A Anvisa liberou o registro do Briumvi (ublituximabe), novo tratamento para esclerose múltipla que atua sobre os linfócitos B para reduzir surtos em adultos com formas recorrentes da doença que afeta 40 mil brasileiros e 2,9 milhões de pessoas no mundo sem cura conhecida.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou um novo tratamento para esclerose múltipla que amplia as opções terapêuticas disponíveis para os aproximadamente 40 mil brasileiros que convivem com a doença. O medicamento Briumvi (ublituximabe), da farmacêutica Neuraxpharm, teve registro publicado no Diário Oficial da União em 22 de abril, é um anticorpo monoclonal indicado para adultos diagnosticados com formas recorrentes de esclerose múltipla, quadro no qual os sintomas se manifestam em surtos periódicos que comprometem progressivamente a capacidade neurológica do paciente. A validade do registro concedido pela Anvisa se estende até 2036.
O mecanismo de ação do novo medicamento contra a esclerose múltipla é direcionado e específico. O ublituximabe age sobre uma proteína denominada CD20, presente na superfície dos linfócitos B, células do sistema imunológico que desempenham papel central na progressão da doença. Ao diminuir a atividade dessas células, o fármaco contribui para conter os processos inflamatórios que agridem o sistema nervoso central, reduzindo a frequência e a intensidade dos episódios de crise. Para os pacientes com esclerose múltipla, menos surtos significam menor acúmulo de dano neurológico ao longo do tempo, benefício que pode se traduzir em maior preservação de funções motoras e cognitivas.
O que é a esclerose múltipla e por que esse medicamento é relevante

A esclerose múltipla é uma doença crônica de natureza autoimune e inflamatória na qual o próprio sistema de defesa do organismo ataca a mielina, camada protetora que envolve os neurônios e permite a transmissão de sinais entre o encéfalo e as demais partes do organismo. Quando essa cobertura é destruída pela ação dos linfócitos desregulados, a comunicação neuronal se deteriora e os pacientes com esclerose múltipla começam a apresentar sintomas que incluem fadiga severa, fraqueza nos membros, perda de equilíbrio, dores crônicas, alterações na capacidade de raciocínio e problemas no controle urinário. A doença não tem cura conhecida, e o objetivo de todos os tratamentos disponíveis é retardar a progressão e controlar os episódios inflamatórios.
-
Cientistas descobrem segredos surpreendentes de um homem misterioso enterrado na Finlândia há 400 anos
-
Ex-engenheiro da xAI diz que tentou alertar sobre falhas de segurança no Grok, acabou demitido e agora colocou a empresa de Elon Musk em uma disputa judicial que pode revelar bastidores explosivos da inteligência artificial
-
Startup finlandesa transforma madeira reciclada e resíduos agrícolas em supercapacitor renovável, promete custo até 80% menor e mira redes elétricas mais estáveis sem depender tanto de lítio, níquel e cobalto
-
Robô Argus com 20 olhos e 20 pernas surpreende ao andar em areia, concreto e vegetação sem depender de frente ou traseira
A chegada do ublituximabe ao Brasil representa acréscimo significativo ao arsenal terapêutico. Embora já existam outros anticorpos monoclonais aprovados para esclerose múltipla, cada novo medicamento que entra no mercado oferece alternativa para pacientes que não respondem adequadamente às terapias anteriores ou que enfrentam efeitos colaterais que limitam o uso contínuo. A diversificação de opções é fundamental numa doença crônica que exige tratamento por décadas, já que a resposta individual varia e o que funciona para um paciente pode não funcionar para outro.
Quantas pessoas são afetadas pela esclerose múltipla no Brasil e no mundo
Os números revelam o tamanho da população que pode se beneficiar do novo tratamento. Cerca de 2,9 milhões de pessoas convivem com esclerose múltipla globalmente, e no Brasil a estimativa é de aproximadamente 40 mil pacientes diagnosticados, público que tende a crescer à medida que métodos de diagnóstico se tornam mais acessíveis e sensíveis. A doença é mais frequente em adultos jovens entre 20 e 50 anos e atinge mulheres com proporção superior à dos homens, perfil demográfico que significa décadas de tratamento pela frente para cada pessoa diagnosticada.
O diagnóstico precoce e o acesso a terapias eficazes são os dois fatores que mais influenciam o prognóstico de quem recebe o diagnóstico de esclerose múltipla. Pacientes que iniciam tratamento nos estágios iniciais da doença e mantêm acompanhamento regular conseguem preservar funcionalidade por mais tempo do que aqueles que demoram a acessar medicamentos adequados. A aprovação do Briumvi pela Anvisa não garante automaticamente que os 40 mil brasileiros com esclerose múltipla terão acesso imediato ao fármaco, já que a incorporação ao SUS depende de avaliação pela Conitec e eventual inclusão no protocolo clínico, processo que pode levar meses ou anos.
Como o ublituximabe se diferencia de outros tratamentos para esclerose múltipla
O mecanismo de ação centrado na proteína CD20 dos linfócitos B não é exclusivo do ublituximabe, mas cada medicamento dessa classe apresenta diferenças em formulação, posologia e perfil de efeitos adversos. O Briumvi entra no mercado brasileiro como opção adicional dentro de um grupo que inclui outros anticorpos anti-CD20, e a competição entre fármacos semelhantes pode beneficiar pacientes de esclerose múltipla tanto pela possibilidade de ajuste terapêutico quanto pela pressão competitiva sobre preços. A disponibilidade de múltiplas alternativas permite que neurologistas personalizem o tratamento conforme a resposta individual e a tolerância de cada paciente.
A aprovação também ocorre num momento de expansão regulatória da Anvisa. O registro do Briumvi faz parte de um pacote de atualizações que incluiu outros produtos biológicos e terapias avançadas, sinalizando que a agência está processando submissões de medicamentos inovadores em ritmo acelerado. Para a comunidade de pacientes com esclerose múltipla, cada nova aprovação representa esperança concreta de que a ciência está avançando na direção de tratamentos cada vez mais eficazes, mesmo que a cura definitiva da doença permaneça como objetivo distante.
O que muda na prática para quem convive com esclerose múltipla no Brasil
A aprovação do medicamento pela Anvisa é o primeiro passo de um caminho que inclui precificação, distribuição e eventual cobertura por planos de saúde ou incorporação ao sistema público. Para os 40 mil brasileiros com esclerose múltipla, a existência de mais uma opção terapêutica no mercado nacional é positiva independentemente do prazo de acesso, porque sinaliza que o país está acompanhando a evolução global no tratamento da doença e que pacientes brasileiros não precisarão depender exclusivamente de importação para acessar terapias de última geração.
O ublituximabe não cura a esclerose múltipla, e nenhum medicamento disponível atualmente faz isso. O que ele oferece é a possibilidade de controlar os linfócitos B que provocam os surtos inflamatórios destruidores da mielina dos neurônios, desacelerando a evolução de uma doença que, sem tratamento, pode levar a limitações motoras e cognitivas graves ao longo dos anos. Para quem recebe o diagnóstico de esclerose múltipla aos 25 ou 30 anos e sabe que conviverá com a condição pelo resto da vida, ter mais uma ferramenta no arsenal faz diferença que vai muito além de uma linha no Diário Oficial.
E você, conhece alguém que convive com esclerose múltipla? Acha que o Brasil deveria acelerar a incorporação de novos tratamentos ao SUS? Deixe sua opinião nos comentários.

-
1 pessoa reagiu a isso.