1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Até 50 mil litros de água doce por dia direto do oceano: boias de dessalinização movidas por ondas desafiam usinas tradicionais ao usar a pressão do próprio mar para transformar água salgada em água potável sem depender de energia elétrica em terra
Faça um comentário 7 min de leitura

Até 50 mil litros de água doce por dia direto do oceano: boias de dessalinização movidas por ondas desafiam usinas tradicionais ao usar a pressão do próprio mar para transformar água salgada em água potável sem depender de energia elétrica em terra

Imagem de perfil do autor Valdemar Medeiros
Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 08/05/2026 às 11:44 Atualizado em 09/05/2026 às 19:14
Assista o vídeoAté 50 mil litros de água doce por dia direto do oceano: boias de dessalinização movidas por ondas desafiam usinas tradicionais ao usar a pressão do próprio mar para transformar água salgada em água potável sem depender de energia elétrica em terra
Foto: Divulgação/Oneka
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
77 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Sistema flutuante usa força das ondas para dessalinizar água do mar e produzir até 50 mil litros de água doce por dia sem rede elétrica.

Enquanto países investem bilhões em usinas de dessalinização construídas em terra firme, a canadense Oneka Technologies, de Sherbrooke, decidiu testar um caminho diferente para produzir água potável no oceano. Em vez de depender de grandes instalações industriais alimentadas por eletricidade convencional, a empresa desenvolveu boias flutuantes que usam a energia das ondas para pressurizar a água do mar e transformá-la em água doce, tecnologia descrita pela própria Oneka como um sistema de dessalinização movido pelo movimento natural do oceano.

O projeto ganhou força na Califórnia com a parceria entre a empresa e a cidade de Fort Bragg, apresentada em 23 de julho de 2023 como o primeiro local de demonstração de dessalinização por ondas no estado.

O sistema usa uma plataforma Iceberg-class desalination buoy, instalada diretamente no mar, capaz de produzir em média 13.200 galões de água doce por dia, o equivalente a aproximadamente 50 mil litros diários, segundo o projeto-piloto da cidade de Fort Bragg e a carta técnica do órgão ambiental da Califórnia publicada em 29 de agosto de 2025. O diferencial mais importante é que a boia reduz a dependência de eletricidade terrestre no processo de dessalinização, usando a força constante das ondas para bombear e pressurizar a água salgada, em um teste de 12 meses que pode indicar se esse modelo flutuante tem escala para reforçar o abastecimento de comunidades costeiras vulneráveis à seca.

Boias de dessalinização usam a própria força do oceano para produzir água doce

O funcionamento das boias da Oneka se baseia em um princípio relativamente simples, mas pouco explorado em larga escala. Em vez de usar motores elétricos gigantes para empurrar água do mar através de membranas industriais, o sistema utiliza o movimento natural das ondas para gerar pressão hidráulica.

Quando as ondas movimentam a boia para cima e para baixo, mecanismos internos convertem esse deslocamento mecânico em energia de bombeamento. Essa pressão força a água salgada a passar por membranas de osmose reversa, separando o sal e produzindo água doce pronta para distribuição.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

O próprio oceano fornece simultaneamente a matéria-prima e a energia necessária para o processo, eliminando parte da infraestrutura elétrica normalmente exigida pelas grandes usinas de dessalinização instaladas em terra firme.

Sistema flutuante consegue produzir até 50 mil litros por dia

Segundo os dados divulgados pela empresa e pelas autoridades locais da Califórnia, a boia Iceberg-class possui capacidade estimada de aproximadamente 13.200 galões diários de água dessalinizada. Convertendo os números, isso representa cerca de 50 mil litros de água doce produzidos por dia em condições ideais de operação.

Embora esse volume ainda seja muito menor do que grandes usinas industriais do Oriente Médio, ele já seria suficiente para abastecer pequenas comunidades costeiras, instalações isoladas ou regiões vulneráveis à escassez hídrica.

Até 50 mil litros de água doce por dia direto do oceano: boias de dessalinização movidas por ondas desafiam usinas tradicionais ao usar a pressão do próprio mar para transformar água salgada em água potável sem depender de energia elétrica em terra
Foto: Divulgação/Oneka

Além disso, a Oneka trabalha com conceito modular. Isso significa que várias boias podem operar juntas formando verdadeiras “fazendas flutuantes de dessalinização”. A ideia é ampliar produção apenas adicionando novas unidades ao sistema marítimo sem necessidade de construir enormes plantas industriais em terra.

Tecnologia tenta reduzir enorme consumo energético da dessalinização tradicional

Hoje, a dessalinização convencional depende principalmente de sistemas de osmose reversa alimentados por eletricidade em larga escala. Em muitos países, essas usinas representam um dos maiores consumidores de energia dentro da infraestrutura hídrica nacional.

O processo exige bombas extremamente potentes para gerar pressão suficiente capaz de forçar água salgada através de membranas microscópicas. Isso faz com que produção de água dessalinizada continue relativamente cara em muitos lugares do mundo.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A proposta da Oneka tenta justamente atacar esse problema. Ao usar energia mecânica das ondas em vez de eletricidade terrestre, a empresa busca reduzir drasticamente custos operacionais e pegada energética da produção de água potável.

