A União Europeia confirmou no Rio de Janeiro que negocia com o governo Lula um acordo de terras raras, lítio e níquel para investimentos conjuntos, mirando transição energética, digitalização e independência estratégica. O movimento reposiciona o Brasil no centro de uma disputa crescente envolvendo Europa, Estados Unidos e China.
Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que as terras raras serão um pilar da relação entre Brasil e União Europeia, em paralelo à celebração do acordo comercial Mercosul União Europeia, negociado por 25 anos e separado da negociação mineral.
A União Europeia entrou de vez na disputa pelos minerais críticos do subsolo brasileiro e colocou as terras raras como prioridade em um acordo estratégico em negociação com o governo Lula, anunciado publicamente no Rio de Janeiro.
As terras raras aparecem no centro do plano europeu por serem insumos tratados como decisivos para a transição digital e limpa, além de funcionarem como uma peça de segurança geopolítica em um mundo onde minerais podem virar instrumento de coerção.
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Terras raras viram pilar de uma parceria com investimento conjunto

A sinalização europeia foi direta: a cooperação em matérias primas críticas deve moldar a relação entre os dois lados, com projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras.
Ursula von der Leyen enquadrou a negociação das terras raras como uma chave para objetivos estratégicos do bloco, conectando o tema à transição digital, à transição energética e à busca por independência estratégica.
A negociação ocorre ao lado do Mercosul União Europeia, mas é um assunto distinto
A declaração sobre terras raras aconteceu durante a cerimônia de celebração do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, fruto de negociações ao longo de 25 anos.
Apesar de ocorrerem no mesmo contexto político, a negociação sobre terras raras foi apresentada como separada do acordo comercial amplo, que envolve diversos itens além de matérias primas.
Estados Unidos também acenam para os minerais críticos do Brasil
A entrada europeia na corrida por terras raras coincide com um momento em que os Estados Unidos passaram a demonstrar interesse direto nos minerais estratégicos brasileiros, em uma disputa que ganha contornos cada vez mais competitivos.
Com União Europeia e Estados Unidos buscando alternativas, as terras raras do Brasil entram como ativo central em um cenário internacional de redução de dependências e reorganização de cadeias de fornecimento.
Por que terras raras são tão disputadas no mundo todo
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para turbinas eólicas, carros elétricos, chips, equipamentos médicos e tecnologias militares, o que explica por que elas se tornaram uma peça crítica da economia moderna.
Na prática, as terras raras conectam energia, indústria e defesa.
Quando cadeias globais ficam concentradas em poucos países, o risco geopolítico aumenta e os acordos sobre fornecimento ganham peso estratégico.
O ponto sensível é o processamento e o valor agregado
O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, mas ainda exporta grande parte desses minerais sem processamento, o que reduz o valor agregado capturado internamente.
Esse detalhe muda a lógica da negociação: para além de acesso ao subsolo, a discussão sobre terras raras envolve onde acontece o refino, quem controla etapas industriais críticas e quanto investimento ficará no país.
China domina o refino e pressiona a busca por fornecedores alternativos
Enquanto a China domina o refino e o processamento, União Europeia e Estados Unidos buscam diversificar fornecedores para reduzir dependências estratégicas.
Nesse contexto, as terras raras brasileiras passam a ocupar posição central no tabuleiro internacional, porque oferecem um caminho de diversificação em um setor onde concentração e vulnerabilidade caminham juntas.
Ao chamar o acordo Mercosul União Europeia de “ganha ganha” e encerrar a fala em português, Ursula von der Leyen reforçou o tom político de aproximação, ao mesmo tempo em que posicionou as terras raras como eixo de futuro para a relação com o Brasil.
Com as terras raras no núcleo da conversa, o Brasil vira alvo de uma competição simultânea de grandes potências por minerais críticos, investimento e influência sobre cadeias produtivas consideradas estratégicas.
Qual você acha que deve ser a prioridade do Brasil nesse acordo de terras raras: atrair investimento rápido ou garantir processamento e valor agregado dentro do país?
