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Austrália cerca 10.000 km de aterros e usinas de reciclagem com redes capazes de suportar ventos de até 100 km por hora para impedir que sacolas e plásticos escapem, atinjam fazendas, rodovias e habitats naturais e aumentem o risco para animais e ecossistemas

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 24/03/2026 às 21:23
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Com 20,5 milhões de toneladas enviadas a aterros em um único período, a Austrália recorre a mais de 10.000 km de cercas especiais para travar resíduos no ponto mais crítico, antes que o vento espalhe plástico sobre estradas, granjas e áreas naturais.

A Austrália ampliou uma solução discreta, mas de efeito direto sobre o ambiente. Já são mais de 10 mil quilômetros de cercas especiais ao redor de aterros e unidades de reciclagem para impedir que sacolas, embalagens e plásticos escapem com o vento.

O impacto vai muito além do visual. Esse bloqueio reduz a chegada de resíduos a rodovias, propriedades rurais e habitats naturais, o que diminui o risco para animais silvestres, rebanhos e áreas produtivas.

Resíduos levados pelo vento atingem campos e fauna

Em dias de vento forte, o problema fica evidente nas bordas dos aterros. Sacolas presas em árvores, embalagens espalhadas nas margens das vias e plásticos avançando sobre áreas de pasto mostram como o lixo pode sair rapidamente do controle.

Quando esse material alcança regiões de criação animal ou espaços de preservação, o dano deixa de ser apenas ambiental. O risco passa a envolver ingestão de resíduos, sufocamento e contaminação de áreas usadas para produção de alimentos.

Estruturas suportam ventos de até 100 km por hora

Rede de contenção instalada ao redor de um aterro na Austrália para impedir que o lixo levado pelo vento alcance campos, estradas e áreas naturais.

As cercas usam postes fixados com profundidade e malhas preparadas para aguentar rajadas de até 100 km por hora. Em áreas abertas, onde o vento ganha força com facilidade, essa resistência se torna essencial para manter a contenção funcionando.

O desenho da malha muda conforme o tipo de operação. Nos aterros, as aberturas ficam em torno de 40 milímetros, o bastante para reter sacolas e embalagens leves. Já nas centrais de reciclagem, a trama é mais fechada para segurar fragmentos menores e fibras sintéticas.

País enviou 20,5 milhões de toneladas a aterros

A dimensão do desafio ajuda a explicar o avanço dessas barreiras. Segundo Australian Bureau of Statistics, órgão oficial de estatísticas do país, entre 2018 e 2019 a Austrália destinou 20,5 milhões de toneladas de resíduos a aterros, volume próximo de um quarto de toda a geração de lixo no período.

Com esse volume concentrado em grandes áreas de descarte, a contenção física ganha importância imediata. O objetivo não é eliminar o resíduo na origem, mas impedir que parte dele se espalhe para lavouras, estradas e zonas de fauna.

Redes também avançam sobre drenagem urbana em Kwinana

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A lógica das barreiras já começou a sair do entorno dos aterros. Em Kwinana, na Austrália Ocidental, redes foram instaladas na saída de galerias de águas pluviais para impedir que o lixo carregado pela chuva chegasse a uma reserva natural próxima.

Nos primeiros meses, o sistema recolheu cerca de 370 quilos de resíduos em duas tubulações de grande porte. Com a ampliação do programa, cinco redes passaram a interceptar mais de 3,6 toneladas de detritos antes que eles alcançassem parques e áreas úmidas.

Solução segura, mas longe de resolver tudo

As cercas ajudam a travar o avanço do lixo no momento mais crítico, quando o vento tenta arrancar os resíduos para fora do perímetro. Ainda assim, elas não substituem políticas de redução de descarte, reciclagem mais eficiente e embalagens menos agressivas ao ambiente.

O próximo passo envolve aumentar a durabilidade dessas malhas e melhorar o monitoramento dos pontos de maior acúmulo. A ideia é tornar a contenção mais precisa sem transformar a própria estrutura em novo passivo ambiental.

Efeito imediato chega ao campo e às cidades

Cada embalagem retida antes de sair do aterro representa menos pressão sobre a fauna, menos sujeira em áreas produtivas e menor chance de resíduos atingirem cursos de água ou espaços públicos. É uma proteção simples, mas com efeito direto sobre quem vive perto dessas instalações.

Ao mesmo tempo, a expansão dessa rede escancara o tamanho do problema. Se milhares de quilômetros de contenção se tornaram necessários, o volume de descartáveis em circulação já ultrapassou o limite do aceitável e muda a leitura estratégica.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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