moeda que domina cerca de 90% do comércio internacional, essa volatilidade mina a confiança que sustenta sua posição hegemônica.

O professor da FGV observa que a independência do Federal Reserve (o Banco Central americano) é fundamental para a credibilidade do dólar. Quando decisões políticas interferem na percepção de estabilidade monetária, investidores e bancos centrais de outros países começam a questionar se devem manter toda a sua reserva em uma única moeda sujeita a humores políticos. É exatamente nessa brecha que o yuan, o euro e outras moedas buscam ganhar espaço como alternativas de reserva e de transação.

O que o Brasil ganha com a diversificação de moedas

O governo brasileiro já manifestou interesse na ideia de diversificar as moedas utilizadas em suas relações comerciais e reservas internacionais. Segundo o professor Shu Cheng, quando o Banco Central do Brasil diversifica sua reserva em várias moedas, ele acompanha a tendência global de um mundo multipolar, onde o dólar continua importante, mas divide espaço com o euro, o yuan e outras divisas. Essa diversificação preserva valor e reduz riscos associados à concentração em uma única moeda.

Para o Brasil, que tem na China seu maior parceiro comercial, a possibilidade de realizar transações bilaterais diretamente em yuan tem implicações práticas. Exportadores brasileiros de soja, minério e carne que vendem para a China poderiam receber em yuan e usar essa moeda para importar equipamentos e insumos chineses sem precisar converter para dólares no meio do caminho. Esse circuito direto elimina custos de conversão cambial e reduz a exposição a variações do dólar que não têm relação com o comércio bilateral entre os dois países.

A reforma financeira que a China faz em silêncio

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A internacionalização do yuan é apenas uma parte de uma reforma financeira mais ampla que a China conduz há anos. O governo chinês tem investido no desenvolvimento do mercado de derivativos, na criação de instrumentos de proteção para investidores em títulos em moeda chinesa e no fortalecimento dos mercados de câmbio para prazos mais longos. Essas medidas criam a infraestrutura necessária para que o yuan funcione como moeda de transação e de reserva em larga escala.

Uma crítica recorrente à China é a falta de transparência na divulgação de informações econômicas. O professor Shu Cheng pondera que as informações existem, mas muitas vezes estão disponíveis apenas em chinês, o que cria uma barreira de idioma que é confundida com falta de transparência. Gradualmente, o país tem ampliado a divulgação de dados em inglês e reformado seus padrões de contabilidade para se aproximar das normas internacionais, mas o ritmo dessa abertura ainda é considerado lento por analistas ocidentais.

Um caminho longo, mas que já começou

O professor Shu Cheng resume a situação com clareza: a transformação do yuan em moeda global ainda é um longo caminho. Mas a China já construiu a infraestrutura de pagamentos (CIPS), mantém a estabilidade da moeda, controla a inflação e amplia o mercado financeiro doméstico para receber investidores internacionais. O yuan não precisa substituir o dólar para ser relevante. Basta que mais países o aceitem como opção viável para comércio, investimento e reservas.

Você acredita que o yuan pode se tornar uma alternativa real ao dólar no comércio internacional? Conte nos comentários o que pensa sobre a estratégia da China, se o Brasil deveria diversificar mais suas reservas e como avalia o impacto das oscilações do dólar causadas pelas declarações de Trump. Queremos ouvir a sua opinião sobre o futuro das moedas globais.

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lopesjorgeluiz63@gmail.com
lopesjorgeluiz63@gmail.com
20/05/2026 15:34

Acredito que brevemente o Yuan irá concorrer em igualdade om o dólar, isso será muito bom para o mundo.

Luis
Luis
16/05/2026 18:57

Nao irá substituir ao dollar, mas tirou a hegemonia.

Kleber Santos de Oliveira
Kleber Santos de Oliveira
16/05/2026 18:42

Eu acho que vale a pena substituir o dola ao longo prazo

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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