1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Amazônia enfrenta problema invisível além do desmatamento: lixão a céu aberto perto de Manaus ameaça água, agricultura e turismo, enquanto aterro sanitário surge como saída para substituir descarte irregular e proteger comunidades de Iranduba
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

Amazônia enfrenta problema invisível além do desmatamento: lixão a céu aberto perto de Manaus ameaça água, agricultura e turismo, enquanto aterro sanitário surge como saída para substituir descarte irregular e proteger comunidades de Iranduba

Escrito por Carla Teles
Publicado em 29/05/2026 às 19:21
Atualizado em 29/05/2026 às 19:27
Assista o vídeoAmazônia enfrenta problema invisível além do desmatamento lixão a céu aberto perto de Manaus ameaça água, agricultura e turismo, enquanto aterro sanitário surge como saída (2)
Lixão na Amazônia ameaça água em Iranduba, enquanto aterro sanitário surge como saída para reduzir descarte irregular.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Em Iranduba, a cerca de 20 km de Manaus, o lixão a céu aberto expõe moradores, agricultores e áreas turísticas a riscos associados ao lixo sem controle, enquanto o debate sobre aterro sanitário separa medo, desinformação, reciclagem e necessidade de proteger água, solo e comunidades amazônicas vulneráveis hoje locais.

Um lixão a céu aberto em Iranduba, no Amazonas, virou símbolo de um problema que vai além do desmatamento na Amazônia. A situação afeta comunidades rurais, agricultores, áreas de balneário e pontos turísticos próximos de Manaus, em uma região onde o descarte irregular de resíduos preocupa moradores e lideranças locais.

Em vídeo publicado no canal Richard Rasmussen, o caso envolve moradores, associações comunitárias, produtores rurais, catadores, visitantes e autoridades responsáveis pela gestão de resíduos. O debate ganhou força diante da possibilidade de substituição do lixão por um aterro sanitário, alternativa que, quando feita com controle técnico, pode reduzir impactos sobre solo, água e saúde pública.

Lixão na Amazônia mostra problema que não aparece nas fotos da floresta

Lixão na Amazônia ameaça água em Iranduba, enquanto aterro sanitário surge como saída para reduzir descarte irregular.
Imagem: Reprodução/YouTube/Richard Rasmussen.

Quando se fala em Amazônia, a imagem mais comum é a da floresta em pé, dos rios e da biodiversidade. Mas a região também abriga cidades, comunidades, agricultores, turismo e milhões de pessoas que produzem resíduos todos os dias. O lixo deixou de ser apenas orgânico há muito tempo.

Plástico, vidro, embalagens, restos de alimentos, metais e outros materiais passaram a fazer parte da rotina amazônica. Sem uma destinação correta, esse volume se acumula em áreas abertas, formando lixões que atraem urubus, geram mau cheiro, liberam fumaça em períodos de queima e ampliam o risco de contaminação ambiental.

Iranduba vive entre agricultura, turismo e pressão do descarte irregular

Iranduba fica perto de Manaus e tem forte presença de agricultura familiar. Pequenos produtores cultivam alimentos que abastecem mercados e sustentam famílias locais. Por isso, a preocupação com a água e o solo não é abstrata: ela está ligada diretamente ao que se planta, colhe e consome.

Moradores relatam incômodo com fumaça, cheiro forte e receio sobre o lençol freático. Em áreas rurais, muitos dependem de poços para consumo doméstico e irrigação. Quando um lixão opera sem estrutura adequada, a dúvida sobre a qualidade da água passa a atingir não apenas quem vive perto, mas também quem compra os produtos dessa região.

Balneários e turismo também entram na rota da preocupação

A região de Iranduba não vive apenas da agricultura. Balneários, ruínas históricas, comunidades tradicionais e experiências de turismo cultural também fazem parte da economia local. Paricatuba, por exemplo, recebe visitantes interessados em história, natureza e vivência amazônica.

