Governo argentino inicia negociações com a Naval Group para adquirir submarinos baseados na Classe Riachuelo, apostando em modernizar sua frota naval.
A Argentina deu um importante passo para modernizar sua frota submarina. Durante uma visita oficial à França, liderada pelo ministro da Defesa Luis Petri e pelo chefe da Armada, VL Carlos Allievi, foi assinada uma Carta de Intenção (LOI) com a Naval Group para a possível construção de três submarinos Classe Riachuelo. O documento, apesar de não ser vinculante, sinaliza o desejo argentino de avançar nas negociações e buscar um acordo definitivo.
Por que submarinos Classe Riachuelo?
Os submarinos Classe Riachuelo, uma derivação do modelo Scorpène adaptada ao Brasil, foram escolhidos pela Argentina devido às condições similares dos ambientes operacionais entre os dois países. A autonomia impressionante de 18.500 km e as características ideais para missões de longo alcance tornam esse modelo a opção perfeita para as necessidades da Armada Argentina.

Além disso, o modelo destaca-se pelo design hidrodinâmico, que aumenta a velocidade, e pela capacidade de operar submerso por até 70 dias. Com dimensões maiores do que o Scorpène original, os submarinos da Classe Riachuelo terão 71,6 metros de comprimento, deslocamento submerso de 1.870 toneladas e sistema de propulsão diesel-elétrico que equilibra alcance e sigilo.
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Custos e produção
Cada unidade dos submarinos Classe Riachuelo está avaliada em 700 milhões de dólares, e o tempo estimado para construção varia entre seis e sete anos. A produção pode ocorrer totalmente na França ou ter partes fabricadas na Argentina, mas o Brasil não participará do processo, apesar de o modelo ser uma adaptação brasileira.
O projeto ainda enfrenta um obstáculo: o orçamento limitado do país. Para resolver essa questão, o presidente Javier Milei apresentou o Projeto de Orçamento 2025, que prevê um crédito plurianual de 2,31 bilhões de dólares. Caso aprovado, esse montante permitirá financiar a construção dos três submarinos e recuperar a capacidade submarina perdida após o naufrágio do ARA San Juan, em 2017.
Tecnologia de ponta
Os submarinos Classe Riachuelo prometem ser uma revolução tecnológica para a Argentina. Equipados com sistemas avançados de armamento, cada unidade terá quatro tubos lançadores de torpedos de 533 mm, capazes de disparar até 18 torpedos F-21 ou mísseis como o SM-39 Exocet e o Harpoon. Esses armamentos, combinados às mais recentes inovações do padrão Scorpène Evolved, garantem uma frota moderna e estratégica para as operações da Armada Argentina.
O fator França
A participação majoritária do Estado francês na Naval Group (62,25%) facilitou a negociação de condições contratuais favoráveis à Argentina, superando a concorrência do Tipo 209 da ThyssenKrupp, outra alternativa avaliada pela Armada.
Se concretizado, o projeto dos submarinos Classe Riachuelo será um marco para a reconstrução da capacidade submarina da Argentina e reforçará sua presença no Atlântico Sul.
