A lubrificação a ar produz bolhas sob o casco de navios cargueiros, reduz a resistência da água, pode economizar combustível e diminuir emissões de CO₂, mas depende de compressores, energia e adaptação correta da embarcação
Navios cargueiros passaram a usar bolhas de ar sob o casco para criar uma camada entre o aço e a água. A ideia é reduzir o atrito que freia a embarcação e exige mais força dos motores durante as viagens pelo oceano.
Em 9 de novembro de 2021, a explicação técnica foi publicada pela DNV, entidade internacional de segurança e classificação marítima. O sistema de lubrificação a ar pode reduzir as emissões de CO₂ em 5% a 10% e também poupar combustível.
A tecnologia não deixa o navio mais leve e não substitui os motores. Ela tenta diminuir o esforço necessário para atravessar a água, algo importante para embarcações que passam dias ou semanas navegando.
-
Duas portas flutuantes gigantes permanecem escondidas ao lado de um dos maiores portos da Europa e só fecham o caminho quando o mar ameaça levar água demais para Roterdã
-
Um navio entra em uma caixa cheia de água, as portas se fecham e, 40 minutos depois, ele sai 113 metros mais alto, em um elevador de navios chinês capaz de levantar embarcações de até 3 mil toneladas e evitar cinco eclusas
-
Depois de sumir sob o gelo da Antártida por 107 anos, navio de madeira foi encontrado a 3.008 metros de profundidade quase inteiro, filmado por robôs e protegido sem que ninguém tocasse no casco
-
Parece uma plataforma de petróleo no meio do oceano, mas este navio japonês virou laboratório flutuante, perfurou 7.740 metros abaixo do mar e foi criado para estudar regiões onde nascem grandes terremotos
Por que a água freia navios cargueiros durante a viagem
Todo navio precisa empurrar água para avançar. Parte dessa água bate contra o casco e cria uma força que dificulta o deslocamento da embarcação.
Quanto maior for essa resistência, maior será a energia exigida dos motores. Isso aumenta o consumo de combustível e eleva a quantidade de CO₂ liberada durante a navegação.

O casco é a estrutura externa que fica em contato direto com a água. Em navios grandes, essa área é enorme e qualquer redução de atrito pode fazer diferença ao longo de uma rota marítima.
Como as bolhas de ar são produzidas sob o casco
O sistema usa compressores, máquinas que empurram ar sob pressão, para lançar bolhas na parte inferior do casco. O ar se espalha perto da superfície de aço que está dentro da água.
Essas bolhas formam uma faixa escorregadia, parecida com um tapete invisível de ar. Em vez de o casco tocar apenas a água, parte da superfície passa a ter contato com essa camada de bolhas.
A distribuição do ar precisa funcionar de forma contínua. Caso as bolhas se dispersem rápido demais, o efeito sobre o atrito pode ser menor.
O ar reduz a resistência entre o aço e a água
DNV, entidade internacional de segurança e classificação marítima, detalhou que o ar tem viscosidade menor que a água. Em palavras simples, ele oferece menos dificuldade para o casco se movimentar.
Quando o ar ocupa parte da superfície molhada do navio, a força de atrito pode diminuir. A superfície molhada é toda a área do casco que permanece abaixo da linha da água.

A redução não acontece de maneira igual em todas as embarcações. O resultado depende do desenho do casco, do tipo de operação e da forma como o sistema foi instalado.
Cada porcentagem de economia importa em viagens pelo oceano
Uma viagem de navio cargueiro pode durar muitos dias. Durante esse tempo, os motores precisam trabalhar sem parar para manter a embarcação em movimento.
Por isso, uma pequena redução no consumo de combustível pode ganhar peso no fim de uma viagem longa. O impacto aparece no gasto da operação e também na quantidade de gases liberados pelos motores.
A faixa de 5% a 10% de redução de CO₂ mostra por que esse sistema desperta interesse no transporte marítimo. A economia não elimina as emissões, mas pode reduzir parte do problema sem abandonar os motores convencionais.
Compressores e energia também criam limites para a tecnologia
Os compressores precisam de energia para produzir e manter as bolhas de ar sob o casco. Por isso, o ganho de combustível precisa ser maior do que parte da energia usada pelo próprio sistema.
A instalação também exige espaço para equipamentos e adaptação ao formato da embarcação. Um casco com desenho diferente pode precisar de outra forma de distribuir o ar.
A manutenção é outro ponto importante. O sistema precisa continuar lançando bolhas de forma regular para entregar o efeito esperado durante a viagem.
Navios de carga, petroleiros e cruzeiros podem usar a lubrificação a ar
A lubrificação a ar pode ser aplicada em embarcações que passam longos períodos navegando. Navios cargueiros, petroleiros e navios de cruzeiro estão entre os tipos que podem aproveitar a redução de resistência na água.

Cada projeto precisa considerar o tamanho do navio, a área do casco em contato com o mar e o perfil da rota. Uma embarcação que navega em viagens longas pode aproveitar melhor uma economia pequena repetida durante muitas horas.
O tapete de bolhas não resolve sozinho o consumo de combustível no transporte marítimo. Ele funciona como uma ferramenta para reduzir parte do esforço dos motores e ajudar a cortar emissões de CO₂.
Por baixo do casco, o ar tenta transformar uma das maiores dificuldades da navegação, o atrito da água, em uma oportunidade de economia. A tecnologia exige máquinas e adaptação, mas mostra que até bolhas podem ajudar a reduzir o consumo de combustível em alto mar.
Você acredita que um tapete invisível de bolhas pode se tornar comum nos grandes navios ou o custo dos equipamentos ainda será um obstáculo? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.
