Obra subterrânea na Austrália expõe a escala da engenharia moderna ao escavar rochas sob Sydney, conectar túneis e preparar uma nova travessia viária abaixo de um dos portos mais conhecidos do planeta.
Engenheiros na Austrália removeram cerca de 1 milhão de toneladas de rocha sob Sydney durante a construção do Western Harbour Tunnel, nova travessia rodoviária subterrânea que vai passar sob o porto da cidade.
A marca foi registrada na integração entre o túnel e a obra de ampliação da Warringah Freeway, quando uma máquina escavadora de 95 toneladas rompeu os últimos centímetros de rocha que separavam os dois projetos.
A quantidade de material escavado foi comparada pelo governo de Nova Gales do Sul ao peso de quase 7 mil baleias-azuis ou cerca de 200 mil ônibus escolares.
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A estimativa foi divulgada para dimensionar a escala da obra, realizada em ambiente subterrâneo e dependente de controle geológico, remoção de resíduos, reforço estrutural e monitoramento de vibrações.
Com 6,5 quilômetros de extensão, o Western Harbour Tunnel deve ligar a Warringah Freeway, no norte de Sydney, ao complexo WestConnex M4 e M8, em Rozelle.
A previsão oficial é que a via seja aberta ao tráfego em 2028, com o ativo mantido sob propriedade pública, segundo o governo estadual.
Escavação avança sob o porto de Sydney
A obra ocorre em uma área conhecida por marcos como a Sydney Harbour Bridge e a Opera House, mas a nova travessia está sendo construída em profundidade.
O traçado passa por trechos subterrâneos abaixo de bairros, vias expressas e áreas próximas ao porto, o que exige planejamento para reduzir interferências na superfície.
Segundo o governo de Nova Gales do Sul, esta será a primeira nova travessia rodoviária pelo porto em quase 30 anos.
A infraestrutura foi projetada para atuar como alternativa aos corredores que hoje concentram parte do tráfego entre o norte da cidade e outras regiões de Sydney, incluindo a Sydney Harbour Bridge, o Sydney Harbour Tunnel, a Anzac Bridge e o Western Distributor.
O objetivo declarado do projeto é criar uma rota subterrânea capaz de permitir que motoristas contornem o centro financeiro de Sydney.
Na prática, o túnel deve conectar corredores viários já existentes e formar um desvio a oeste do distrito central, integrando a rede de transporte da cidade.
Como a rocha é retirada no subsolo
A etapa que permitiu a ligação entre as duas frentes de obra utilizou roadheaders, equipamentos usados em escavações subterrâneas para cortar rocha de maneira controlada.
A máquina de 95 toneladas rompeu a barreira final entre o Western Harbour Tunnel e a Warringah Freeway Upgrade, marcando o primeiro encontro físico entre esses trechos.
Esse tipo de escavação envolve mais do que a abertura do caminho.
A cada avanço, equipes precisam retirar o material cortado, instalar estruturas de sustentação, avaliar as condições do maciço rochoso e adaptar o método de construção ao terreno encontrado.
Em áreas urbanas, esse processo também inclui o acompanhamento de redes subterrâneas e estruturas próximas.
Parte do projeto será executada por duas tuneladoras, conhecidas pela sigla TBM, que foram planejadas para escavar os túneis sob o porto.
De acordo com o portal oficial da obra, as máquinas estão sendo montadas em câmaras subterrâneas sob Birchgrove para iniciar a escavação sob Sydney Harbour em meados de 2026.
Tuneladoras vão escavar trecho sob a água
As tuneladoras Patyegarang e Barangaroo foram apresentadas pelo governo de Nova Gales do Sul como as maiores do Hemisfério Sul.
Elas terão a função de escavar 1,5 quilômetro de túneis rodoviários duplos entre Birchgrove e Waverton, em trechos que chegam a até 50 metros abaixo do nível do mar.
Cada equipamento tem cerca de 137 metros de comprimento e pesa mais de 4,3 mil toneladas.
As câmaras subterrâneas escavadas em Birchgrove têm 28 metros de altura e foram preparadas para permitir a montagem e o lançamento das máquinas no subsolo.
A segunda tuneladora chegou a Sydney em 21 de outubro de 2025, segundo atualização oficial do governo estadual.
A montagem ocorre em partes.
