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Vagão ferroviário de 1909 que parecia condenado ao abandono vira hospedagem de luxo nos EUA: família pagou US$ 3 mil, restaurou a relíquia por seis meses e transformou peça centenária em negócio lucrativo

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Escrito por Ana Alice Publicado em 26/06/2026 às 22:51
Assista o vídeoFamília comprou vagão centenário por US$ 3 mil, restaurou a estrutura nos EUA e transformou o antigo trem em hospedagem lucrativa. (Imagem: Ilustrativa)
Família comprou vagão centenário por US$ 3 mil, restaurou a estrutura nos EUA e transformou o antigo trem em hospedagem lucrativa. (Imagem: Ilustrativa)
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Um vagão ferroviário centenário, comprado por valor baixo e restaurado nos Estados Unidos, virou hospedagem turística em Idaho e passou a chamar atenção pela combinação entre memória histórica, construção adaptada e renda com estadias.

Um vagão ferroviário de 1909, encontrado em estado de abandono em Deary, no estado americano de Idaho, foi restaurado pela família de Isaac French e convertido em uma hospedagem de curta temporada.

O caso passou a circular em reportagens internacionais por envolver preservação histórica, reaproveitamento de uma estrutura antiga e exploração econômica no setor de turismo.

A história não corresponde a um lançamento recente.

Segundo relato publicado pelo Business Insider, o vagão foi localizado em dezembro de 2019, quando o pai de Isaac French ajudava um vizinho a retirar neve do telhado de um celeiro.

A estrutura estava deteriorada, com madeira comprometida, janelas fechadas e sinais de falta de uso, mas a família decidiu avaliar a possibilidade de recuperar o equipamento.

Vagão ferroviário de 1909 virou hospedagem em Idaho

O equipamento não era um trem completo, mas um vagão usado para passageiros, carga e correio.

O anúncio atual da hospedagem informa que o carro ferroviário circulou pela Washington Idaho & Montana Railway de 1909 até por volta de 1955 e era identificado como número 306.

A peça havia sido comprada pela ferrovia da American Car and Foundry Co., fabricante tradicional do setor ferroviário nos Estados Unidos.

Quando o pai de French encontrou o vagão, ele estava em ruínas e fedia a gatos.  - Imagem: Isaac French
Quando o pai de French encontrou o vagão, ele estava em ruínas e fedia a gatos. – Imagem: Isaac French

A família pagou cerca de US$ 3 mil pelo vagão, conforme informações publicadas pelo Business Insider e pelo Realtor.com, que reproduziu dados da CNBC.

Depois da compra, a etapa mais complexa passou a ser o transporte da estrutura de 61 pés, o equivalente a aproximadamente 18,6 metros, que estava em más condições e sem acesso direto a trilhos.

O deslocamento exigiu caminhões, tratores e cerca de US$ 10 mil, segundo o relato atribuído a French.

O custo da restauração superou o valor pago inicialmente pelo vagão.

Isaac French afirmou ao Business Insider que o investimento total chegou a US$ 151 mil, incluindo a aquisição da estrutura.

A família trabalhou por cerca de seis meses na recuperação, com participação de parentes que tinham experiência em construção e reformas.

Reforma preservou características originais do vagão

O projeto não se limitou à instalação de móveis em uma estrutura antiga.

De acordo com o relato de French ao Business Insider, a proposta foi preservar parte relevante dos elementos ferroviários e adaptar o espaço às exigências de uma hospedagem de curta temporada.

Essa escolha ajudou a manter a identificação histórica do vagão dentro de um uso comercial.

O vagão de trem restaurado repousa sob uma cobertura em estilo de estação ferroviária, com uma ampla varanda. Isaac French
O vagão de trem restaurado repousa sob uma cobertura em estilo de estação ferroviária, com uma ampla varanda. Isaac French

French relatou que cerca de 95% do vagão foi mantido em condição original.

O trabalho incluiu lixamento, recuperação de pisos, painéis internos e janelas, além da restauração de cores e elementos visuais associados ao período de operação do carro ferroviário.

O teto recebeu tonalidade inspirada em registros antigos, enquanto a parte externa teve letreiros refeitos para lembrar a identidade do carro 306.

A adaptação também exigiu infraestrutura que não fazia parte da configuração original do vagão.

A família instalou sistemas elétricos, climatização, banheiro, acabamentos internos e uma cobertura ao redor da estrutura.

Essa cobertura foi desenhada para reproduzir características de uma antiga plataforma ferroviária, conforme descrito nas reportagens sobre o projeto.

