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Ex-CEO da Porsche, afirma abertamente: “Cometemos um erro com o Macan”

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 08/01/2026 às 23:56
Ex-CEO da Porsche admite erro ao encerrar Macan a combustão, decisão baseada em projeções de eletrificação que não se confirmaram.
Ex-CEO da Porsche admite erro ao encerrar Macan a combustão, decisão baseada em projeções de eletrificação que não se confirmaram.
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A declaração de Oliver Blume sobre o fim antecipado do Porsche Macan a combustão expõe uma reavaliação estratégica da montadora alemã após a desaceleração da demanda por veículos elétricos, a saída do modelo do mercado europeu em 2024 e o encerramento definitivo da produção previsto para 2026

A Porsche reconheceu publicamente um erro estratégico relevante ao descontinuar o Porsche Macan com motor a combustão, decisão baseada em previsões de mercado que não se confirmaram, segundo declaração de Oliver Blume, então CEO da marca sediada em Stuttgart até 1º de janeiro.

Reconhecimento público e contexto da decisão

Em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, Blume afirmou que a Porsche acreditava em uma adoção mais rápida dos veículos elétricos quando decidiu encerrar o Macan a gasolina. Com base nos dados disponíveis à época, a empresa apostou que o Macan elétrico supriria totalmente a demanda do modelo original.

O executivo reconheceu que a decisão não funcionou como esperado. Segundo ele, embora tomasse a mesma decisão novamente com as informações disponíveis naquele momento, a situação atual do mercado é diferente, o que exigiu uma revisão da estratégia da marca e novas prioridaes.

Saída do mercado europeu e cronograma de encerramento

O Porsche Macan com motor a combustão deixou de ser comercializado na Europa em meados de 2024. A retirada ocorreu porque o modelo não atendia aos novos requisitos de cibersegurança impostos pelas regulamentações GSR2, inviabilizando sua continuidade no mercado europeu.

Em escala global, a Porsche planeja encerrar de forma definitiva a produção do Macan a combustão nos próximos meses. O fechamento final da linha de produção está previsto para meados de 2026, encerrando um ciclo que foi considerado prematuro até pela própria montadora.

Demanda por elétricos abaixo do esperado

A descontinuação do Macan a combustão foi diretamente ligada ao lançamento do Porsche Macan elétrico, concebido como sucessor natural do modelo original. No entanto, a demanda por veículos totalmente elétricos cresceu mais lentamente do que o previsto.

Essa desaceleração foi observada principalmente em mercados-chave como Europa e Estados Unidos. O resultado foi a ausência de uma alternativa direta ao motor a combustão em um dos segmentos mais lucrativos da Porsche, criando uma lacuna relevante em seu portfólio.

Blume destacou que essa mudança de cenário levou a marca a reagir. A Porsche decidiu reforçar novamente os investimentos em motores de combustão interna e em sistemas híbridos, ajustando sua estratégia frente às condições reais do mercado.

Novo SUV a combustão para ocupar o espaço do Macan

Com a saída do Macan a gasolina, a Porsche reconheceu que ficou um vazio importante em sua linha de produtos. Para preenchê-lo, a empresa já trabalha no desenvolvimento de um novo SUV com motor a combustão interna, posicionado abaixo do Porsche Cayenne.

O novo modelo não utilizará o nome Macan e tem lançamento previsto para 2028. Segundo a própria marca, será um veículo “muito típico da Porsche”, claramente diferenciado do Macan elétrico, tanto em proposta quanto em posicionamento.

Tudo indica que o futuro SUV compartilhará sinergias técnicas com o Audi Q5, utilizando a plataforma Premium Platform Combustion (PPC). Diferente do Macan atual, com tração traseira, o novo modelo poderá adotar solução próxima ao sistema Quattro Ultra, visando redução de custos e prazos.

Mudança mais ampla na estratégia de produtos

O reconhecimento do erro envolvendo o Macan faz parte de uma reformulação mais ampla da estratégia da Porsche. A marca confirmou que seu futuro SUV grande de três fileiras contará com motores a combustão, abandonando o plano de torná-lo exclusivamente elétrico.

Além disso, os esportivos Porsche 718 Boxster e Porsche 718 Cayman voltarão a oferecer versões a gasolina. A decisão reverte a estratégia anterior de transformar toda a família 718 em uma linha totalmente elétrica.

No comando executivo, Oliver Blume deixou a presidência da Porsche, cargo agora ocupado por Michael Leiters, ex-CEO da McLaren. Blume permanece à frente do Grupo Volkswagen até 2030.

Apesar do erro reconhecido, a Porsche chega a este momento em posição sólida. Sob a liderança de Blume, a marca passou de 225.000 veículos vendidos em 2015 para um pico superior a 320.000 unidades em 2023, reforçando sua capacidade de adaptação mesmo em um cenário de transição incerta.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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