O problema é que o turismo depende de percepção ambiental. Água limpa, paisagem preservada e ausência de lixo visível são fatores decisivos para visitantes. Se a imagem da região passa a ser associada a plástico, mau cheiro ou contaminação, o prejuízo pode ir além da saúde e alcançar a renda de famílias que dependem do fluxo turístico.

Comunidades relatam falta de estrutura para separar e reciclar resíduos

Lideranças locais defendem que a separação de resíduos comece antes do descarte final. A coleta seletiva, quando organizada, pode permitir que catadores trabalhem com material mais limpo, reduzindo contato direto com chorume, restos orgânicos e rejeitos contaminados.

Esse ponto é importante porque o lixo também gera renda. Recicláveis como plástico, papelão, metais e garrafas podem ser vendidos, desde que cheguem separados e em condições adequadas. O desafio é transformar uma atividade feita em situação insalubre em uma cadeia formal, segura e economicamente mais organizada.

Aterro sanitário não é a mesma coisa que lixão

Lixão na Amazônia ameaça água em Iranduba, enquanto aterro sanitário surge como saída para reduzir descarte irregular.
Imagem: Reprodução/YouTube/Richard Rasmussen.

Uma das maiores confusões no debate é tratar aterro sanitário e lixão como se fossem iguais. O lixão recebe resíduos diretamente no solo, sem controle adequado, sem impermeabilização, sem drenagem eficiente de chorume e sem cobertura diária organizada.

Já um aterro sanitário é uma obra de engenharia. Ele precisa de licenciamento, controle de entrada, impermeabilização do solo, drenagem de gases e líquidos, compactação, cobertura dos resíduos, monitoramento ambiental e responsabilidade técnica. Quando bem planejado e fiscalizado, o aterro sanitário reduz riscos que o lixão deixa espalhados no ambiente.

Medo da população precisa ser respondido com informação e fiscalização

Parte da resistência ao aterro sanitário nasce do medo de trocar um problema por outro. Essa preocupação não deve ser ignorada. Moradores têm direito de saber onde a estrutura será instalada, quais tecnologias serão usadas, como o chorume será tratado e como a água subterrânea será monitorada.

Também é necessário garantir transparência sobre licenças, condicionantes ambientais, rotas de caminhões, vida útil da operação e inclusão dos catadores. A solução não pode ser imposta apenas como promessa técnica; ela precisa ser acompanhada, explicada e fiscalizada pela sociedade.

Lixo mal destinado é problema ambiental tão grave quanto invisível

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

O desmatamento costuma dominar o debate sobre a Amazônia, mas saneamento básico e resíduos sólidos também são urgências ambientais. Quando o lixo sai da frente das casas e vai para um ponto afastado, o problema não desaparece. Ele apenas muda de lugar.

Em áreas úmidas, com chuva intensa e rios próximos, o risco de espalhamento é ainda maior. O chorume pode atingir o solo, a água pode carregar resíduos para igarapés e rios, e a queima irregular pode afetar a qualidade do ar. Na prática, o lixão transforma um problema doméstico em um problema coletivo.

A saída depende de aterro, reciclagem e educação ambiental ao mesmo tempo

Substituir um lixão por aterro sanitário pode ser um avanço, mas não resolve tudo sozinho. A gestão correta precisa incluir coleta regular, separação de recicláveis, compostagem quando possível, educação ambiental e apoio a cooperativas ou associações de catadores.

Também é necessário reduzir o volume enviado ao aterro. Quanto mais material reciclável for reaproveitado, menor será a pressão sobre a estrutura final de disposição. Assim, agricultores, comunidades, poder público, empresas e moradores entram no mesmo processo de responsabilidade compartilhada.

Agora fica a pergunta: o aterro sanitário, com fiscalização rigorosa e inclusão dos catadores, pode ser a melhor saída para substituir o lixão em Iranduba, ou a população ainda tem razão em temer novos impactos? Deixe sua opinião nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x