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Avião sem piloto dos EUA quebra a barreira do som pela primeira vez e ameaça recorde que durava desde a Guerra Fria

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 01/06/2026 às 21:22 Atualizado em 01/06/2026 às 21:26
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O novo protótipo da Hermeus chegou a Mach 1,21 em voo nos Estados Unidos e reforça a ambição de levar a empresa rumo a aeronaves hipersônicas tripuladas e não tripuladas.

O lendário SR-71 Blackbird acaba de ganhar um rival mais próximo do que parecia. O protótipo não tripulado Quarterhorse Mk 2.1, da Hermeus, quebrou a barreira do som em um voo realizado em março de 2026 sobre o espaço aéreo do White Sands Missile Range, no Novo México, a partir do Spaceport America.

Na prática, o teste levou o programa a uma nova fase e reforçou a meta da empresa de construir aeronaves capazes de voar em velocidades muito acima das atuais. No voo mais recente, o Mk 2.1 atingiu Mach 1,21, marca que coloca o projeto em território supersônico e aproxima a companhia de etapas mais ambiciosas.

O avanço também chama atenção pelo ritmo. O voo ocorreu 364 dias depois do primeiro voo do Quarterhorse Mk 1, mostrando uma sequência de testes acelerada para um projeto que mira o futuro da aviação militar e comercial.

O novo salto do Quarterhorse

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Segundo o newatlas.com, o Mk 2.1 foi o mais recente passo da Hermeus na tentativa de transformar o Quarterhorse em uma plataforma capaz de superar marcas históricas do SR-71 Blackbird.

O protótipo tem porte parecido com o de um F-16 Fighting Falcon e foi projetado como parte de uma linha de desenvolvimento por etapas. A empresa não aposta em um único modelo final desde o início. A ideia é construir aeronaves sucessivas, cada uma dedicada a uma fase específica, do taxiamento aos voos supersônicos.

Essa lógica permite testar sistemas, corrigir falhas e avançar com mais rapidez antes de chegar ao objetivo maior: sustentar voos hipersônicos de forma rotineira.

O que está por trás da tecnologia da Hermeus

O coração do projeto é o sistema de propulsão Chimera, um motor do tipo TBCC, sigla em inglês para turbine-based combined-cycle. Ele combina um turbomotor convencional com um ramjet, solução pensada para fazer a transição entre velocidades subsônicas e hipersônicas.

A empresa vê o Quarterhorse como uma espécie de herdeiro tecnológico do SR-71, ainda que sem tripulação. O objetivo vai além de bater recordes: o projeto funciona como banco de testes para tecnologias que precisam operar com estabilidade em velocidades extremas.

É esse tipo de avanço que, se der certo, pode abrir caminho para aviões muito mais rápidos do que os atuais e com aplicações que ainda estão em fase de prova.

Da espionagem ao transporte hipersônico

O SR-71 Blackbird continua sendo uma referência difícil de alcançar. O avião da Guerra Fria ainda detém recordes oficiais, como a velocidade de Mach 3,32 para um jato tripulado e com motor a jato, além de marcas de altitude e de percursos específicos entre grandes cidades.

Foi justamente esse legado que a Hermeus colocou na mira. O plano da empresa inclui o desenvolvimento dos modelos Mk 2.2 e Mk 2.3, além do Darkhorse, aeronave militar não tripulada de múltiplas missões, e do Halcyon, um jato hipersônico comercial para 20 passageiros.

O avanço recente não significa que a empresa já chegou lá, mas mostra que o caminho está andando. E, em aviação avançada, cada salto de velocidade conta muito.

O recado da empresa após o voo supersônico

Após o teste, o CEO e cofundador da Hermeus, AJ Piplica, afirmou que os clientes do Departamento de Guerra estão acompanhando de perto a velocidade com que o programa avança. Ele disse ainda que o voo mostra uma execução rara na aviação moderna e que a capacidade dos EUA de entregar novas vantagens militares depende de equipes capazes de resolver desafios técnicos rapidamente.

É uma declaração que ajuda a medir a ambição do projeto. A Hermeus quer provar que consegue acelerar o desenvolvimento de aeronaves em um ritmo acima do padrão do setor, enquanto tenta transformar um protótipo experimental em base para futuras plataformas de defesa e transporte.

Por enquanto, o Quarterhorse Mk 2.1 já fez a parte mais barulhenta do recado: atravessou a barreira do som e colocou a empresa ainda mais perto de uma disputa que parecia reservada à história da aviação. Se quiser, acompanhe também os próximos passos desse projeto e veja até onde essa corrida pode ir.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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