Boias ficam instaladas diretamente no oceano sem ocupar áreas costeiras gigantes

Outro diferencial importante envolve localização da infraestrutura. Usinas tradicionais normalmente ocupam enormes áreas costeiras e exigem obras complexas de captação e descarte de água.

As boias da Oneka operam diretamente no mar, reduzindo necessidade de grandes estruturas terrestres. A água dessalinizada pode ser enviada para terra através de tubulações submarinas relativamente compactas.

Segundo a empresa, isso reduz impacto visual e simplifica parte do licenciamento costeiro. O sistema também foi projetado para suportar condições marítimas severas e operar continuamente em mar aberto.

Na prática, o projeto tenta transformar partes do oceano em estações autônomas de produção de água doce espalhadas pela costa.

Sistema usa osmose reversa como grandes usinas industriais

Apesar do formato inovador, a tecnologia central de dessalinização continua sendo a osmose reversa. O processo utiliza membranas especiais capazes de bloquear moléculas de sal enquanto permitem passagem da água.

A grande diferença está na origem da pressão hidráulica. Em vez de motores elétricos industriais, a pressão vem diretamente do movimento mecânico das ondas oceânicas.

Até 50 mil litros de água doce por dia direto do oceano: boias de dessalinização movidas por ondas desafiam usinas tradicionais ao usar a pressão do próprio mar para transformar água salgada em água potável sem depender de energia elétrica em terra
Foto: Divulgação/Oneka

Segundo a Oneka, isso permite combinar tecnologia já consolidada de dessalinização com uma fonte energética renovável praticamente contínua em regiões costeiras.

O sistema tenta unir engenharia oceânica e dessalinização em uma única infraestrutura flutuante de baixo consumo energético.

Califórnia virou laboratório para nova geração de dessalinização marítima

Os testes da Iceberg-class começaram a chamar atenção especialmente na Califórnia devido à pressão hídrica crescente enfrentada pelo estado nos últimos anos. Secas prolongadas e aumento populacional fizeram autoridades locais buscarem alternativas para reforçar abastecimento de água.

Segundo a Mendocino Voice, o sistema começou a ser testado próximo da cidade de Fort Bragg em um projeto-piloto de aproximadamente 12 meses. O objetivo é avaliar desempenho real da tecnologia em condições oceânicas contínuas.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A Califórnia já opera algumas das maiores usinas de dessalinização dos Estados Unidos. Mesmo assim, novas soluções continuam sendo estudadas devido ao crescimento da demanda hídrica no estado.

O teste transformou a costa californiana em um laboratório real para sistemas de dessalinização movidos pelas próprias ondas do mar.

Dessalinização virou prioridade estratégica em várias partes do planeta

O avanço da escassez hídrica fez a dessalinização ganhar importância estratégica crescente nas últimas décadas. Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Israel já dependem fortemente da água do mar transformada em água potável.

Em algumas regiões do Oriente Médio, grande parte do abastecimento urbano já vem de usinas de dessalinização. O problema continua sendo custo energético elevado e necessidade de infraestrutura gigantesca.

Isso impulsionou uma corrida internacional por modelos mais baratos, eficientes e sustentáveis. As boias da Oneka aparecem justamente dentro dessa nova geração de tecnologias que tentam reinventar a produção global de água doce.

Ondas do oceano podem virar fonte energética invisível para água potável

Os oceanos armazenam enorme quantidade de energia mecânica na forma de ondas contínuas. Durante décadas, engenheiros tentaram transformar esse movimento em eletricidade ou força hidráulica utilizável.

A Oneka decidiu aplicar esse conceito diretamente na produção de água potável. Em vez de converter ondas em eletricidade primeiro, o sistema utiliza o movimento marítimo diretamente para pressurizar água salgada.

Isso reduz perdas energéticas intermediárias e simplifica parte da infraestrutura. A própria movimentação natural do mar passa a funcionar como “motor invisível” da dessalinização flutuante.

Projeto mostra como infraestrutura hídrica pode migrar para o oceano

Grande parte da infraestrutura moderna de água foi construída em terra firme. Reservatórios, estações de bombeamento e usinas ocupam enormes áreas urbanas e industriais.

As boias da Oneka apontam para uma possibilidade diferente: deslocar parte da produção hídrica diretamente para o oceano usando estruturas autônomas e descentralizadas.

Até 50 mil litros de água doce por dia direto do oceano: boias de dessalinização movidas por ondas desafiam usinas tradicionais ao usar a pressão do próprio mar para transformar água salgada em água potável sem depender de energia elétrica em terra
Foto: Divulgação/Oneka

Se sistemas desse tipo evoluírem, regiões costeiras poderão futuramente operar redes inteiras de plataformas flutuantes produzindo água doce continuamente.

O projeto canadense sugere que o oceano talvez deixe de ser apenas fonte de água salgada e passe a funcionar como plataforma ativa de produção hídrica global nas próximas décadas.

Diante desse tipo de tecnologia, você acredita que sistemas flutuantes movidos por ondas poderão competir com grandes usinas de dessalinização tradicionais no futuro, ou as megaestruturas em terra continuarão dominando a produção mundial de água potável?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x