Cada TBM foi dividida em 263 componentes principais antes do transporte até as câmaras subterrâneas.
Em fevereiro de 2026, a montagem de Patyegarang estava 45% concluída, enquanto Barangaroo havia chegado a 20%.
A cabeça de corte de Patyegarang, com 15,7 metros de diâmetro, pesa 462 toneladas.
Quando entrarem em operação, as tuneladoras devem funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana, com até 40 trabalhadores em cada máquina.
Os túneis serão revestidos com cerca de 13 mil segmentos pré-moldados de concreto produzidos em uma instalação especializada no oeste de Sydney.
Projeto busca redistribuir o tráfego em Sydney
O porto de Sydney é um ponto central da rede viária da cidade.
A ponte e o túnel já existentes concentram parte relevante dos deslocamentos entre o norte e outras regiões, especialmente nos horários de maior movimento.
O Western Harbour Tunnel foi incluído no planejamento de infraestrutura para ampliar a capacidade de travessia e reduzir a pressão sobre corredores já usados pelos motoristas.
As estimativas oficiais indicam economia de até 20 minutos em viagens entre Sydney Olympic Park e North Sydney, além de redução semelhante entre Leichhardt e North Sydney.
Para o trajeto de North Sydney ao Aeroporto Internacional Kingsford Smith, a previsão divulgada é de até 15 minutos a menos.
Também segundo o governo estadual, a operação do túnel poderá reduzir o tráfego no Western Distributor em 35%, no Sydney Harbour Tunnel em 20% e na Sydney Harbour Bridge em 17%.
Esses percentuais são projeções oficiais e dependem do comportamento dos motoristas após a abertura da via.
A Warringah Freeway Upgrade, iniciada em meados de 2021, prepara a conexão do túnel com a superfície em uma das vias mais movimentadas da Austrália.
O pacote de obras inclui novas pontes, rampas, passagens inferiores e uma faixa exclusiva de ônibus em direção ao centro de Sydney.
Em março de 2025, o avanço informado pelo governo era superior a 70%, com conclusão prevista para o fim de 2026.
Obra ocorre com tráfego em funcionamento
A execução da Warringah Freeway Upgrade exige intervenções em uma via que continua recebendo veículos durante a construção.
Por isso, as equipes trabalham com mudanças temporárias de tráfego, implantação de novas faixas, construção de estruturas elevadas e adaptação de acessos enquanto a circulação é mantida.
A ministra de Estradas de Nova Gales do Sul, Jenny Aitchison, comparou a modernização da Warringah Freeway a “fazer uma cirurgia de coração aberto enquanto se tenta correr uma maratona”.
A declaração foi feita para descrever a complexidade de construir novas pistas, pontes, viadutos e rampas em meio ao tráfego ativo.
O primeiro-ministro estadual Chris Minns também comentou a ligação entre as frentes de obra.
“Pela primeira vez, há luz neste fim do Western Harbour Tunnel, literalmente”, afirmou.
Ele disse ainda que o rompimento da rocha representou um momento significativo para dois projetos classificados pelo governo como complexos.
Atualizações posteriores indicam que a escavação continuou avançando.
Em fevereiro de 2026, o governo de Nova Gales do Sul informou que a escavação total do Western Harbour Tunnel estava 76% concluída.
Uma atualização comunitária de janeiro de 2026 também registrava avanço de roadheaders sob Waverton Park, na região de Waverton.
A infraestrutura subterrânea inclui outros sistemas além da abertura dos túneis.
O projeto prevê ventilação, iluminação, drenagem, sinalização, pavimentação, equipamentos de segurança, sistemas elétricos, estruturas de monitoramento de tráfego e tecnologia para operação da via após a abertura.
As obras do Western Harbour Tunnel e da Warringah Freeway Upgrade devem apoiar cerca de 7.500 empregos equivalentes em tempo integral durante a construção, conforme estimativa divulgada pelo governo estadual.
A execução envolve escavação, transporte de material, fabricação de peças de concreto, montagem de máquinas, obras viárias e instalação de sistemas operacionais.
Com a expansão de túneis, metrôs e vias subterrâneas em grandes centros urbanos, o caso de Sydney mostra como a engenharia passou a usar o subsolo para reorganizar fluxos de transporte onde há pouco espaço disponível na superfície.


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