O fechamento de 2025 confirma o maior déficit comercial da Argentina com o Brasil em oito anos, somando US$ 5,2 bilhões, resultado da alta de 31% nas importações brasileiras, queda de 5% nas exportações argentinas e forte peso do setor automotivo no desequilíbrio bilateral
O comércio entre Argentina e Brasil fechou 2025 com déficit de 5,2 bilhões de dólares para Buenos Aires, o maior em oito anos, segundo o INDEC, refletindo aumento das importações e retração das exportações.
Déficit recorde e mudança no fluxo comercial
O resultado negativo decorreu do crescimento das compras argentinas de produtos brasileiros e da queda nas vendas ao mercado brasileiro. O movimento expôs um desequilíbrio entre as duas maiores economias do Cone Sul, com impacto direto no saldo comercial portenho ao longo do ano.
A abertura das importações, após anos de restrições, somou-se à melhora inicial da economia argentina e elevou em cerca de 31% as importações de bens feitos no Brasil. Esse avanço ampliou o volume adquirido em diferentes segmentos, pressionando o balanço bilateral.
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Recuo das exportações e efeito no saldo
No sentido oposto, as exportações argentinas ao Brasil recuaram aproximadamente 5% em volume e valor. A combinação entre mais importações e menos vendas agravou o déficit, ampliando a diferença entre o que cada país compra e vende nessa relação comercail.
Os dados oficiais indicam que o encolhimento das exportações contribuiu de forma relevante para o resultado final, deteriorando a balança ao longo de 2025 e reforçando a tendência negativa observada no fechamento do ano.
Peso do setor automotivo
O setor automotivo foi um dos principais vetores do desequilíbrio. Ele concentra as compras argentinas de bens brasileiros e registrou forte alta nas importações, enquanto a produção local enfrentou dificuldades para competir e reduzir embarques ao Brasil.
A pressão veio da demanda interna por bens duráveis e de capital que a indústria doméstica não conseguiu suprir sozinha, estimulando a entrada de veículos, peças e maquinário brasileiros no mercado argentino.
Políticas, relação bilateral e perspectivas
Apesar da relação política distante entre Lula e Javier Milei, o Brasil manteve-se como principal parceiro comercial da Argentina e destino relevante de seus embarques, ainda que com descompasso recente.
Mudanças cambiais e comerciais, como real mais favorável ao peso e maior clareza no cálculo de custos, além de acesso a divisas com menos barreiras, influenciaram o fluxo. Para 2026, projeções preliminares apontam déficit ainda elevado, com possível moderação se houver ajuste de expectativas e oferta.
