Cidade de Niscemi tem casas penduradas no penhasco após ciclone Harry, com deslizamento de terra em expansão e estado de emergência declarado na Sicília.
Nos dias que se seguiram à passagem do ciclone Harry, a cidade de Niscemi, na Sicília, acordou literalmente à beira do abismo. Uma enorme fenda de cerca de 4 quilômetros abriu a encosta da colina onde o município está construído e deixou casas penduradas no penhasco, com fachadas e varandas hoje voltadas para um vazio que cresce dia após dia.
Enquanto o prefeito fala em situação terrível e a Defesa Civil admite que todas as construções em um raio de 50 a 70 metros da ruptura devem desabar, cerca de 1.500 moradores já foram evacuados. Em Niscemi, as casas penduradas no penhasco se tornaram o retrato mais dramático de um deslizamento de terra que ainda está em movimento e ameaça engolir parte do centro histórico.
Cidade rachada pelo ciclone Harry

O cenário atual em Niscemi é resultado direto da forte tempestade associada ao ciclone Harry, que atingiu o sul da Itália com chuvas intensas e ventos capazes de desestabilizar encostas inteiras.
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Na cidade, construída no alto de uma colina, um longo trecho da encosta cedeu, formando uma frente de deslizamento com cerca de 4 quilômetros de extensão.
Esse movimento começou a dar sinais no domingo e continuou a se alargar. A cada novo estalo na terra, cresce o medo de que a fenda avance em direção ao núcleo urbano mais antigo.
O próprio prefeito, Massimiliano Conti, descreveu o episódio como um deslizamento de terra dramático e pediu, em vídeo nas redes sociais, que quem não está nas áreas isoladas permaneça em casa, para não atrapalhar as operações de emergência.
Segundo Conti, as imagens aéreas da área foram chocantes. De cima, é possível ver o solo se desprendendo da colina e deixando casas penduradas no penhasco, algumas já com partes da estrutura claramente expostas ao vazio.
Apesar da gravidade, o prefeito ressaltou que, até o momento, não houve feridos, apenas danos materiais significativos.
Casas penduradas no penhasco e medo de isolamento
As fotos e vídeos que circulam mostram exatamente o que o diretor-geral da Defesa Civil da Sicília, Salvatore Cocina, resumiu em uma frase dura. Para ele, todas as casas em um raio de 50 a 70 metros da borda da fenda irão desabar.
Na prática, isso significa que muitas das casas penduradas no penhasco hoje devem ser consideradas perdidas, mesmo que ainda estejam de pé.
Essa previsão aumenta o clima de insegurança em uma cidade que já vive um êxodo forçado. Parte dos 1.500 evacuados está abrigada em um ginásio esportivo local, enquanto muitos outros se espalharam por casas de parentes e amigos.
As escolas seguem fechadas e a principal estrada que liga Niscemi à cidade costeira de Gela foi interditada, o que alimenta outro temor: o de que o município acabe parcialmente isolado.
O prefeito admite que a cidade está com medo. Ele afirma que o deslizamento avançou mais 10 metros em apenas uma manhã e relata que os estalos continuam, alimentados por chuvas que não ajudam nem o socorro nem os levantamentos técnicos.
Técnicos e autoridades monitoram a situação sem parar, justamente porque o quadro pode mudar a qualquer momento.
Estado de emergência e prejuízo bilionário no sul da Itália
Niscemi é um dos pontos mais dramáticos de um evento muito maior. O governo italiano declarou estado de emergência para as regiões do sul atingidas pelo ciclone Harry.
A tempestade trouxe chuvas incessantes e ondas de até 9 metros de altura, causando estragos não só na Sicília, mas também na Calábria e na Sardenha.
Estradas foram destruídas, defesas costeiras foram arrancadas e balneários inteiros sofreram danos relevantes. As primeiras estimativas apontam para um prejuízo superior a 1 bilhão de euros, sendo que só a Sicília teria acumulado cerca de 740 milhões de euros em danos. O presidente da ilha, Renato Schifani, alertou que o valor final pode ser até o dobro.
Para responder à emergência, o governo reservou inicialmente 100 milhões de euros destinados às necessidades mais urgentes das áreas afetadas. O ministro da Proteção Civil, Nello Musumeci, afirmou que, nos próximos dias, será adotada uma nova medida interministerial voltada à restauração e reconstrução da infraestrutura destruída. Ainda assim, a sensação, em lugares como Niscemi, é de que o tempo joga contra, à medida que a terra continua a se mover.
O que pode acontecer com Niscemi daqui para frente
O caso de Niscemi é um alerta claro sobre o impacto de eventos extremos em cidades construídas em terrenos frágeis.
Um único episódio de chuva intensa associado a um ciclone foi suficiente para transformar quarteirões inteiros em uma fronteira instável entre solo e precipício.
A partir de agora, especialistas em geologia, engenharia e defesa civil precisam responder a perguntas difíceis.
Será possível estabilizar a encosta que se rompeu os serviços essenciais conseguirão ser mantidos sem que a cidade fique isolada e o que será das famílias que perderam suas casas ou que ainda vivem em casas penduradas no penhasco, esperando uma decisão definitiva sobre demolição, reassentamento e reconstrução
Enquanto os trabalhos seguem, uma certeza já existe. Em Niscemi, a linha entre segurança e desastre ficou visível na forma de uma fenda de 4 quilômetros, que mudou para sempre a relação da cidade com o terreno onde foi construída.
E você, ao ver essas imagens de casas penduradas no penhasco em Niscemi, acha que cidades construídas em encostas deveriam ter regras mais rígidas de ocupação e reconstrução depois de eventos como o ciclone Harry?


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