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Análise de carvão de 780 mil anos revela como os primeiros seres humanos dominaram o uso do fogo em Israel

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 18/04/2026 às 22:11
Atualizado em 18/04/2026 às 22:13
Descoberta de carvão de 780 mil anos prova que hominídeos controlavam o fogo e selecionavam madeiras para fogueiras permanentes.
Descoberta de carvão de 780 mil anos prova que hominídeos controlavam o fogo e selecionavam madeiras para fogueiras permanentes.
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A análise de resíduos carbonizados em sítio arqueológico demonstra que o domínio do fogo para cozinhar e se aquecer ocorreu muito antes do que a ciência supunha.

O sítio arqueológico de Gesher Benot Ya’aqov, em Israel, tornou-se o cenário de uma descoberta fundamental sobre a evolução humana.

Pesquisadores identificaram fragmentos de carvão com 780 mil anos que comprovam que os primeiros hominídeos não apenas utilizavam o fogo de forma esporádica, mas dominavam técnicas de controle e manutenção. A análise detalhada das amostras de madeira carbonizada revela uma compreensão sofisticada sobre quais materiais eram mais eficientes para sustentar a combustão por longos períodos.

O domínio tecnológico do fogo no Pleistoceno

A descoberta baseia-se na identificação de microfragmentos de carvão distribuídos de maneira estratégica pelo sítio, indicando a existência de fogueiras planejadas.

O uso de carvão de 780 mil anos demonstra que os ancestrais humanos, possivelmente o Homo erectus, possuíam a capacidade cognitiva de manter o fogo aceso para proteção, aquecimento e processamento de alimentos. Essa habilidade representa um divisor de águas biológico, permitindo que o grupo expandisse suas atividades para além das horas de luz solar e sobrevivesse em climas mais frios.

Os cientistas observaram que a escolha das espécies de madeira não era aleatória, evidenciando um conhecimento botânico aplicado à sobrevivência. O carvão de 780 mil anos encontrado pertence majoritariamente a árvores que produzem chamas duradouras e estáveis, como o carvalho e o freixo.

Esse padrão de seleção sugere que os hominídeos já compreendiam as propriedades de combustão de diferentes biomas, selecionando combustíveis que garantissem a segurança do acampamento durante a noite.

Impactos na dieta e na evolução social

A presença contínua de fogo no sítio de Gesher Benot Ya’aqov está diretamente ligada à transição para o cozimento de alimentos, o que facilitou a digestão e a absorção de nutrientes.

Fragmentos de carvão de 780 mil anos foram localizados próximos a restos de sementes e ossos de animais, reforçando a teoria de que o fogo era o centro da vida social e alimentar. Cozinhar alimentos reduziu o gasto energético necessário para a mastigação, permitindo que mais energia fosse direcionada para o desenvolvimento do cérebro humano ao longo das gerações.

Além da nutrição, as fogueiras serviam como o primeiro grande catalisador de interação social complexa entre os indivíduos do grupo. O carvão de 780 mil anos marca o local onde os hominídeos se reuniam, promovendo a transmissão de conhecimentos e o fortalecimento de laços comunitários.

Essa organização em torno de uma fonte de luz e calor é considerada um dos pilares para o surgimento da linguagem e da cultura humana primitiva, transformando o ambiente hostil em um lar seguro.

Metodologia científica e análise de microcarvão

Para confirmar a antiguidade e a origem do material, os pesquisadores utilizaram técnicas avançadas de espectroscopia e microscopia eletrônica.

O estudo do carvão de 780 mil anos exigiu a análise de milhares de partículas microscópicas para diferenciar incêndios naturais de fogueiras produzidas por mãos humanas. A concentração localizada de resíduos carbonizados em camadas específicas do solo serviu como prova definitiva de que o fogo foi mantido de forma intencional e recorrente naquele local.

A pesquisa em Gesher Benot Ya’aqov também permitiu reconstruir o paleoambiente da região, mostrando um ecossistema rico em biodiversidade que oferecia recursos abundantes. O carvão de 780 mil anos preservado nos sedimentos do antigo lago Hula fornece um registro climático valioso sobre o período Pleistoceno Médio.

O sucesso dessa investigação redefine a cronologia da tecnologia humana, movendo a data do domínio definitivo do fogo para centenas de milhares de anos antes do que se estimava anteriormente.

Cliquei aqui para acessar o estudo.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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