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Guerra dispara preço do níquel, metal essencial para a bateria dos carros elétricos

11 de março de 2022 às 13:57
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Foto: Reprodução Google Imagens/ InstaCarros

O metal usado na produção de carros elétricos foi negociado na London Metal Exchange em US$ 101.365 por tonelada. A alta do preço do níquel ocorreu devido à guerra da Rússia contra a Ucrânia

Nessa terça-feira (9), o níquel foi negociado ao valor de US$ 101.365, aproximadamente o dobro da alta histórica, que ocorreu em 2007. A alta no preço do metal usado nas baterias dos carros elétricos ocorreu devido à guerra da Rússia, que é o terceiro maior produtor de níquel do mundo.

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Apesar de ser relacionado com moedas pequenas, o níquel é um metal semiprecioso, como o cobre e o titânio. Na cotação atual, causada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, o níquel está valendo cerca de quatro vezes o mesmo peso em cobre e dez vezes em titânio.

Teoricamente, a guerra entre Rússia e Ucrânia favoreceria a compra e uso de carros elétricos, pois a Rússia é a maior fornecedora de gasolina do continente europeu. Contudo, a Europa não aprova a dependência de um país com a política externa da Rússia. A dependência é o motivo no qual as sanções não podem ser absolutas.

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A alta no preço do níquel está diretamente ligada à guerra entre Rússia e Ucrânia. A Rússia responde por 13% da capacidade global de mineração e é o terceiro maior produtor de níquel do mundo, o que gera o temor de que o país não consiga exportar a commodity e, consequentemente, haja escassez.

Rystad Energy, empresa de pesquisa energética, relatou que o receio de interrupção no fornecimento do níquel após a guerra está se agravando e incitando compras extensas de níquel.

O níquel geralmente é utilizado para substituir o cobalto no revestimento das células em carros elétricos. Além disso, o níquel é utilizado na produção de ligas para ímãs, aço inoxidável e cordas de guitarras. O aumento do preço do níquel levaria a um crescimento no custo da produção dos carros elétricos. De acordo com relatório da Agência Internacional de Energia, uma duplicação dos preços do lítio ou do níquel induziria um aumento de 6% nos custos da bateria.

As empresas de carros elétricos no geral costumam substituir o cobalto por níquel, pois o custo de mineração é mais baixo. A Tesla, exemplo, produzirá dois tipos de bateria futuramente, que se diferenciarão pelo metal utilizado

De acordo com o Olhar Digital, os modelos de entrada possuirão materiais produzidos através do ferro, já os carros elétricos mais sofisticados possuirão as células cilíndricas 4680 de próxima geração, possuindo um cátodo rico em níquel.

Produção de baterias para carros elétricos na União Europeia poderá ser prejudicada

As sanções econômicas contra a Rússia foram responsáveis pelo aumento do custo das matérias-primas. De acordo com a Rystad Energy, os fabricantes de baterias estão enfrentando cada vez mais dificuldades para lidar com a alta de preço dos minerais.

A adoção de uma química baseada em fosfato de ferro-lítio é uma alternativa para o níquel na produção dos carros elétricos. As baterias de fosfato de ferro-lítio podem ser carregadas em 100% da capacidade e são menos propensas a fugas térmicas. Porém, há um lado negativo: o mau desempenho em climas mais frios.

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