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Após um século de exploração florestal deformar rios da Lapônia sueca, equipes estão recolocando pedras no leito, desacelerando a água e reconstruindo à força um rio inteiro para trazer de volta peixes, mexilhões, insetos e a vida que havia sido varrida do mapa

Publicado em 18/01/2026 às 18:18
Rios da Lapônia sueca passam por restauração de rios no rio Abramsån, onde a Rewilding Sweden reconstrói ecossistemas fluviais após décadas de degradação ambiental
Rios da Lapônia sueca passam por restauração de rios no rio Abramsån, onde a Rewilding Sweden reconstrói ecossistemas fluviais após décadas de degradação ambiental
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No rio Abramsån, afluente do Råne na Lapônia sueca, equipes da Rewilding Sweden removem piso de madeira, recolocam rochas empilhadas nas margens e reduzem a velocidade da água, criando poços, cascalho e conexão com a floresta para trazer de volta peixes, mexilhões e insetos num trecho de cinco quilômetros inteiros.

Em 2023, n a Lapônia sueca, rios inteiros foram remodelados pela exploração florestal histórica, que retirou rochas e cascalho dos leitos, eliminou corredeiras e retificou curvas para facilitar o transporte de toras por centenas de quilômetros. No rio Abramsån, esse legado ficou tão extremo que parte do leito recebeu um piso de madeira feito de troncos pregados entre si, instalado no início do século XX.

Agora, a Rewilding Sweden está restaurando rios e suas margens ao reconstruir, com técnica e máquina pesada, um trecho de cinco quilômetros do Abramsån, um afluente do rio Råne, com 210 quilômetros de extensão e descrito como o rio florestal sem represas mais longo da Europa. A meta é desacelerar a água, reter cascalho, areia e matéria orgânica, e devolver condições para peixes, mexilhões, insetos e a vida ribeirinha voltarem a funcionar.

Como a exploração florestal deformou os rios da Lapônia sueca

piso de madeira

Os rios são apresentados como força vital da Lapônia sueca. Mesmo onde não há barragens, os cursos d’água ainda carregam cicatrizes de longo prazo deixadas pela indústria florestal.

A lógica antiga era simples: tornar o rio um corredor de transporte. Para isso, foram removidas rochas e cascalho do fundo, corredeiras desapareceram e curvas foram “corrigidas” para a água correr mais rápido e levar toras rio abaixo.

O resultado foi uma canalização que quebrou conexões ecológicas, biogeoquímicas e hidrológicas entre terra e água. Com a água acelerada, a erosão aumentou nas margens e no leito, e a retenção local de cascalho, areia e matéria orgânica caiu.

Esse encadeamento é descrito como responsável por declínio acentuado de populações de peixes e por redução na diversidade de insetos aquáticos.

O rio Abramsån e o tamanho do que está sendo reconstruído

O Abramsån é descrito como típico de muitos cursos d’água na Suécia, mas a situação ali expõe o nível de intervenção do passado: além de pedras e pedregulhos removidos e empilhados nas margens, houve trechos em que um revestimento de madeira foi instalado no leito.

Isso cria um trecho com estrutura artificial, pobre em habitat, exigindo que a restauração não seja só estética, mas estrutural.

A equipe resume o objetivo de forma direta: reconstruir toda a estrutura do rio para que ele volte a funcionar como um sistema fluvial natural.

A ideia não é espalhar pedras ao acaso, e sim recriar condições que permitam a formação de micro-habitats, variação de fluxo e suporte à vida aquática e ribeirinha.

Uma obra técnica, com escavadeira de 24 toneladas e 10 horas por dia

Utilizando a escavadeira, seções do piso de madeira foram removidas com o auxílio de cordas.

Desde junho, a equipe da Rewilding Sweden, indicada como formada por quatro funcionários em tempo integral e dois em tempo parcial, trabalha no Abramsån.

O plano cobre cinco quilômetros; cerca de dois quilômetros já foram restaurados, com previsão de concluir a primeira etapa em breve.

O trabalho é descrito como altamente técnico e fisicamente exigente: uma escavadeira de 24 toneladas, com jornadas de 10 horas diárias, é usada para retirar seções do piso de madeira e recolocar pedras no leito.

O piso de madeira é composto por troncos de árvores individuais pregados uns aos outros.

As rochas removidas no passado, que haviam sido empilhadas na margem, passam a voltar para a água, reconstruindo a rugosidade do fundo e o desenho do canal.

Henrik Persson, líder da equipe, afirma que a remoção do piso de madeira consumiu mais tempo do que o esperado.

O ritmo médio informado é de 22 metros de rio restaurados por dia, o que mostra o nível de detalhe, peça a peça, exigido para reconfigurar um rio com segurança e coerência ecológica.

Mexilhões removidos antes das máquinas: o cuidado com uma espécie-chave

Mexilhões de água doce perlíferos foram temporariamente removidos antes do início da restauração do Abramsån e serão recolocados assim que as máquinas pesadas forem retiradas.

