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Quando a Antártida ficou sem gelo pela última vez e o que a ciência revela sobre o CO2, clima extremo e o surgimento das geleiras gigantes

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 20/04/2026 às 14:00 Atualizado em 20/04/2026 às 14:03
Iceberg gigante com arco natural flutuando no oceano da Antártida, com águas escuras e céu nublado ao fundo
Iceberg com formação em arco ilustra a dinâmica das geleiras e a transformação da Antártida ao longo de milhões de anos
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A história da Antártida sem gelo ajuda a entender o papel do CO2, do clima e dos oceanos nas mudanças das calotas polares ao longo de milhões de anos

A Antártida nem sempre foi coberta por gelo, o que revela uma transformação profunda no clima da Terra ao longo de milhões de anos. Atualmente, o continente apresenta uma calota de gelo com quilômetros de espessura, o que define seu cenário extremo. No entanto, registros geológicos mostram que já existiram florestas, solos expostos e vegetação adaptada ao frio, o que indica um ambiente completamente diferente do atual. Esse contraste permite que cientistas compreendam melhor o papel do CO2 na atmosfera, além de avaliar como mudanças graduais podem provocar impactos significativos no clima global.

Quando a Antártida deixou de ser um continente sem gelo

A última fase em que a Antártida esteve amplamente livre de gelo ocorreu há cerca de 34,4 milhões de anos, durante a transição entre o Eoceno e o Oligoceno. Antes desse período, o planeta apresentava um clima global mais quente, com níveis do mar elevados e ausência de grandes mantos de gelo. Nesse contexto, o continente possuía paisagens semelhantes às tundras e florestas de coníferas do hemisfério Norte, o que evidencia a presença de ecossistemas diversificados. Esse cenário reforça que a Terra já operou sob condições climáticas muito diferentes das atuais.

Como o CO2 e o clima influenciaram o congelamento

A transformação da Antártida está diretamente associada à redução do CO2 atmosférico, que alterou o equilíbrio térmico do planeta. Entre 60 e 50 milhões de anos atrás, os níveis de dióxido de carbono eram significativamente mais elevados, intensificando o efeito estufa natural. Com o passar do tempo, processos naturais reduziram esse gás, o que provocou um resfriamento gradual. Segundo análises de instituições como a NASA e o IPCC, essa transição ocorreu ao longo de milhões de anos e resultou na formação das grandes calotas de gelo.

Nesse processo, fatores importantes foram observados pelos cientistas, o que ajuda a explicar essa mudança climática:

A redução do CO2 ocorreu gradualmente devido ao intemperismo de rochas e à atividade tectônica.
As superfícies cobertas de neve passaram a refletir mais radiação solar, intensificando o resfriamento.
A expansão das geleiras alterou o nível do mar e a circulação oceânica global.
Reservas costeiras de carbono liberaram CO2 de volta à atmosfera, modulando o equilíbrio climático.

A influência da passagem de Drake na Antártida

A reorganização dos continentes também teve papel decisivo no congelamento do continente antártico. A separação entre a América do Sul e a Antártida permitiu a formação da passagem de Drake, o que possibilitou a circulação contínua das águas ao redor do polo Sul. Como consequência, surgiu a corrente circumpolar antártica, que passou a isolar o continente de águas mais quentes.

Esse novo padrão oceânico provocou mudanças importantes, o que contribuiu diretamente para a manutenção das baixas temperaturas:

O isolamento térmico da Antártida em relação a regiões mais quentes.
A redução da entrada de ar quente e úmido no continente.
A manutenção de temperaturas baixas, favorecendo a formação de gelo.
Alterações no ciclo do carbono ligadas à tectônica e à atividade vulcânica.

A Antártida pode voltar a ficar sem gelo

Do ponto de vista geológico, a Antártida pode voltar a ser um continente sem gelo em um futuro distante. Em períodos anteriores, o planeta apresentou níveis muito elevados de CO2, com clima mais quente e ausência de gelo nos polos. Atualmente, parte dessa possibilidade está relacionada às emissões humanas de gases de efeito estufa, que influenciam o sistema climático global.

Modelos climáticos analisados pelo IPCC indicam que o derretimento completo da calota não deve ocorrer em poucos séculos. Ainda assim, perdas parciais já seriam suficientes para elevar o nível do mar em vários metros, o que impactaria regiões costeiras. Esse cenário reforça a importância de estudar o passado climático, pois a Antártida sem gelo funciona como um registro natural essencial para compreender a sensibilidade das geleiras, mas até que ponto pequenas mudanças podem transformar completamente o planeta novamente?

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Caio Aviz

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