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Antes piada, Real, a moeda brasileira, agora desperta interesse global. ‘Queremos o real como moeda global’, diz executivo da Solana Foundation

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 23/05/2026 às 17:20
Atualizado em 23/05/2026 às 17:23
Real tokenizado atrai Solana e Binance, reacende debate sobre stablecoins, juros brasileiros, IOF e regulação cripto no Brasil.
Real tokenizado atrai Solana e Binance, reacende debate sobre stablecoins, juros brasileiros, IOF e regulação cripto no Brasil.
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Interesse global pelo real tokenizado cresce em meio à disputa por stablecoins, juros brasileiros e novas regras para ativos virtuais, enquanto empresas de blockchain defendem operações financeiras contínuas e reguladores avaliam os riscos de transformar moedas nacionais em instrumentos digitais de pagamento.

O real ganhou espaço no debate global sobre stablecoins e tokenização depois que executivos da Solana Foundation e da Binance defenderam, em São Paulo, o uso da moeda brasileira em ambientes blockchain para ampliar o acesso de investidores estrangeiros, reduzir custos operacionais e viabilizar transações financeiras contínuas.

A discussão ocorreu no painel “Infraestrutura digital: do real ao on-chain”, realizado em 15 de maio, durante o São Paulo Innovation Week 2026, em encontro com representantes do Banco Central, da Binance e da Solana Foundation no palco BeInCrypto.

O ponto central foi a possibilidade de transformar o real em uma moeda mais presente em redes digitais globais, por meio de stablecoins e ativos tokenizados, em um movimento que acompanha a expansão da infraestrutura financeira baseada em blockchain.

Real tokenizado entra no radar global

Durante anos, as stablecoins lastreadas no dólar concentraram a maior parte das discussões sobre dinheiro digital privado, especialmente pela liquidez da moeda americana e pela presença de emissores globais como Tether e Circle.

Nos últimos meses, porém, moedas de outros países passaram a ser analisadas com mais atenção por empresas do setor cripto, bancos, fintechs e reguladores, à medida que investidores buscam alternativas digitais para pagamentos, liquidação e exposição a diferentes economias.

Antonio Neto, head da Solana Foundation para a América Latina, afirmou que a organização enxerga espaço para o real circular com mais força em redes blockchain, especialmente em operações entre grandes grupos econômicos e investidores institucionais.

“Também queremos o real como moeda global. O que temos percebido é que dentro desses ambientes, grandes grupos podem circular esse dinheiro de forma mais eficiente”, disse Neto, ao defender a presença da moeda brasileira em estruturas on-chain.

A Solana Foundation é ligada ao ecossistema da Solana, rede blockchain usada para aplicações financeiras descentralizadas, emissão de tokens e transações digitais, além de estar entre os principais projetos do setor em valor de mercado.

Juros brasileiros ampliam interesse estrangeiro

O interesse estrangeiro pelo real também passa pelo diferencial de juros do Brasil, segundo Thiago Sarandy, gerente-geral da Binance no país, que apontou a remuneração da renda fixa brasileira como um dos atrativos para investidores internacionais.

Na avaliação do executivo, a estrutura atual ainda impõe barreiras relevantes para quem busca exposição à moeda brasileira por canais tradicionais, o que pode limitar o acesso de parte do capital estrangeiro ao mercado local.

“Tem interesse na taxa de juros brasileiro, mas para que um investidor global tenha acesso ele precisa de uma estrutura de pelo menos R$ 3 milhões. Então vemos com bons olhos a tokenização do real”, afirmou Sarandy.

A tokenização poderia, nesse contexto, permitir frações menores de investimento, liquidação mais rápida e funcionamento em horários fora do expediente bancário tradicional, embora qualquer avanço dependa de regras claras e controles contra riscos financeiros.

Além do acesso ao investidor internacional, o debate incluiu a eficiência de operações corporativas e financeiras, uma vez que blockchains públicas ou permissionadas permitem movimentações registradas em tempo real e com funcionamento ininterrupto.

Blockchain pressiona operações financeiras 24 horas

Sarandy também afirmou que a infraestrutura financeira tradicional precisa se adaptar a um ambiente em que investidores buscam liquidez fora do horário comercial, inclusive em fins de semana e feriados, quando mercados regulados costumam estar fechados.

“Quando olho para comprar cripto em um fundo de investimento só consigo ver a cotização depois de um dia e só consigo comprar antes das 14h. Se tiver guerra no fim de semana eu não consigo sair”, disse o executivo.

Em declaração ao Estadão E-Investidor no mesmo painel, Sarandy resumiu a tendência ao dizer que “as pessoas vão usar blockchain sem nem perceber”, ao tratar da integração gradual entre serviços financeiros convencionais e redes descentralizadas.