Como ficou a estrutura interna da hospedagem

A divisão interna aproveitou a antiga função dos compartimentos.

A área usada para correio foi transformada em quarto; o espaço de carga passou a abrigar entrada, apoio e banheiro; já a parte destinada a passageiros foi adaptada para receber sala de estar, kitchenette e área de convivência.

Segundo o anúncio da hospedagem no Airbnb, o espaço comporta duas pessoas, com um quarto, uma cama king-size e um banheiro.

A acomodação também oferece cozinha, Wi-Fi, espaço de trabalho, vista para montanhas e vale, sauna e banheira de hidromassagem.

A área externa inclui varanda coberta ao redor do vagão e integração com a paisagem rural de Idaho.

No anúncio, os anfitriões informam que a banheira pode não funcionar entre outubro e abril, de acordo com as condições de uso durante o período frio.

A página da hospedagem no Airbnb descreve o local como uma estadia em um vagão restaurado de 1909, cercado por florestas e campos de trigo.

A plataforma também informa que os hóspedes têm acesso a todo o espaço do vagão e que a propriedade fica em uma região com opções de atividades como pesca, caminhada e ciclismo.

Diária do vagão restaurado pode passar de R$ 1,6 mil

O valor da diária varia conforme data, demanda e regras da plataforma.

Reportagens publicadas em 2024 apontaram preços entre US$ 325 e US$ 350 por noite.

Em conversão aproximada, essa faixa pode ficar acima de R$ 1,6 mil, sem considerar taxas, impostos, variação cambial e eventuais alterações feitas pelos anfitriões.

A própria página do Airbnb não informa um preço fixo para todas as datas sem que o visitante selecione o período da reserva.

Por esse motivo, qualquer conversão em reais deve ser lida apenas como referência aproximada, e não como valor final obrigatório para todos os hóspedes.

O retorno financeiro foi mencionado por Isaac French em entrevista ao Business Insider.

Segundo ele, a hospedagem alcançou 90% de ocupação no primeiro ano e recuperou o investimento em 18 meses.

O Realtor.com também informou, com base em dados atribuídos à CNBC, que a família esperava faturar US$ 105 mil em 2024 com as reservas do vagão.

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Hospedagem diferente une turismo, restauração e economia

A transformação do vagão se encaixa em um modelo de acomodação voltado à experiência do visitante.

Em vez de oferecer apenas uma estrutura convencional de hospedagem, o projeto usa a história ferroviária e a restauração arquitetônica como parte do serviço vendido aos turistas.

Nesse caso, a construção funciona como acomodação e elemento de interesse histórico.

O hóspede paga pela estadia dentro de uma peça ferroviária restaurada, com compartimentos preservados, detalhes visuais recuperados e uma narrativa ligada ao transporte, à arquitetura e à memória local.

A escolha de manter a identidade do vagão também influencia a forma como o imóvel é apresentado comercialmente.

Em vez de tratar a estrutura apenas como sucata ou material de descarte, a família recuperou o equipamento para uso turístico.

O resultado reúne reaproveitamento de uma peça antiga, reforma artesanal e operação em plataforma de hospedagem de curta temporada.

Esse tipo de projeto costuma atrair atenção porque transforma uma estrutura desativada em espaço utilizável.

No caso do vagão 306, o histórico de circulação, a data de fabricação e a restauração documentada passaram a fazer parte da própria descrição do imóvel nas plataformas em que a hospedagem aparece.

Isaac French também passou a tratar o projeto como parte de uma proposta mais ampla de revitalização local.

Em texto publicado em seu site, ele relacionou o vagão, o antigo depósito ferroviário e outros imóveis restaurados ao conceito de “placemaking”, termo usado para descrever iniciativas de criação ou recuperação de espaços com identidade, função social e atividade econômica.

Mesmo com o preço inicial de US$ 3 mil, o caso mostra que a compra representou apenas uma etapa do investimento.

Transporte, restauração, mão de obra, instalações modernas, mobiliário, cobertura, manutenção e operação comercial fizeram parte do custo total relatado por French.

A experiência do vagão 306 também demonstra como estruturas antigas podem receber novos usos quando há viabilidade técnica, demanda turística e documentação histórica disponível.

No caso de Deary, a restauração permitiu que uma peça ferroviária centenária passasse a funcionar como hospedagem, mantendo parte de sua memória material e gerando receita por meio de reservas de curta temporada.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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