A draga Galileo Galilei retornou a Itapoá (SC) após manutenção na Europa e retoma neste sábado a dragagem da Baía Babitonga, obra de R$ 333 milhões que já retirou 4,9 milhões de metros cúbicos de areia para aprofundar o canal portuário e alimentar o maior alargamento de praia do Brasil.
A draga Galileo Galilei está de volta ao mar de Santa Catarina após período na Europa para cumprir revisões técnicas programadas e atualizar certificações internacionais de segurança exigidas para embarcações do seu porte. O equipamento chegou a Itapoá, no litoral norte catarinense, na noite desta sexta-feira (24) e retoma a operação de dragagem da Baía Babitonga já neste sábado (25), dando continuidade ao projeto que combina aprofundamento da rota de navegação do complexo portuário com o maior alargamento de praia já realizado no Brasil. Antes de retornar a Santa Catarina, a draga passou por Paranaguá (PR), onde abasteceu para a viagem final até o ponto de operação.
O volume de material já movimentado pela draga impressiona pela escala. Até o momento, a Galileo Galilei retirou 4,9 milhões de metros cúbicos de areia do canal da Baía Babitonga, quantidade equivalente ao conteúdo de duas mil piscinas olímpicas. Parte desses sedimentos foi depositada na orla de Itapoá, onde está sendo construída uma faixa de praia ampliada com 8 quilômetros de extensão. O projeto total conta com investimento de R$ 333 milhões viabilizado por parceria público-privada entre a administração portuária de São Francisco do Sul e Itapoá, operação considerada pioneira no Brasil por reaproveitar a areia extraída do canal para engordamento da costa.
Como a draga funciona e por que precisou ir à Europa

A Galileo Galilei opera pelo sistema de sucção com autotransporte. O processo consiste em posicionar um tubo no leito marinho enquanto um sistema de bombas aspira o composto de sedimento e água, transferindo o material para o porão da embarcação, chamado de hopper. Quando o compartimento atinge capacidade máxima, a draga navega até o ponto escolhido para descarga e deposita os sedimentos no fundo do mar ou os bombeia diretamente para a faixa de praia em terra.
-
Maior aeroporto privado em construção no Brasil avança em Goiás com pista homologada de 2 km, suporte para jatos executivos e promessa de funcionar em 2028, mas o projeto revela como o agro e a aviação de luxo estão redesenhando o interior do país
-
Operários abriram o chão em uma obra no centro de São Paulo e encontraram trilhos de bonde enterrados sob o concreto, revelando uma cidade esquecida desde a época em que a capital ainda dependia do transporte sobre trilhos
-
Ridicularizados como feios e ultrapassados, os blocos pré-fabricados que marcaram a antiga Berlim Oriental inspiram hoje uma nova geração de prédios montados em fábrica, apontada como uma saída para a crise de moradia na Europa
-
Quanto um pedreiro cobra para construir uma calçada simples em 2026? Veja os valores médios da mão de obra e os gastos extras mais comuns que podem aparecer ao longo do projeto
A viagem à Europa foi necessária porque embarcações desse tipo precisam cumprir cronogramas rigorosos de manutenção e certificação. Equipamentos de dragagem operam sob condições extremas de desgaste, com componentes expostos a abrasão constante pela areia e pela água salgada, e os certificados internacionais de segurança têm validade definida que obriga a draga a passar por inspeções periódicas independentemente do andamento da obra. A ausência temporária da Galileo Galilei não paralisou completamente o projeto em Itapoá: enquanto a draga esteve fora, outras frentes de trabalho avançaram no local.
O que aconteceu em Itapoá enquanto a draga estava na Europa
A parada da draga não significou parada da obra. Durante o período em que a Galileo Galilei esteve ausente, equipes concentraram esforços no plantio de mudas nativas na faixa de praia já ampliada, etapa fundamental para estabilizar a areia depositada e criar barreira vegetal que impeça a erosão marinha de devolver ao oceano o material colocado em terra. Mais de 25 mil mudas já foram plantadas, e a previsão é produzir 280 mil unidades até o final de 2026, utilizando seis espécies diferentes cultivadas em viveiros próprios montados para a obra.
A revegetação é tão importante quanto a própria dragagem. Sem raízes fixando a areia e sem vegetação reduzindo a ação direta do vento e das ondas, o alargamento de praia perderia volume progressivamente e a draga precisaria repetir o trabalho que já fez, tornando a operação inviável economicamente. O plantio de mudas nativas garante que os 8 km de praia ampliada mantenham sua forma ao longo dos anos, transformando uma intervenção de engenharia num ecossistema costeiro funcional que se sustenta por conta própria.
Por que a draga está aprofundando o canal da Baía Babitonga
A operação da draga na Baía Babitonga não serve apenas para alimentar o alargamento de Itapoá. O objetivo principal da dragagem é aprofundar o canal de navegação do complexo portuário, elevando a profundidade de 14 para 16 metros, ampliação que permitirá a entrada de navios de maior calado e aumentará a capacidade operacional dos portos da região. A curva do canal é o trecho mais crítico: historicamente, a profundidade reduzida nesse ponto limitava manobras e restringia o porte das embarcações que conseguiam acessar as instalações.
A areia retirada pela draga nesse aprofundamento é justamente o material que vai para a praia de Itapoá. Em vez de descartar os sedimentos em áreas de despejo oceânico, como ocorre em dragagens convencionais, o projeto aproveita o subproduto da obra portuária para criar infraestrutura turística e proteção costeira, modelo que os responsáveis classificam como pioneiro no país. Os 4,9 milhões de metros cúbicos já extraídos representam parcela do volume total previsto, e com o retorno da draga neste sábado a operação de R$ 333 milhões entra em nova fase de aceleração para cumprir o cronograma dentro do orçamento de R$ 333 milhões.
O que muda quando a draga completar a obra em Itapoá
Os 8 km de praia alargada transformam a configuração costeira do município. Uma faixa de areia mais ampla funciona como barreira natural contra ressacas e elevação do nível do mar, protege construções próximas à orla e amplia o espaço disponível para uso público, combinação que beneficia tanto a segurança dos moradores quanto o potencial turístico da região. Para Itapoá, que compete por visitantes com destinos consolidados do litoral norte catarinense, a praia ampliada representa diferencial concreto.
No lado portuário, os dois metros adicionais de profundidade no canal da Baía Babitonga significam acesso para embarcações que hoje precisam esperar condições de maré favoráveis ou simplesmente não conseguem entrar. Navios de maior porte transportam mais carga por viagem, reduzem o custo unitário do frete e aumentam a competitividade do complexo portuário de São Francisco do Sul frente a concorrentes como Paranaguá e Itajaí. A draga Galileo Galilei, de volta ao mar catarinense após a temporada europeia, carrega sobre seus sistemas de bombeamento o futuro econômico e ambiental de uma região que apostou R$ 333 milhões na ideia de que retirar areia do fundo do mar pode resolver dois problemas ao mesmo tempo.
E você, sabia que a areia da dragagem portuária está sendo usada para alargar praias? Acha que esse modelo deveria ser replicado em outras cidades litorâneas? Deixe sua opinião nos comentários.

Seja o primeiro a reagir!