Um trajeto ferroviário raro no Brasil liga Espírito Santo e Minas Gerais em uma viagem diária de longa distância, cercada por cidades do interior, operação centenária e mudanças recentes na frota que recolocaram a linha no radar dos passageiros.
O trem de passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas mantém uma operação diária entre Cariacica, na Grande Vitória, e Belo Horizonte, em um percurso de 664 quilômetros que leva cerca de 13 horas e meia.
Ao longo do trajeto, o serviço operado pela Vale atende 30 estações e conecta 42 municípios de Espírito Santo e Minas Gerais, segundo dados divulgados pela empresa e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres.
A linha está entre os poucos serviços ferroviários regulares de longa distância em funcionamento no país.
-
Uma gari que ganha R$ 2,1 mil por mês deixou o celular de lado por alguns minutos e voltou com um Pix de R$ 203 mil caído na conta por engano, um valor que, segundo ela mesma, nem trabalhando cem anos conseguiria juntar
-
R$ 5 mil espalhados pela rua, uma carteira perdida e uma decisão honesta: o caso em Goiás que emocionou até quem Só leu a história
-
Inconformado em ver gente dormindo na rua, um homem chamado Ryan Donais passou a construir pequenas casas móveis para que moradores em situação de rua escapem do frio, cada uma com cama, água corrente, eletricidade e aquecimento
-
ET no Paraná? Após vídeos intrigantes, sons misteriosos na mata e teorias que dominaram as redes sociais, FAB revela o que seus radares registraram e aumenta o mistério sobre suposto OVNI visto em Campo Largo
Informações da ANTT indicam que a malha concedida brasileira conta hoje com duas linhas regulares de passageiros operadas pela Vale: a da Estrada de Ferro Vitória a Minas e a da Estrada de Ferro Carajás.
Trem Vitória a Minas atende cidades do interior entre dois estados
A viagem começa na estação Pedro Nolasco, em Cariacica, e termina na Estação Central de Belo Horizonte.
No caminho, o trem passa por cidades como Colatina, Baixo Guandu, Aimorés, Resplendor, Governador Valadares, Ipatinga, Nova Era e João Monlevade, além de outras paradas distribuídas ao longo da ferrovia.
Em vários trechos, a composição atende passageiros que utilizam a linha para deslocamentos regionais.
A operação também mantém ligação entre municípios de pequeno e médio porte e centros urbanos maiores, o que ajuda a explicar a permanência do serviço em funcionamento regular.
Não se trata apenas de uma viagem associada ao turismo.
Dados da concessão e da operação indicam que a linha segue com papel logístico e social para parte das cidades atendidas.
Em períodos de maior demanda, como janeiro, julho e dezembro, a ANTT prevê ampliação da oferta com dois pares de trens por dia na EFVM.
Essa ampliação, no entanto, ocorre em datas específicas e não representa um serviço noturno diário permanente durante todo o ano.
A distinção é importante porque a operação regular continua baseada no trem diário entre os dois estados.
Paisagens do percurso entre Espírito Santo e Minas Gerais
Ao longo dos 664 quilômetros, a ferrovia atravessa áreas rurais, vales e trechos montanhosos, especialmente na transição entre o Espírito Santo e Minas Gerais.
Em parte do caminho, a linha acompanha regiões próximas ao Rio Doce, o que marca a paisagem observada pelos passageiros durante a viagem.
O percurso também permite visualizar cidades do interior e trechos pouco vistos em outros modais.
Esse aspecto é frequentemente apontado em reportagens e materiais sobre a linha como um dos elementos que diferenciam a experiência ferroviária de viagens rodoviárias ou aéreas.
Ainda assim, a paisagem não altera a função principal do serviço.
A operação continua estruturada como transporte regular de passageiros, com embarque e desembarque em diversas estações ao longo do caminho.
Serviços do trem de passageiros e estrutura a bordo
A composição conta com classes econômica e executiva, além de carro-lanchonete, carro-restaurante e vagão acessível para cadeirantes.
A Vale informa ainda que os carros são climatizados e dispõem de estrutura voltada ao atendimento de passageiros em viagens de longa duração.
Com a renovação mais recente da frota, a empresa passou a incluir recursos como tomadas para dispositivos eletrônicos, monitores de vídeo, detectores de fumaça e itens de acessibilidade.
As mudanças foram apresentadas pela operadora como parte do processo de modernização do serviço.
Em fevereiro de 2025, a Vale anunciou o início da operação assistida de 34 novos vagões no trem de passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas.
Segundo a empresa, essa fase serve para testar o desempenho dos carros em circulação com passageiros antes da incorporação integral da nova frota.
Ferrovia centenária e operação regular no Brasil
A trajetória da linha ajuda a explicar sua permanência no noticiário e no debate sobre transporte ferroviário.
A Estrada de Ferro Vitória a Minas começou a operar em 1904 e completou 120 anos em 2024, de acordo com informações divulgadas pela Vale.
A empresa informou ainda que o trem de passageiros transportou 740 mil pessoas em 2023.
O dado indica que a operação segue com movimento relevante, em contraste com a redução histórica de serviços ferroviários de longa distância em outras partes do país.
Num cenário em que ônibus e aviões concentram a maior parte dos deslocamentos interestaduais, a linha entre Espírito Santo e Minas permanece como uma das poucas ligações ferroviárias regulares para passageiros em atividade no Brasil.
O trajeto reúne deslocamento cotidiano, atendimento regional e uma operação que continua ativa mais de um século após sua criação.


-
-
-
-
-
-
39 pessoas reagiram a isso.