A captura de carbono em navios retira CO2 dos motores, transforma o gás em líquido e o mantém em tanques até a descarga. O teste no Clipper Eris atingiu 78% de captura, mas exige energia, espaço no convés e portos capazes de receber o material.
Em vez de liberar todos os gases de escape no ar sobre o oceano, o navio tanque Clipper Eris recebeu uma fábrica de captura de carbono em navios. A estrutura atingiu 78% de captura de CO2 em um teste e passou a manter o gás em grandes tanques instalados a bordo.
O sistema começou a operar quando o Clipper Eris partiu de Singapura, em fevereiro de 2025. A apresentação foi divulgada por Wärtsilä, empresa de tecnologia para o setor marítimo, e Solvang ASA, empresa de transporte marítimo de gás, no seminário técnico da Organização Marítima Internacional, órgão das Nações Unidas para a navegação marítima, em 11 de setembro de 2025.
Não se trata de um filtro preso à chaminé. A captura de carbono em navios acrescenta máquinas de limpeza, um líquido que segura o CO2, tubulações, resfriamento e reservatórios. O processo também consome energia e usa espaço que teria outras funções no navio.
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Por que a captura de carbono em navios não é apenas um filtro
Os gases de escape dos motores carregam CO2, gases de enxofre e poeira fina. Antes de separar o CO2, a fábrica instalada no Clipper Eris trata essa mistura, reduz a temperatura e retira parte das impurezas.

Um filtro comum retém partículas, mas não resolve sozinho a separação do CO2. O gás precisa passar por várias etapas até virar um material que pode ser levado no navio sem escapar de volta para o ar.
Por isso, a estrutura reúne equipamentos de limpeza e de captura, além de tubulações para levar o CO2 até os tanques. A diferença prática é grande: em vez de somente soltar os gases pela chaminé, o navio tenta segurar parte do CO2 antes da saída.
Da fumaça ao CO2 líquido, como a fábrica instalada no convés funciona
Depois da limpeza inicial, os gases entram em contato com um líquido chamado solvente, usado para segurar o CO2. A parte restante dos gases segue para fora, enquanto o líquido carregado com CO2 avança para outra área do sistema.
Nessa etapa seguinte, o líquido é aquecido e libera o CO2 que havia retido. Em seguida, o gás é comprimido, perde parte da água e passa por resfriamento até ficar pronto para armazenamento.
O CO2 é guardado em forma líquida, normalmente a 16 bar, uma medida de pressão, e a 26 °C abaixo de zero. Esse caminho explica por que a captura de carbono em navios exige uma fábrica inteira, e não uma peça pequena colocada perto da chaminé.
Captura de carbono em navios ocupa 2 tanques de 350 m³ e áreas para equipamentos
O tamanho total da instalação não foi informado em metros quadrados. A dimensão mais clara aparece nos 2 tanques de 350 m³ usados para receber o CO2 líquido, além da sala de equipamentos e da área destinada ao manuseio do gás.
O projeto considerou 14 dias de navegação antes da descarga dos tanques. A meta de operação era de 75% de captura, equivalente a cerca de 50 toneladas de CO2 por dia.

Esses números deixam claro que o espaço não é detalhe. Os reservatórios, as máquinas e as conexões precisam ser acomodados junto às demais áreas de um navio que também transporta carga.
Teste em maio de 2025 atingiu 78% e produziu 1900 kg/h de CO2 líquido
Os testes de desempenho ocorreram de 1º a 8 de maio de 2025. Em 2 de maio, a unidade de captura de carbono em navios atingiu 78% de captura e registrou 1900 kg/h de CO2 líquido.
Wärtsilä, empresa de tecnologia para o setor marítimo, e Solvang ASA, empresa de transporte marítimo de gás, registraram que o sistema ainda passava por ajustes entre o motor e a unidade de captura. O trabalho também incluía testes de pureza do CO2, consumo de energia e manutenção.
O resultado de 78% mostra o desempenho alcançado naquele teste específico. A taxa pode mudar porque o funcionamento do motor e o calor disponível para a fábrica influenciam a separação do CO2.
O CO2 precisa deixar o navio em terminal no fim da viagem
Capturar CO2 não encerra o processo. O gás fica nos tanques até chegar a um terminal em terra que consiga receber o material e encaminhar o CO2 para um destino definido.

A rota planejada para o Clipper Eris prevê travessias transatlânticas, com descarga nas duas pontas da viagem. O projeto também incluiu a procura por possíveis receptores do CO2 capturado.
Isso cria uma condição essencial para a captura de carbono em navios. Sem estrutura para descarregar o gás, a capacidade dos tanques passa a limitar o tempo de viagem.
Energia, manutenção e portos definem o limite da captura de carbono em navios
A fábrica a bordo usa energia extra para aquecer o líquido que prende o CO2, comprimir o gás e fazer o resfriamento. Ela também depende de manutenção, controle da qualidade do CO2 e cuidado com o líquido usado na captura.
O sistema pode reduzir uma parte do CO2 que sairia pelos gases de escape, mas não elimina todas as emissões da navegação. A redução total dos gases que aquecem o planeta também depende de combustíveis sustentáveis, capazes de reduzir o problema antes da queima.
O Clipper Eris mostra uma instalação em escala real e já testada no mar. Ainda assim, a tecnologia só fecha o ciclo quando existe espaço no navio, energia para operar a fábrica e terminais em terra para retirar o CO2.
A captura de carbono em navios transforma a fumaça em uma carga que precisa ser tratada do começo ao fim. O teste de 78% mostra o potencial do sistema, mas os tanques, a energia e a descarga em terra definem o tamanho do desafio.
Na sua opinião, é mais viável adaptar navios que já existem ou esperar por combustíveis que emitam menos CO2? Deixe sua resposta nos comentários e compartilhe esta publicação.
