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O monstro de 17 metros e 20 toneladas que os EUA construíram em 1939 para dominar a Antártida — e que só conseguia se mover dirigindo de ré: o Snow Cruiser custou US$ 150 mil e foi abandonado para sempre

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 08/05/2026 às 19:00
Antarctic Snow Cruiser de 1939 abandonado nos EUA na Antártida
O Antarctic Snow Cruiser de 17 metros foi abandonado na Antártida em 1940. Imagem ilustrativa.
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Em 1939, os Estados Unidos construíram em apenas 11 semanas um monstro de 17 metros e 20 toneladas batizado de Antarctic Snow Cruiser para dominar a Antártida em uma expedição liderada pelo almirante Richard Byrd. O veículo custou US$ 150 mil — fortuna para a época. Conforme registros históricos compilados pela Wikipedia, ele falhou no primeiro teste e foi abandonado para sempre na Antártida.

O projeto foi do engenheiro Thomas Poulter, ex-subcomandante da Segunda Expedição Antártica de Byrd em 1934. Poulter passou dois anos desenvolvendo o conceito a partir de 1937. Quando finalmente saiu da prancheta, virou aquele que ainda hoje é considerado um dos maiores fracassos de engenharia polar do século 20.

O Snow Cruiser tinha 55 pés (17 metros) de comprimento e 15 pés (4,6 metros) de largura. Foi construído para abrigar quatro a cinco tripulantes por um ano inteiro. Levava combustível, comida, equipamento científico e até um pequeno avião de reconhecimento no teto.

Como o Antarctic Snow Cruiser virou monumento de fracasso

O primeiro tropeço aconteceu antes mesmo de sair dos Estados Unidos. O Snow Cruiser precisou viajar de Chicago a Boston por terra, atravessando mais de mil milhas para embarcar no porto. No caminho, caiu em um riacho em Ohio. A operação para tirá-lo levou vários dias.

Conforme o Byrd Polar and Climate Research Center da Universidade do Estado de Ohio, multidões se reuniram nas estradas para ver o gigante passar. Era novidade absoluta: nada daquela escala já tinha rodado em via pública. Apesar disso, o veículo já mostrava sinais do problema fundamental.

O problema fundamental eram os pneus. A escolha foi por pneus completamente lisos, sem desenho. A teoria era que pneus sem desenho não acumulariam neve. Por outro lado, sem desenho não havia aderência sobre o gelo. O paradoxo da engenharia ficou claro logo no primeiro teste.

O detalhe absurdo: dirigir só de ré para se mover

O Snow Cruiser embarcou para a Antártida no USCGC North Star em 15 de novembro de 1939. Depois do desembarque na Pequena América III, base americana no continente gelado, a equipe descobriu o pior. Indo para a frente, os pneus lisos derrapavam imediatamente.

O Antarctic Snow Cruiser só conseguia tração andando de ré, segundo registros. Imagem ilustrativa.

Apesar disso, alguém da equipe percebeu uma coisa estranha. Os pneus geravam muito mais aderência quando o veículo era guiado em ré. Como resultado, o maior trecho percorrido em sua história foi de 92 milhas — todas dirigidas de marcha à ré.

É talvez o caso mais absurdo de paradoxo de inversão da engenharia americana do século 20. Construir um monstro de 17 metros para conquistar a Antártida e descobrir, no campo, que ele só funciona andando para trás. Essa imagem virou folclore polar.

O abandono e o desaparecimento misterioso

Em 22 de dezembro de 1940, o Antarctic Snow Cruiser foi abandonado na base de Little America III. Os americanos voltaram para casa. A Segunda Guerra Mundial estava começando, e a expedição terminou abruptamente sem conclusões científicas significativas dele.

Conforme as imagens compiladas pelo Rare Historical Photos, o veículo foi redescoberto em 1958, soterrado por uma camada profunda de neve. Estava intacto, congelado no tempo. A fotografia ainda existe e parece um filme de ficção científica.

Depois disso, o Snow Cruiser desapareceu novamente, dessa vez devido ao deslocamento das placas de gelo da plataforma Ross. Sua localização atual é desconhecida há mais de seis décadas. Pesquisadores acreditam que ele tenha derivado mar adentro, talvez já submerso no oceano Antártico.

Por que essa história importa em 2026

O Snow Cruiser é um lembrete de que monumentos de engenharia podem ser monumentos de fracasso. Tamanho não é capacidade. Ambição sem teste de campo vira gasto de US$ 150 mil derretendo na Antártida. É uma lição que se aplica a qualquer projeto de fronteira hoje.

De fato, o Brasil entra em alguma versão dessa armadilha em obras grandes. Belo Monte, Comperj, Refinaria Abreu e Lima — todos cresceram primeiro e descobriram problemas operacionais depois. Apesar disso, a Antártida cobra mais rápido a fatura.

Em última análise, o Antarctic Snow Cruiser é o tipo de história que ensina sem precisar prescrever. No entanto, sua imagem mais famosa — uma máquina enorme dirigindo de ré para frente — fica como metáfora bonita do que é perseguir a fronteira sem testar antes.

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Adriano
Adriano
13/05/2026 10:01

Troca a foto amigo, tem a foto do original no google, não tem nada haver com esse ônibus escolar aí kkkk

Darcí Reali
Darcí Reali
09/05/2026 10:44

E a imagem é errada: traz pneus raiados quando a razão do fracasso foram os pneus lisos…

Cesar Barros
Cesar Barros
09/05/2026 07:09

Custava colocar imagens reais na matéria? Essas “ilustrativas” demonstram que a IA estava bêbada junto com o autor da matéria, pois nem passaram por uma revisão.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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