Antes da restauração começar de fato, houve uma etapa descrita como demorada por si só: obter documentos legais.

Em seguida, veio uma medida crítica para evitar perdas durante a obra: a remoção temporária de mexilhões de água doce do trecho que seria mexido.

Esses mexilhões são descritos como um molusco de grande porte encontrado em leitos de rios e córregos cristalinos do norte.

A espécie-chave, capaz de viver até 250 anos e filtrar até 50 litros de água por dia, melhorando a qualidade da água para outras espécies, como peixes, insetos e lontras.

Por serem altamente sensíveis a mudanças ambientais, também funcionam como indicadores ambientais.

Para tirar os mexilhões de forma controlada, a equipe passou um mês mergulhando com snorkel no trecho em restauração. Persson relata que milhares de mexilhões foram coletados onde havia o piso de madeira, transportados rio acima e mantidos em local seguro.

A devolução está prevista para quando as máquinas pesadas saírem da área, evitando esmagamento, soterramento e perturbação prolongada.

O que muda quando pedras voltam ao leito e a água desacelera

A recuperação da natureza em rios ajuda a aumentar a conectividade lateral entre o rio e a floresta circundante, permitindo que a água permaneça na paisagem por mais tempo.

A restauração descrita mira um conjunto de funções que tinham sido eliminadas quando os rios foram canalizados.

Ao recolocar pedras e cascalho no leito, o objetivo é devolver diversidade de fluxo, pontos de retenção e áreas de abrigo.

Esse tipo de estrutura cria trechos mais complexos e propícios para vida aquática, além de favorecer a retenção local de sedimentos e matéria orgânica.

O efeito da reconexão lateral: quando a canalização é removida e o rio volta a “conversar” com sua margem e sua planície ribeirinha, a água permanece na paisagem por mais tempo.

Isso é apresentado como vantagem ecológica ampla, com benefícios para insetos, pássaros e peixes, e também para herbívoros naturais, como renas semisselvagens, que se alimentam de líquens pendentes associados a condições de floresta úmida.

A lógica da “paisagem aquática” e o que entra junto com rios restaurados

A restauração do Abramsån aparece alinhada à abordagem de “paisagem aquática” da Rewilding Sweden, que busca aprimorar corredores verde-azulados ao restaurar rios. Isso inclui não apenas o curso d’água, mas também os solos e florestas dentro da bacia hidrográfica.

As florestas naturais como esponjas que absorvem chuva, regulam o fluxo para os rios e recarregam aquíferos.

A consequência prática é reduzir impactos de inundações, incêndios florestais catastróficos e problemas de erosão e sedimentação indesejada.

Quando florestas são desmatadas e drenadas por valas artificiais em paisagens com rios canalizados, a água “some” rápido demais do território.

A restauração, portanto, não se limita ao leito: ela tenta devolver tempo de permanência da água no sistema.

Henrik Persson diz que essa retenção maior também reduz efeitos rio abaixo em chuvas intensas, porque o rio pode voltar a atuar como barreira natural, amortecendo picos de vazão e ajudando comunidades locais com menos episódios de inundação.

O que já foi visto no Abramsån e por que o projeto quer ampliar escala

Um sinal de resposta rápida após a intervenção aparece de forma simples: logo após a conclusão dos trabalhos de restauração, os peixes começaram a colonizar os lagos.

A Rewilding Sweden planeja continuar: licenças para restaurar trechos mais baixos do Abramsån estão em processo de obtenção. Pelo tempo necessário para licenciamento, é muito provável que a próxima etapa comece em 2025.

Além disso, há intenção de expandir o trabalho do Abramsån para a bacia hidrográfica do rio Råne, descrita com 420.000 hectares, enquanto preparativos legais para restaurar outros afluentes já estão em andamento.

A sensação transmitida pelo projeto é de reconstrução paciente: retirar o que foi imposto ao rio, devolver pedras ao lugar, restaurar a dinâmica natural e permitir que rios voltem a criar habitat, regular água e sustentar biodiversidade em cadeia.

Você acha que reconstruir rios “à força”, recolocando pedras e desfazendo obras antigas, é a forma mais realista de recuperar ecossistemas que foram varridos do mapa por um século de exploração?

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Maria de Fátima Feijó de Jesus
Maria de Fátima Feijó de Jesus
25/01/2026 22:04

Sim. Com certeza. Ainda bem que temos cientistas e profissionais da área ambiental que se unem para recuperar ecossistema tão importante que lá estavam mas, que infelizmente diante da ganância e da inconsequência humana são destruídos sem o menor respeito à vida!!!!!
A humanidade tem que buscar saída. Ir atrás do Prejuízo que ela mesma causou!!

Virginia
Virginia
25/01/2026 06:20

Pésima traducción

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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