Em apenas 12 meses, o planeta instalou 814 GW de energia solar e eólica — capacidade suficiente para gerar eletricidade equivalente a um sétimo de todo o gás natural queimado no mundo
O mundo nunca adicionou tanta energia limpa em um único ano. Em 2025, foram instalados 814 GW de nova capacidade solar e eólica, segundo dados do think tank global de energia Ember.
O número representa um aumento de 17% em relação a 2024, quando o recorde anterior havia sido de 696 GW. Dessa vez, a energia solar respondeu por 647 GW e a eólica por 167 GW.
Portanto, para cada gigawatt de energia eólica adicionado, o mundo instalou quase quatro de energia solar.
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O mais impressionante é o que esses 814 GW podem fazer. Segundo a Ember, a eletricidade gerada por essa nova capacidade — estimada em 1.046 TWh por ano — seria suficiente para substituir mais de um sétimo de toda a geração a gás natural do planeta.

Os números por trás do recorde: 4 terawatts globais e a solar que dobra a cada 3 anos
Com os 814 GW adicionados, a capacidade total global de energia solar e eólica alcançou 4.174 GW — ou seja, ultrapassou a marca de 4 terawatts pela primeira vez na história.
Para se ter dimensão, a energia solar global atingiu 1 terawatt em 2022. Apenas dois anos depois, em 2024, já havia chegado a 2 terawatts. A energia solar está dobrando a cada três anos por quatro ciclos consecutivos.
Além disso, a geração solar cresceu 31% no primeiro semestre de 2025 — novo recorde. A eólica avançou 7,7% no mesmo período.
- Nova capacidade solar em 2025: 647 GW (+11% vs 2024)
- Nova capacidade eólica em 2025: 167 GW (+47% vs 2024)
- Total global acumulado: 4.174 GW (4+ terawatts)
- Geração anual da nova capacidade: 1.046 TWh
- Equivalência: substitui 1/7 da geração global a gás natural
A China instalou mais energia solar sozinha do que todo o resto do mundo junto
Quando se fala em energia solar e eólica, a China está em uma liga própria. O país respondeu por 53% de todo o aumento global de geração solar em 2024.
Além disso, a China atendeu 81% de sua demanda extra de eletricidade apenas com fontes limpas. Para comparação, a geração solar global em 2025 equivale à demanda total de eletricidade da Índia inteira.
A energia solar adicionada globalmente evitou a emissão de 1,68 gigatonelada de CO₂ — volume equivalente a todas as emissões do setor elétrico dos Estados Unidos.
Contudo, inovações em painéis solares para varandas de apartamento mostram que a revolução solar não se limita a megaparques no deserto. A geração distribuída também cresce rapidamente.

Pela primeira vez na história, renováveis geraram mais eletricidade que o carvão
O primeiro semestre de 2025 trouxe um marco histórico. Pela primeira vez, as fontes renováveis — solar, eólica, hidrelétrica, bioenergia e geotérmica — geraram mais eletricidade do que o carvão globalmente.
A geração combinada de solar e eólica cresceu mais de 400 TWh no período, superando o crescimento total da demanda global de eletricidade.
“Isso é importante porque indica que os combustíveis fósseis não precisam mais crescer para atender nosso apetite por eletricidade”, destaca a análise da Ember.
Em 2024, as fontes de baixo carbono já respondiam por 40,9% da geração global de eletricidade, contra 39,4% em 2023. A hidrelétrica contribuiu com 14,3%, a nuclear com 9%, a eólica com 8,1% e a solar com 6,9%.
Novas tecnologias de armazenamento, como as baterias de sódio 50% mais baratas que lítio, prometem acelerar ainda mais essa transição nos próximos anos.

Os EUA querem bater o próprio recorde em 2026: 86 GW de nova energia limpa
Os Estados Unidos não ficam parados. Desenvolvedores e operadoras planejam adicionar 86 GW de nova capacidade de geração em 2026 — recorde para o país se realizado.
A energia solar representa 51% do total planejado, com 43,4 GW previstos — um aumento de 60% sobre o ano anterior. O armazenamento em baterias vem em seguida, com 24 GW, quase o dobro do recorde de 15 GW alcançado em 2025.
Se confirmados, os EUA adicionarão mais capacidade solar em 2026 do que toda a capacidade eólica instalada no mundo em 2024.
A demanda por eletricidade cresceu 4% em 2024, puxada por ondas de calor, veículos elétricos, data centers e resfriamento em países em desenvolvimento.
Apesar do recorde, combustíveis fósseis ainda dominam — e ondas de calor elevaram emissões
Por outro lado, é importante contextualizar. Apesar do marco renovável, os combustíveis fósseis ainda responderam por mais de 50% da geração global em 2024.
As ondas de calor recordes provocaram um pequeno aumento na geração fóssil e levaram as emissões do setor elétrico a um recorde histórico.
Além disso, a participação da energia nuclear caiu para seu nível mais baixo em 45 anos.
Os dados de 2025 ainda são parciais — cobrem apenas o primeiro semestre —, e as projeções dependem de que os países mantenham o ritmo de instalações.
Ainda assim, a tendência é inequívoca: o mundo está adicionando energia limpa mais rápido do que o crescimento da demanda. Pela primeira vez, a transição energética não é mais uma promessa — é um fato matemático.
