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Bacon sem porco? Startup cria carne de porco cultivada em laboratório que mantém a porca doadora viva

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 23/11/2025 às 15:44 Atualizado em 23/11/2025 às 15:45
Carne cultivada da Mission Barns usa células de porco vivo para criar produtos tradicionais sem abate e reduzindo impactos
Carne cultivada da Mission Barns usa células de porco vivo para criar produtos tradicionais sem abate e reduzindo impactos
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A Mission Barns aposta na gordura cultivada em laboratório como alternativa à criação intensiva de porcos, oferecendo produtos como bacon, linguiça e almôndegas sem necessidade de abate

A carne de porco pode ser barata, gordurosa e saborosa, mas sua produção envolve desafios significativos e questões difíceis de serem ignoradas. Os porcos são animais altamente sociais, capazes de demonstrar traços de personalidade, além de emoções como estresse e medo.

Também figuram entre os mais inteligentes do reino animal, ocupando o quinto lugar no ranking global e apresentando níveis de consciência comparáveis aos de uma criança humana de três anos.

Ao mesmo tempo, a criação industrial desses animais gera impactos ambientais expressivos.

Apesar disso, desde o século XIX, a sociedade segue criando, engordando e abatendo porcos em escala massiva. Agora, uma nova possibilidade começa a tomar forma com a Mission Barns, startup que aposta na carne cultivada em biorreatores como alternativa sustentável à indústria tradicional.

Coleta e crescimento da gordura cultivada

A empresa afirma ter desenvolvido um processo que pretende reduzir a crueldade associada à produção intensiva. Tudo começa com a coleta de uma pequena amostra de tecido adiposo retirada de um animal vivo. No caso da Mission Barns, essa doadora é Dawn, uma porca da raça Yorkshire que vive no interior do estado de Nova York.

Após a coleta, técnicos de laboratório fornecem açúcares, proteínas e vitaminas de origem vegetal à cultura de gordura.

Esse material é então colocado em um cultivador, criado para imitar o crescimento natural que ocorreria no corpo de um porco.

Em duas semanas de incubação, obtém-se uma base adiposa pronta para se transformar em alimento.

Transformação em produtos cárneos

Depois de incubada, essa gordura cultivada é combinada com proteína vegetal para gerar um produto que, segundo a startup, é tecnicamente carne de verdade.

A diferença fundamental está na ausência do abate, eliminando parte significativa da crueldade presente na produção convencional.

O resultado pode ser utilizado em uma variedade de produtos tradicionais, como linguiças, salames e bacon. Segundo uma crítica publicada pelo Grist, o sabor é descrito como “carne dietética”, com notas um pouco menos intensas do que a carne suína comum, mas ainda assim com ótimo resultado final. Para muitos, o simples fato de Dawn continuar viva é um elemento importante dessa proposta.

Características e possibilidades do produto

A carne cultivada pela Mission Barns é classificada pelo Grist como “não estruturada”. Isso significa que não tenta reproduzir cortes específicos, como lombo ou pernil. O objetivo é substituir produtos que usam carne suína como base, permitindo maior liberdade criativa.

Esse formato abre espaço para explorações culinárias e de cultivo que transformam o biorreator em uma extensão da cozinha. O bacon obtido com a técnica apresenta um “bom sabor defumado de madeira de macieira”, enquanto as almôndegas são descritas como tendo uma textura “elástica” na medida certa.

Aprovação e expansão

Em março, a Mission Barns recebeu aprovação da Food and Drug Administration para operar nos Estados Unidos, tornando-se apenas a terceira empresa autorizada a comercializar células animais cultivadas em laboratório para consumo público.

Atualmente, a operação permanece pequena. O Grist relata que um pacote com oito almôndegas custa 13,99 dólares em Berkeley, Califórnia. O valor ainda é considerado alto para o consumidor médio, mas está muito distante dos cerca de 300 mil dólares que já foram cobrados por um hambúrguer de carne cultivada em laboratório no passado. A empresa planeja ampliar sua produção e vender seus biorreatores patenteados para outras empresas do setor alimentício.

Um futuro possível

Ainda não é certo se a Mission Barns será capaz de transformar o hábito de consumo de carne suína em um dos países que mais consomem proteína animal no mundo. No entanto, se a iniciativa significar que animais como Dawn possam evitar o abate industrial para atender aos desejos de consumo da sociedade, a startup acredita que o esforço valerá a pena.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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