Sistema experimental combina dez lasers de alta potência em um único feixe energético, promete “munição infinita” contra drones e morteiros e inaugura uma nova fase da corrida global por armas de energia dirigida no ambiente marítimo
O Japão deu um passo decisivo na corrida tecnológica militar ao iniciar os testes marítimos de uma arma a laser de 100 quilowatts, instalada a bordo de um navio de guerra de 6.200 toneladas. O sistema foi projetado para neutralizar drones, morteiros e ameaças aéreas leves em pleno voo, usando energia concentrada capaz de queimar superfícies metálicas, sem recorrer a projéteis convencionais.
A informação foi divulgada por reportagens especializadas internacionais, incluindo o site Live Science, com base em comunicados oficiais da Acquisition, Technology and Logistics Agency (ATLA), órgão ligado ao Ministério da Defesa japonês responsável pelo desenvolvimento e aquisição de novas tecnologias militares.
O armamento foi instalado no navio de testes JS Asuka, após a embarcação passar por um estaleiro da Japan Marine United. O sistema chamou atenção por ocupar dois módulos de 40 pés (cerca de 12 metros cada), protegidos por estruturas em formato de domo, o que indica o porte e a complexidade do equipamento embarcado.
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Como funciona a arma a laser japonesa de 100 kW
O sistema utiliza dez lasers de fibra óptica, cada um com 10 kW de potência, combinados para formar um único feixe de 100 kW altamente concentrado. Trata-se de um laser de estado sólido, no qual a luz é amplificada ao percorrer fibras ópticas dopadas com elementos de terras raras, permitindo maior controle, precisão e estabilidade do disparo.
Esse nível de potência é suficiente para superaquecer componentes estruturais de drones, danificar sensores, comprometer superfícies metálicas e, em muitos casos, provocar a perda total da aeronave-alvo. Diferentemente de armas cinéticas, o laser não depende de explosivos nem projéteis físicos, o que reduz drasticamente riscos colaterais.
Além disso, engenheiros japoneses afirmam que o sistema foi projetado especificamente para enfrentar ameaças aéreas de baixo custo e alta frequência, como drones comerciais adaptados, enxames de UAVs e munições improvisadas, cenário cada vez mais comum em conflitos modernos.
Outro diferencial estratégico é o conceito de “profundidade de carregador ilimitada”. Segundo a ATLA, desde que haja fornecimento elétrico suficiente, o sistema pode disparar continuamente, sem se preocupar com recarga de munição. Na prática, o custo por disparo é significativamente menor do que o de mísseis antiaéreos tradicionais.
Testes no mar e desafios operacionais da tecnologia
Após testes bem-sucedidos em solo contra drones e morteiros, o Japão agora avança para a fase mais crítica do projeto: os testes em ambiente marítimo real, previstos para começar após 27 de fevereiro de 2026, segundo informações monitoradas pelo canal especializado @AGChatch no YouTube.
No mar, o sistema enfrentará desafios muito mais complexos. Entre eles estão o movimento constante do convés, vibrações, vento, umidade elevada, dispersão atmosférica do feixe e reflexos causados por partículas salinas no ar. Manter a precisão do disparo em um navio em movimento é um dos maiores obstáculos técnicos das armas a laser embarcadas.
Além disso, sistemas de energia dirigida exigem alto consumo elétrico e resfriamento intenso. Mesmo em condições ideais, lasers de fibra óptica operam com eficiência média entre 25% e 35%, o que significa que grande parte da energia é convertida em calor. Em navios, isso impõe limitações severas de engenharia e infraestrutura.
Segundo autoridades japonesas ouvidas pelo site The Asia Live, o objetivo desta fase não é a implantação imediata, mas avaliar se versões ainda mais potentes poderão, no futuro, ser capazes de interceptar mísseis, algo considerado considerada um divisor de águas na defesa naval.
Japão entra para o seleto grupo de potências com armas de energia dirigida
Com esse avanço, o Japão se junta a um grupo restrito de países que desenvolvem oficialmente armas de energia dirigida, incluindo Estados Unidos, França, Alemanha e Reino Unido. A China também é apontada como possível integrante desse grupo, após imagens surgirem nas redes sociais em 2024 mostrando um suposto laser instalado em um navio anfíbio chinês.
No entanto, até o momento, a única implantação naval oficialmente programada envolve embarcações equipadas com o sistema Aegis, plataforma avançada de defesa naval encomendada pelo Ministério da Defesa japonês. De acordo com o site Naval News, esses navios devem entrar em serviço apenas após 2032.
No cenário internacional, o Reino Unido testou com sucesso o sistema DragonFire, que derrubou drones durante ensaios realizados nas ilhas Hébridas, na Escócia. Já no fim de 2024, cientistas chineses anunciaram o desenvolvimento de uma arma de micro-ondas de alta potência, capaz de concentrar ondas eletromagnéticas contra alvos específicos.
Apesar dos avanços, especialistas alertam que a tecnologia ainda está distante de uso em combate em larga escala. Mesmo assim, os testes japoneses representam um marco estratégico, indicando que o futuro da guerra naval poderá ser cada vez mais silencioso, preciso e dependente de energia — e não de pólvora.


Agora se os EUA e Rússia tentarem alguma coisa com o Japão, é só testarem essa arma com eles ou não?
Então, os EUA também estão testando esse tipo de arma. 50/50 agora.
Um feixe de laser disparado no espaço, qual o risco disto atingir outros astros e planetas no espaço a velocidade da luz, visto que ele ira propagar infinitamente até que atinja algum alvo?
Muito bem