A fala reflete uma visão comum no setor cripto: a tecnologia pode passar a operar nos bastidores de pagamentos, investimentos e liquidação de ativos, sem exigir que o usuário final interaja diretamente com carteiras digitais complexas.

Ainda assim, participantes do mercado reconhecem que a expansão depende de segurança operacional, governança, integração com instituições reguladas e regras capazes de separar aplicações legítimas de usos ligados a fraude, evasão ou lavagem de dinheiro.

Banco Central ajusta regulação cripto no Brasil

O Banco Central publicou, em novembro de 2025, novas normas para o mercado de ativos virtuais, incluindo regras para prestadoras de serviços, exigências de autorização e enquadramento de determinadas operações com criptoativos em normas de câmbio e capitais internacionais.

As medidas fazem parte da implementação do marco legal dos criptoativos, aprovado em 2022, e passaram a valer em etapas ao longo de 2026, com obrigações relacionadas a autorização, reporte de informações, governança, controles internos e prevenção a ilícitos.

No caso das stablecoins, o Banco Central tem indicado uma abordagem mais cautelosa, porque esses ativos podem funcionar, na prática, como instrumento de pagamento, especialmente quando atrelados a moedas fiduciárias e usados em transferências internacionais.

Nagel Lisânias Paulino, chefe de divisão no Departamento de Regulação do Banco Central, afirmou no painel que as stablecoins aparentam estar mais próximas de meios de pagamento do que de instrumentos de investimento.

Segundo relato publicado pelo Estadão E-Investidor, Paulino também disse que a regulação amarrou stablecoins à referência a moedas fiduciárias, em razão da necessidade de tratamento específico para ativos digitais usados em pagamentos e transferências.

IOF sobre stablecoins segue em debate

A possibilidade de cobrança de IOF sobre operações com stablecoins continua entre os temas mais sensíveis para empresas do setor, especialistas tributários e investidores, principalmente quando esses ativos são usados em movimentações com referência cambial.

Embora o debate tenha avançado com as normas do Banco Central, ainda há discussões sobre o alcance tributário das regras, o momento de incidência do imposto e a diferença entre uma operação de câmbio tradicional e a transferência de um ativo virtual.

Sarandy afirmou que o risco de uma “tributação inadequada” preocupa o setor e citou a Índia como exemplo de mercado em que regras tributárias mais duras teriam levado parte das operações para ambientes descentralizados.

“O grande risco que deriva de stablecoin e ativo virtual como um todo é de tributação inadequada. Na Índia, o imposto de 1% acabou com o mercado e todos foram para o mercado descentralizado”, disse o executivo da Binance.

Na sequência, ele reforçou que a cobrança sobre ativos virtuais exige cautela e mencionou ataques hacker em finanças descentralizadas como um risco adicional quando usuários migram para estruturas fora de plataformas reguladas.

Stablecoins lastreadas em real ainda buscam escala

Apesar do entusiasmo de empresas globais, stablecoins lastreadas em real ainda têm presença menor quando comparadas aos tokens atrelados ao dólar, que concentram liquidez, pares de negociação e aceitação em exchanges internacionais.

O desafio para uma moeda digital privada referenciada no real envolve liquidez, confiança no emissor, transparência das reservas, aderência regulatória, integração com instituições financeiras e demanda real para pagamentos ou investimentos.

Para defensores da tokenização, o Brasil reúne condições relevantes por ter um sistema financeiro digitalizado, mercado de capitais sofisticado, experiência com pagamentos instantâneos e discussão regulatória ativa sobre ativos virtuais.

Por outro lado, reguladores tendem a observar riscos relacionados a estabilidade financeira, proteção do consumidor, controles contra crimes financeiros e eventual substituição de canais formais de pagamento por instrumentos privados de circulação digital.

A disputa em torno do real on-chain, portanto, não se limita à tecnologia.

Ela envolve a capacidade de transformar interesse externo, segurança jurídica e infraestrutura regulada em produtos financeiros que funcionem para investidores, empresas e autoridades monetárias.

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Jose
Jose
25/05/2026 06:46

Parece interessante o real marcar presença no mercado mundial de Tokenizacao, desde que nossa política esteja alinhada e com juros de iof compatível, o Brasil não consegue trabalhar com iof de 0,5 ou 0,3%.O brasil querem a máquina publica inchada e juros de 3% de iof e leis que encurrala o investidor e com tendência parecido com da Índia. Agora vamos buscar um bom entendimento para que todos no país possam investir e também transacionar com stablecoins atrelado ao real.Que venha a novidade e seja boa.
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João carlos
João carlos
Em resposta a  Jose
28/05/2026 17:16

Mais uma forma de tributar os investidores, de rastrear e com uma gestão fraudulenta como enfrentamos hoje no país, seria uma arma contra a economia para a população, principalmente pela citação que os usuários nem teriam conhecimento das transações. Absurdo isso.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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