Importado pela Dal Tecnologia, robô colhedor de laranja usa drones ligados a uma base móvel, identifica frutos maduros e mira grandes fazendas brasileiras diante da falta de mão de obra no campo
Robôs colhedores de laranja importados da startup israelense Tevel já estão em testes no Brasil após chegarem ao país pela Dal Tecnologia. Apresentada na 51ª Expocitros, em Cordeirópolis (SP), a tecnologia voa entre os pomares, identifica frutos maduros e pode operar de forma autônoma em grandes fazendas.
Robôs colhedores de laranja funcionam presos a uma base móvel
Os chamados robôs aerobóticos lembram pequenos drones e trabalham ligados por cabos a uma base móvel terrestre.
Essa base fornece energia, transporta os frutos colhidos em cestos e processa os dados captados pelas câmeras instaladas nos equipamentos.
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Com sensores, câmeras e software acoplado, o sistema localiza as laranjas, avalia tamanho, cor e ponto de maturação, e faz a colheita uma a uma.
A retirada pode ocorrer por sucção, com uma estrutura semelhante a um braço e uma borracha na ponta.
Também há a opção de uso de um cortador, chamado de “trimmer”, para cerrar o caule da fruta. Nesse formato, a laranja cai no solo e, por causa da queda, fica destinada à fabricação de suco. Já as frutas colhidas por sucção podem ir à mesa.
Tecnologia mira topo das árvores e produtividade
Segundo Alexandre Luque, diretor de operações da Dal Tecnologia, os robôs não chegam para substituir colhedores, mas para atuar de forma complementar. O foco está na parte superior das árvores, onde a colheita manual é mais difícil e pode elevar riscos.
Luque afirma que muitos produtores podam as árvores entre 3,5 e 4 metros para facilitar o trabalho manual e reduzir acidentes.
A consequência é que árvores mais baixas podem limitar a produção, já que uma planta mais alta teria maior potencial produtivo.
A tecnologia tenta responder justamente a esse ponto: colher onde a mão de obra humana tem mais dificuldade de chegar.
Para a empresa, a falta de trabalhadores no campo tende a ampliar a adoção desse tipo de equipamento no Brasil.

Sistema com seis drones pode colher uma fruta a cada dois segundos
A produtividade é outro ponto destacado pela Dal Tecnologia. Um drone colhe uma fruta a cada 12 segundos.
Um conjunto completo comercializado pela empresa tem seis drones, o que permite uma fruta colhida a cada dois segundos quando todos estão em operação.
Roberto Carlos de Sousa, diretor de negócios da companhia, destaca esse desempenho dentro do conjunto completo. Luque acrescenta que a estrutura pode operar 24 horas por dia, sete dias por semana.
Sousa também revela que há projetos-piloto remunerados em andamento em uma das principais fabricantes de sucos com forte presença no Brasil, responsável pelos investimentos nos testes.
Foco inicial está em laranja e maçã
A Dal Tecnologia importou os robôs há cerca de dois anos. Desde então, eles estão em fase de divulgação e testes em grandes fazendas de laranja no Brasil.
Na Europa, a tecnologia existe há cerca de oito anos e já é usada comercialmente sobretudo na colheita de maçãs.
No Brasil, o foco principal será a laranja, mas a empresa também oferece o sistema para produtores de maçã.
Produtores de goiaba, pera e pêssego já demonstraram interesse. Apesar disso, Luque afirma que o algoritmo ainda precisa ser aprimorado para uma colheita efetiva dessas frutas. Por enquanto, a empresa mantém o desenvolvimento concentrado em laranja e maçã.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da Dal Tecnologia e declarações de Alexandre Luque e Roberto Carlos de Sousa, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

