A descoberta mais intrigante do século: duas câmaras ocultas foram encontradas na pirâmide de Miquerinos, e arqueólogos acreditam que há uma entrada secreta
Durante séculos, as pirâmides do Egito foram símbolo de mistério, e agora uma nova descoberta reacende o debate sobre o que realmente se esconde em seu interior. Uma equipe internacional de cientistas detectou duas cavidades ocultas no lado leste da pirâmide de Miquerinos, uma das três estruturas monumentais do planalto de Gizé. Os resultados, publicados recentemente na revista NDT & E International, sugerem que pode existir uma segunda entrada ainda desconhecida no monumento.
Uma descoberta que desafia a história conhecida
A pirâmide de Miquerinos, construída durante o reinado do faraó Micerino (entre 2490 e 2472 a.C.), é a menor das três principais pirâmides de Gizé, com altura original de cerca de 65 metros. Até hoje, acreditava-se que havia apenas uma entrada, localizada na face norte, como ocorre na maioria das pirâmides do Antigo Império. No entanto, a descoberta de dois vazios alinhados no lado leste pode mudar a compreensão de sua estrutura interna.
Os pesquisadores observaram que nessa região existem blocos de pedra polidos com uma precisão incomum, algo que chamou a atenção há décadas. “As pedras apresentam um acabamento extremamente fino em uma área de quatro metros de altura por seis de largura. Esse tipo de trabalho só aparece nas zonas de acesso conhecidas da pirâmide”, explicaram os membros da equipe de pesquisa da Universidade do Cairo e da Universidade Técnica de Munique.
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Três tecnologias revelaram o que os olhos não veem
Para verificar se por trás desses blocos havia uma câmara ou passagem escondida, o grupo aplicou uma combinação de técnicas avançadas de prospecção não invasiva: resistividade elétrica, radar de penetração no solo (GPR) e ultrassom. Esses métodos permitem analisar o subsolo e as estruturas internas sem danificar as pedras originais.
Os resultados foram surpreendentes. As medições indicaram a presença de duas cavidades muito próximas entre si, uma situada a 1,4 metro atrás da superfície leste e outra a 1,13 metro, o que sugere um possível corredor ou câmara selada. Embora ainda seja necessário realizar mais testes, os pesquisadores acreditam que os dados apontam para uma anormalidade arquitetônica intencional, possivelmente projetada como uma entrada secundária ou câmara ritual.
Um mistério que pode reescrever a arqueologia egípcia

A descoberta se relaciona a uma hipótese apresentada em 2019 pelo pesquisador independente Stijn van den Hoven, que sugeriu que os blocos polidos poderiam esconder um acesso alternativo. Sua teoria foi publicada na plataforma Academia.edu e posteriormente confirmada como plausível pelas novas análises de campo.
Peter Der Manuelian, professor de egiptologia na Universidade de Harvard, destacou que se trata de um avanço relevante no estudo das pirâmides. “É uma descoberta muito interessante que mostra que ainda temos muito a aprender sobre as construções de Gizé”, declarou. Segundo ele, embora a maioria das entradas do Antigo Império se localize na face norte, não se pode descartar que os construtores de Miquerinos tenham experimentado com projetos alternativos ou adições simbólicas.
A descoberta faz parte do projeto Scan Pyramids, uma iniciativa conjunta entre o Egito e a Alemanha que utiliza tecnologia de sensoriamento remoto para desvendar os segredos das pirâmides sem a necessidade de escavações invasivas. Nos últimos anos, o mesmo programa identificou vazios estruturais na Grande Pirâmide de Gizé, o que confirma que ainda existem áreas não exploradas mesmo nos monumentos mais estudados do planeta.
Se futuras investigações confirmarem a existência de uma entrada oculta, poderá se tratar de uma das descobertas arqueológicas mais significativas do século XXI, capaz de mudar a compreensão sobre a engenharia, a simbologia e as técnicas construtivas dos antigos egípcios.
