Com baixa oferta internacional de aço e valor do frete impactado, siderúrgicas do Brasil encontram necessidade de aumentar preço do aço
Devido ao conflito entre Rússia e Ucrânia, o mercado mundial tem sido afetado de diversas formas, sendo uma delas o aumento do preço do aço. Assim, as siderúrgicas do Brasil também têm seguido os valores internacionais do aço. De acordo com especialistas da área, os preços do vergalhão da Gerdau no Brasil aumentaram de 6% a 9%. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), realizará aumentos de entre 8% a 10%, até o início de abril, no máximo. Até o momento, Usiminas não divulgou alterações, mas é provável que siga no mesmo caminho.
O acréscimo da Gerdau segue uma equação de semelhança de importação fortemente reduzida, superior a 20%, diante de níveis de equilíbrio de 5%. Ainda nesta semana, foi publicado um relatório pelo BTG Pactual em que os analistas Caio Greiner e Leonardo Correa afirmaram que os valores dos aços longos estavam menores em comparação à paridade há muito tempo, o que mostra que as condições de demanda continuavam fracas.
“No entanto, com a recente recuperação (acentuada) dos preços do vergalhão turco para cerca de US$ 880 (+30% no acumulado do ano) e pressões de custo renovadas (após o conflito Rússia/Ucrânia), o grande desconto no preço doméstico faz pouco sentido para nós. Acreditamos que a implementação parcial (pelo menos) seja provável”, disseram os analistas.
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As próximas horas serão de tensão crescente em torno do viés a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) com relação à taxa básica de juros (Selic), ao cabo da reunião dessa quarta-feira (17). Embora o mercado se apresente ‘dividido’ quanto à decisão do colegiado, a tendência mais forte das últimas semanas é de que a taxa se mantenha inalterada no patamar atual de 14,50% ao ano. Já uma ala minoritária ainda ‘aposta’ em uma queda 0,25 ponto percentual (p.p).
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O diretor executivo comercial da CSN, Luis Fernando Barbosa Martinez, falou que a empresa de aço corrigirá os preços dos produtos laminados, aços longos e de embalagens, aproveitando a grande demanda de aço no Brasil. Há algumas semanas, a siderúrgica, que pretendia expandir suas vendas internas e externas, já havia comunicado a seus clientes de aços planos que subiria seus preços a partir da perda de uma parcela dos descontos concedidos nos últimos meses de 2021 como método de atenuar a concorrência com o aço do exterior.
Durante reunião virtual com analistas sobre os dados do quarto trimestre (4T21), Martinez voltou nesta questão como solicitado pelos especialistas dos bancos. Ele explicou que no exterior os valores dos produtos aumentaram logo que o conflito no Leste Europeu se iniciou. Segundo ele, lá fora o setor já estava retomando suas margens, o que não seria diferente aqui. “Dentro da equação de oferta e demanda, alta forte dos custos, diminuição das importações e dólar haverá espaço para recuperar preço ainda neste mês ou início do próximo da ordem de 8% a 10%”, comentou o diretor da siderúrgica.
Em 2021, as principais razões pelas quais a CSN fortaleceu suas transações e atingiu um faturamento de cerca de R$ 48 bilhões. Conforme o diretor da companhia, a estimativa para este ano é que o mercado permaneça favorável quanto à demanda por aço, o que deve amparar os preços internacionais durante esse pequeno prazo.
Impactos do conflito no Brasil
Pouco antes do início da guerra, Carlos Loureiro, presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), afirmou que prováveis sanções à Rússia trariam benefícios quanto aos preços e ao mercado para as siderúrgicas exportadoras de aço do Brasil. Agora, vê-se que foi exatamente isso que ocorreu: a oferta externa de aço foi reduzida com a pausa no fornecimento de produtos russos e ucranianos, a logística mundial de mercadorias afetou o valor do frete e o preço aumentou.
Além do aço, outras commodities foram afetadas, preocupando governos ao redor do mundo. Aconteceu a subida nos preços do petróleo e combustíveis, no alumínio, minério de ferro, níquel e paládio, produtos exportados pelos dois países conflitantes.
Os representantes da Coalizão Indústria comunicaram, durante uma reunião, que o Índice de Commodities Brasil (IC-Br), realizado pelo Banco Central, obteve variação positiva acumulada de 39,3% entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2022. Já o IC-Br dos metais aumentou 41,1% durante o mesmo período. O índice mundial, feito pelo Commodity Research Bureau (CRM), apontou avanço de 27,9% também na mesma época.

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