Antigo “zoológico” de 3 mil anos encontrado na China revela que elites mantinham animais selvagens vivos para rituais.
O que parecia apenas um conjunto de ossos antigos está ajudando arqueólogos a compreender como animais selvagens eram usados como símbolos de poder na China antiga.
Pesquisadores identificaram vestígios do que pode ser classificado como um antigo “zoológico” com cerca de 3 mil anos, onde diferentes espécies eram mantidas vivas antes de serem utilizadas em rituais.
A descoberta foi feita por cientistas da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS) e divulgada em janeiro de 2026.
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Animais selvagens como instrumento de prestígio e controle
De acordo com os pesquisadores, manter animais selvagens em cativeiro exigia conhecimento, mão de obra e recursos.
Por isso, a prática estava restrita às elites da China. O controle dessas espécies não tinha apenas função prática, mas também simbólica, reforçando hierarquias sociais e autoridade política.
Essa interpretação surge a partir da organização do local e dos objetos encontrados junto aos restos mortais.
Um dos principais sinais de cativeiro é a presença de 29 sinos de bronze encontrados dentro das fossas.
Alguns deles estavam posicionados próximos ao pescoço dos animais, o que indica que eram usados enquanto eles ainda estavam vivos.
Esses sinos provavelmente serviam para monitorar os movimentos dos animais, funcionando como instrumentos de manejo.
A arqueóloga Niu Shishan, da CASS, afirmou à mídia local que os vestígios não indicam caça imediata.
“Esses animais não eram caçados. Eles eram mantidos vivos como ‘criaturas exóticas’, controladas pelas elites”, explicou.
Segundo a pesquisadora, essa prática reforça a ideia de um espaço semelhante a um zoológico primitivo.
Espécies variadas reforçam hipótese de cativeiro
Os fósseis recuperados pertencem a mamíferos de grande e médio porte, além de aves. Entre as espécies identificadas estão tigres, leopardos, lobos, raposas, veados, javalis e búfalos-d’água asiáticos.
Também foram encontrados restos de aves como cisnes, garças e gansos. A variedade sugere captura em diferentes ambientes, o que dificilmente ocorreria em uma única caçada.
Após serem mantidos em cativeiro, os animais provavelmente eram utilizados em sacrifícios cerimoniais, prática comum entre as elites da Antiguidade da China.
Esses rituais tinham forte valor religioso e político, além de reforçarem o status social de quem os realizava.
Os pesquisadores acreditam que as fossas encontradas eram destinadas a esse tipo de uso.

Onde e como a descoberta foi feita
O conjunto arqueológico foi encontrado em Yin Xu, um importante sítio histórico localizado na província de Henan, na região central da China.
O local foi escavado entre 2023 e 2024, em uma área de aproximadamente 1.240 metros quadrados.
Durante os trabalhos, foram identificadas 19 fossas de sacrifício de pequeno e médio porte, segundo informações da revista chinesa Sixth Tone.
Ligação com a Dinastia Shang
Yin Xu foi uma antiga capital da Dinastia Shang, que governou partes da China entre 1600 a.C. e 1046 a.C..
Esse período é conhecido por seus rituais complexos e pelo uso intensivo do bronze, o que ajuda a contextualizar a presença dos sinos encontrados nas fossas. Além do aspecto cultural, os restos animais também têm valor científico.
Segundo Niu Shishan, a diversidade de espécies pode fornecer dados sobre o clima e os ecossistemas da região há cerca de três mil anos.
Essas informações ajudam a reconstruir o ambiente natural do final do período Shang.
A descoberta do antigo “zoológico” de 3 mil anos mostra que sociedades antigas já possuíam formas sofisticadas de controlar animais selvagens.
O achado amplia o entendimento sobre poder, religião e meio ambiente na China antiga e abre caminho para novas pesquisas arqueológicas.
