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A chuva de meteoros Perseidas, formada por detritos do cometa Swift-Tuttle, vai cruzar o céu em 12 e 13 de agosto com até 100 rastros de luz por hora, Lua Nova e uma das melhores noites em anos para observar “estrelas cadentes” longe das cidades

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 01/05/2026 às 11:10
Atualizado em 01/05/2026 às 11:15
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Perseidas de 2026 terão pico na noite de 12 para 13 de agosto com Lua Nova, céu escuro e até 100 meteoros por hora.

Segundo a American Meteor Society, o pico das Perseidas de 2026 ocorrerá na noite de 12 para 13 de agosto com a Lua em fase zero, 0% de iluminação e completamente ausente do céu. É a condição mais favorável possível para qualquer chuva de meteoros, porque o principal inimigo do observador amador não é apenas a nebulosidade ou a distância da cidade, mas também a luz lunar.

Quando a Lua está fora do céu, meteoros que normalmente desapareceriam no brilho difuso do satélite tornam-se visíveis: os mais fracos, os mais rápidos e as trilhas que duram segundos depois da passagem. Em 2026, a Lua será nova em 12 de agosto, o que cria condições excelentes para observar a chuva no auge.

A combinação de taxa de até 100 meteoros por hora com céu completamente escuro coloca as Perseidas de 2026 em uma categoria que astrônomos descrevem como evento de uma geração, não porque o fenômeno seja raro, mas porque as condições para vê-lo bem raramente se alinham dessa forma.

Cometa Swift-Tuttle deixou o rastro de detritos que cria as Perseidas todos os anos em agosto

As Perseidas não são criadas por um cometa em atividade passando pela Terra naquele momento. Elas são produzidas por um rastro de detritos que esse cometa deixou ao longo de milênios de órbitas ao redor do Sol. O responsável pelo fenômeno é o cometa 109P/Swift-Tuttle, um objeto de aproximadamente 26 quilômetros de diâmetro em órbita elíptica.

O Swift-Tuttle leva 133 anos para completar uma volta ao redor do Sol. A última passagem próxima à Terra ocorreu em 1992, e a previsão é que ele retorne em 2126. Quem está vivo hoje não verá o cometa em si, mas pode ver seus rastros todo mês de agosto, quando a Terra cruza a corrente de partículas deixada em passagens anteriores.

Toda vez que o Swift-Tuttle se aproxima do Sol, o calor solar sublima parte do gelo da superfície, liberando gás e arrancando partículas sólidas, como grãos de poeira, fragmentos de rocha e pedaços de gelo. Ao longo de séculos, esse material se espalhou pela órbita do cometa, formando uma corrente difusa que a Terra cruza anualmente entre 17 de julho e 24 de agosto, com pico em torno de 12 e 13 de agosto.

Poeira do Swift-Tuttle atinge a atmosfera a 59 km/s e vira trilha luminosa a até 100 km de altitude

Quando a Terra entra nessa corrente de detritos, as partículas atingem a atmosfera a velocidades de aproximadamente 59 quilômetros por segundo, quase 210 mil quilômetros por hora. A essa velocidade, até grãos menores que um milímetro liberam energia suficiente para produzir trilhas de luz visíveis a olho nu.

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A colisão ocorre entre 70 e 100 quilômetros de altitude. O que chamamos de “estrela cadente” é a incandescência desse grão se vaporizando completamente em menos de um segundo, deixando uma trilha de gás ionizado que pode brilhar por frações de segundo ou por alguns segundos adicionais, dependendo do tamanho da partícula.

O primeiro registro conhecido das Perseidas vem de um manuscrito chinês escrito no ano 36 d.C. Em Roma, o fenômeno ficou associado à festa de São Lourenço, mártir cristão executado em 10 de agosto de 258 d.C., por isso a chuva passou a ser conhecida como “lágrimas de São Lourenço”. A ligação das Perseidas com o cometa Swift-Tuttle foi feita pelo astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli em 1866.

Lua Nova muda tudo na observação das Perseidas e permite ver meteoros que normalmente seriam apagados

A diferença que a fase lunar faz na observação de uma chuva de meteoros é enorme. A analogia mais direta é tentar ver estrelas com um holofote aceso por perto ou observá-las no escuro total. A Lua cheia tem magnitude aparente de aproximadamente -12,7, mais de 400 mil vezes mais brilhante que Sírius, a estrela mais brilhante do céu noturno.

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Quando a Lua está presente, sua luz difusa eleva o brilho do fundo do céu e apaga meteoros mais fracos. Na prática, numa noite com Lua cheia, o observador tende a ver apenas os meteoros mais brilhantes, aqueles com magnitude aparente próxima de -1 ou superior.

A maioria dos meteoros das Perseidas, porém, tem magnitude entre +2 e +5, visível em céu escuro, mas apagada pela iluminação lunar.

Com Lua Nova e céu escuro, a taxa observável muda drasticamente. As Perseidas têm taxa horária zenital de 100 meteoros e velocidade de 59 km/s.

Em uma área de baixa poluição luminosa, como sítio rural, parque afastado ou reserva de céu escuro, um observador pode esperar ver entre 50 e 100 meteoros por hora no pico. Sob céus excepcionalmente limpos, observadores experientes podem registrar taxas ainda maiores.

