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Agricultores australianos enfrentam calor extremo e ameaças à produção de alimentos, setor de US$ 94 bilhões pede apoio urgente e adaptação climática rápida

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 18/02/2026 às 17:34 Atualizado em 18/02/2026 às 17:36
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Na Austrália, agricultores identificam riscos climáticos com US$ 94 bilhões em produção, adotam técnicas adaptativas para proteger gado, culturas e cadeias de abastecimento, e alertam governos sobre necessidade de investimentos imediatos em infraestrutura e políticas agrícolas

A primeira Avaliação Nacional de Riscos Climáticos da Austrália aponta que o setor agrícola já sente os impactos do aumento das temperaturas, mudanças nas estações de cultivo e interrupções nas cadeias de abastecimento. Produtores destacam que, embora estejam se adaptando, é urgente apoio governamental para manter a produção alimentar e proteger comunidades rurais.

O relatório mostra que até mesmo raças de gado resistentes ao calor, como a Brahman, sofrem com extremos térmicos, afetando produtividade e bem-estar animal. Queimaduras solares em frutas, crescimento deficiente das pastagens e estações de cultivo mais curtas contribuem para reduzir a quantidade e qualidade dos alimentos disponíveis.

O setor agrícola australiano, que movimenta US$ 94 bilhões, se vê como parte da solução, mas alerta que precisará de investimentos em infraestrutura, assistência técnica e políticas setoriais robustas para enfrentar os desafios futuros.

Estresse térmico e impacto direto nas culturas e no gado

O calor extremo reduz a produtividade das culturas, prejudica o crescimento das pastagens e causa estresse nos bovinos. Frutas podem sofrer queimaduras solares, enquanto culturas que dependem de noites frias têm florescimento comprometido. O efeito cascata ameaça a saúde dos trabalhadores rurais, a segurança alimentar e a economia regional.

A Avaliação Nacional de Riscos Climáticos classifica o risco atual para a agricultura como moderado a alto, podendo chegar a muito alto até 2050, especialmente em regiões do norte do país, como Queensland, que concentra 18 das 20 áreas mais expostas ao calor.

Foi indicado que até mesmo o gado adaptado ao calor, como o Brahman, seria afetado por temperaturas extremas

Agricultores adaptam práticas, mas pedem apoio governamental

Produtores como Shane McCarthy, da AgForce Queensland, destacam que os agricultores já aplicam métodos de pastoreio inteligente e gestão do solo que permitem sequestrar carbono e aumentar resiliência. No entanto, ele alerta que as políticas públicas precisam envolver a indústria desde o início, aproveitando o conhecimento local.

Jo Sheppard, da Federação de Agricultores de Queensland, reforça que o aprimoramento do manejo do solo, da irrigação, eficiência energética e rotação de culturas deve ser apoiado com investimentos, para que os agricultores se preparem melhor para eventos climáticos extremos.

Pesquisas, tecnologias e mercado de carbono como aliados

Dados de satélite e modelagem de biomassa de pastagens já estão sendo testados em mais de 100 locais na América Latina e África, permitindo que os produtores monitorem em tempo real onde os animais devem pastar para otimizar a forragem e reduzir emissões de metano.

Segundo a FAO, mercados voluntários de carbono podem gerar financiamento essencial para apoiar agricultores na transição para sistemas agroflorestais e práticas regenerativas. A expectativa é que essas soluções ajudem a mitigar emissões e aumentar a resiliência do setor.

Investimento em biocombustíveis como estratégia de descarbonização

O governo australiano anunciou um aporte de US$ 1,1 bilhão para acelerar a produção de combustíveis líquidos de baixo carbono, feitos a partir de canola, sorgo, açúcar e resíduos locais. A meta é substituir combustíveis fósseis em caminhões, navios e usinas, com a primeira produção prevista para 2029.

Dan Galligan, da Canegrowers Queensland, afirma que o investimento em biocombustíveis fortalecerá as economias regionais e ajudará a descarbonizar a agricultura, alinhando produção de energia e segurança alimentar.

A Austrália já demonstra adaptação, mas governos precisam corresponder com políticas de longo prazo, investimento em infraestrutura e suporte técnico para que os agricultores continuem produzindo alimentos de alta qualidade, enfrentando calor extremo e mudanças climáticas.

Você acha que os governos australianos estão investindo o suficiente para proteger o setor agrícola diante do calor extremo e das mudanças climáticas? Comente abaixo sua opinião!

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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