Observação das Perseidas no Brasil é limitada pelo radiante baixo, mas 2026 terá céu escuro favorável

As Perseidas são melhor observadas em latitudes médias do hemisfério norte. O radiante, ponto do céu de onde os meteoros parecem emanar, fica na constelação de Perseu, em declinação de cerca de +58 graus norte.

Para um observador no Rio de Janeiro, em latitude próxima de 23 graus sul, isso significa que Perseu mal sobe acima do horizonte norte durante a noite de pico.

Isso não torna a observação impossível no Brasil, mas reduz a taxa efetiva de meteoros visíveis. Meteoros das Perseidas podem aparecer em qualquer parte do céu, não apenas na direção do radiante. As condições de Lua Nova em 2026 compensam parcialmente essa desvantagem geográfica, especialmente para observadores no Norte e no Nordeste, em locais com céu escuro e horizonte norte livre.

Para observadores no hemisfério norte, incluindo brasileiros que estiverem na Europa, nos Estados Unidos ou no Canadá, as condições serão excepcionais. O pico amplo das Perseidas de 2026 deve se estender de 21h GMT do dia 12 até 9h GMT do dia 13, com maiores taxas esperadas entre 2h e 4h GMT do dia 13.

Eclipse solar total e Perseidas no mesmo dia tornam 12 de agosto de 2026 uma data astronômica rara

As Perseidas de 2026 não ocorrem isoladas no calendário astronômico. Elas coincidem, na mesma data de 12 de agosto, com o eclipse solar total que percorrerá o Ártico, a Groenlândia, a Islândia e o Oceano Atlântico antes de terminar na Espanha. O eclipse ocorrerá durante o dia, enquanto as Perseidas serão visíveis à noite.

Para observadores na faixa de totalidade, especialmente na Espanha, o dia 12 de agosto de 2026 oferecerá dois fenômenos astronômicos em sequência: o eclipse solar total e, depois, a chuva de meteoros no céu escuro da madrugada. É um acidente de calendário astronômico que não deve se repetir nessa combinação por mais de 150 anos.

A razão é geométrica. Eclipses solares totais ocorrem durante a Lua Nova, e Lua Nova é exatamente a condição que deixa as Perseidas mais visíveis à noite. A mesma Lua que bloqueia o Sol durante o eclipse será a Lua ausente do céu noturno, permitindo que os meteoros brilhem sem interferência horas depois.

A física das Perseidas transforma grãos menores que uma ervilha em luz visível no céu

Cada meteoro das Perseidas começa como um grão de poeira ou fragmento de rocha deixado pelo Swift-Tuttle. A maioria tem entre 1 milímetro e 1 centímetro de diâmetro, menor que uma ervilha. Alguns fragmentos maiores produzem bólidos, meteoros excepcionalmente brilhantes que podem iluminar o campo por frações de segundo, deixar trilhas persistentes e até se fragmentar durante a queda.

O brilho não vem exatamente de combustão, mas da colisão em altíssima velocidade. A 59 km/s, a partícula comprime o ar à frente mais rapidamente do que ele consegue se dispersar, criando uma onda de choque que aquece o gás a temperaturas de milhares de graus. Esse gás ioniza e emite luz, como em um anúncio de néon, mas produzido por impacto cinético em vez de descarga elétrica.

As cores variam conforme a composição química das partículas e do ar. Sódio produz amarelo, magnésio produz verde-azulado, cálcio produz violeta e oxigênio ionizado produz vermelho. As Perseidas frequentemente exibem trilhas esverdeadas, associadas à composição mineral do material do Swift-Tuttle.

Como observar as Perseidas de 2026 sem telescópio, sem binóculo e com máxima chance de ver meteoros

A orientação para observar as Perseidas é simples. Nenhum equipamento é necessário. Telescópio ou binóculo atrapalham, porque reduzem o campo de visão e fazem o observador perder meteoros que podem aparecer em qualquer parte do céu. A única tecnologia necessária são os próprios olhos e tempo suficiente para se adaptar ao escuro.

A adaptação visual leva cerca de 20 minutos. As células fotorreceptoras chamadas bastonetes, responsáveis pela visão noturna, precisam desse período para atingir sensibilidade máxima. Qualquer luz forte, como tela de celular, farol de carro ou lanterna, reinicia esse processo. Em uma área de baixa poluição luminosa, essa diferença pode separar uma noite com poucos meteoros de uma noite com dezenas deles.

A janela ideal de observação vai do anoitecer ao amanhecer, com melhores chances depois da meia-noite, quando o céu fica mais escuro e o radiante sobe mais.

Deitar no chão olhando para o zênite, o ponto diretamente acima da cabeça, maximiza a área visível do céu sem esforço no pescoço. Uma manta, uma cadeira de camping, roupas adequadas para a madrugada e paciência serão mais úteis que qualquer instrumento óptico.

O Swift-Tuttle estará a bilhões de quilômetros de distância, em uma órbita que o trará de volta apenas em 2126. Mas o rastro que ele deixou ao longo de milênios cruzará a órbita da Terra na noite de 12 para 13 de agosto, como faz todos os anos desde registros humanos antigos. Em 2026, a diferença é que o céu estará sem Lua, e isso pode transformar uma chuva anual em um dos espetáculos astronômicos mais limpos da década.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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