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A tempestade solar de 2012 registrada pelo satélite STEREO-A cruzou a órbita da Terra a mais de 3.000 km por segundo mas o planeta estava uma semana defasado escapando de colapso tecnológico global com prejuízos estimados em US$ 2,6 trilhões

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 06/05/2026 às 19:48
Atualizado em 06/05/2026 às 19:50
Tempestade solar de 2012 cruzou a órbita da Terra a 3.000 km/s. Planeta escapou por uma semana. Prejuízo seria de até US$ 2,6 tri. Entenda o evento.
Tempestade solar de 2012 cruzou a órbita da Terra a 3.000 km/s. Planeta escapou por uma semana. Prejuízo seria de até US$ 2,6 tri. Entenda o evento.
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A tempestade solar de 2012, comparável ao Evento Carrington de 1859, cruzou a órbita da Terra a 3.000 km/s mas o planeta estava uma semana defasado, escapando de impacto que teria causado prejuízos de US$ 600 bilhões a US$ 2,6 trilhões com apagões, queima de transformadores e falha de satélites.

Em 23 de julho de 2012, uma das mais violentas ejeções de massa coronal já registradas pela ciência atravessou a órbita da Terra a uma velocidade superior a 3.000 quilômetros por segundo, quatro vezes a velocidade média de uma erupção solar comum. A tempestade solar, registrada pelo satélite STEREO-A da NASA, foi classificada por cientistas como comparável ou possivelmente superior ao lendário Evento Carrington de 1859, a maior tempestade geomagnética documentada na história moderna, mas o planeta tinha passado por aquele ponto exato da órbita uma semana antes, escapando por questão de dias do que teria sido um dos maiores colapsos tecnológicos já enfrentados pela humanidade. “Se tivesse atingido, ainda estaríamos juntando os pedaços”, declarou Daniel Baker, professor de física atmosférica e espacial da Universidade do Colorado, em comunicado oficial divulgado pela NASA em 2014 ao publicar a análise completa do evento na revista científica Space Weather.

O episódio só veio a público em dezembro de 2013, quando Baker e sua equipe publicaram os dados completos que o satélite STEREO-A havia coletado ao ser atingido diretamente pela tempestade solar. Segundo as análises, a ejeção de massa coronal gerou perturbação geomagnética estimada entre menos 600 e menos 1.182 nanoteslas no índice Dst (medida de perturbação do campo magnético terrestre), intensidade que supera a tempestade que causou o apagão de 9 horas em Quebec no Canadá em 1989 (menos 589 nT) e se aproxima das estimativas para o próprio Evento Carrington (menos 800 a menos 1.750 nT). Para dimensionar: se a tempestade solar de 2012 tivesse atingido a Terra com essa intensidade, segundo estudo da Lloyd’s of London e da American Geophysical Union de 2013, os prejuízos apenas nos Estados Unidos teriam ficado entre US$ 600 bilhões e US$ 2,6 trilhões, com tempo de recuperação completa estimado entre 4 e 10 anos.

O que tornou a tempestade solar de 2012 tão poderosa

Tempestade solar de 2012 cruzou a órbita da Terra a 3.000 km/s. Planeta escapou por uma semana. Prejuízo seria de até US$ 2,6 tri. Entenda o evento.

A velocidade excepcional da tempestade solar de julho de 2012 não foi resultado de uma única erupção, mas de combinação de fatores que potencializaram o evento. Segundo estudo de Janet Luhmann e Ying D. Liu publicado na Nature Communications em 2014, a ejeção de massa coronal de 23 de julho foi na verdade composta por duas CMEs separadas por intervalo de apenas 10 a 15 minutos, e quatro dias antes uma terceira erupção havia “limpado o caminho” no espaço interplanetário, removendo o plasma solar residual que normalmente desacelera as ejeções posteriores. A combinação entre a dupla erupção e o corredor limpo deixado pela tempestade anterior permitiu que a CME acelerasse a 3.000 km/s, velocidade que reduziu o tempo de viagem entre o Sol e a órbita da Terra para cerca de 20 horas e 47 minutos, quando o normal seria de 2 a 3 dias.

A região solar que produziu a tempestade, catalogada como AR 11520, estava posicionada de forma que a ejeção apontou diretamente para o ponto da órbita onde a Terra tinha estado uma semana antes. Se o planeta estivesse em seu percurso orbital sete dias à frente, a tempestade solar teria atingido a magnetosfera terrestre com força suficiente para induzir correntes elétricas de superfície capazes de queimar transformadores de alta tensão em redes elétricas do mundo inteiro, danificar ou inutilizar satélites de telecomunicações e GPS, e paralisar sistemas eletrônicos que operam infraestrutura crítica de energia, água, transporte e finanças. O satélite STEREO-A, que estava posicionado naquele ponto da órbita, foi atingido diretamente e sobreviveu porque foi projetado para suportar condições extremas do espaço, mas transmitiu dados que permitiram aos cientistas reconstituir o que teria acontecido com a Terra.

O que aconteceu em 1859 e por que a tempestade solar de 2012 seria pior

Tempestade solar de 2012 cruzou a órbita da Terra a 3.000 km/s. Planeta escapou por uma semana. Prejuízo seria de até US$ 2,6 tri. Entenda o evento.

O Evento Carrington de 1859 é a referência que cientistas usam para dimensionar o risco de tempestades solares extremas. Em 1º de setembro de 1859, o astrônomo amador inglês Richard Carrington observou uma erupção solar a olho nu através de seu telescópio, e horas depois auroras boreais foram vistas em latitudes tão baixas quanto Cuba e Havaí enquanto sistemas telegráficos do mundo inteiro falhavam: operadores recebiam choques elétricos, linhas pegavam fogo, e em alguns casos os equipamentos continuaram transmitindo sem bateria, alimentados pela própria corrente que a tempestade solar induzia nos fios. O evento aconteceu numa era em que a única infraestrutura elétrica do planeta eram linhas de telégrafo, e mesmo assim o impacto foi global e documentado.

A diferença entre 1859 e 2012 é o grau de dependência tecnológica que a civilização desenvolveu nos 153 anos que separam os dois eventos. O professor Daniel Baker descreveu o impacto potencial de um evento Carrington-class no mundo atual como capaz de “devolver a civilização moderna ao século 18”, referência à era pré-elétrica anterior à Revolução Industrial, porque a queima simultânea de transformadores de alta tensão em múltiplos países deixaria regiões inteiras sem energia por meses ou anos enquanto peças que levam de 1 a 2 anos para serem fabricadas fossem repostas. Sem eletricidade, não há bombeamento de água, refrigeração de alimentos, funcionamento de hospitais, telecomunicações, transporte ferroviário, operação bancária ou acesso a internet, cascata de consequências que tornaria a tempestade solar de 2012 incomparavelmente mais destrutiva do que a de 1859 apesar de serem fisicamente semelhantes.

Qual a probabilidade de uma tempestade solar dessa magnitude atingir a Terra

A frequência com que tempestades solares extremas ocorrem é objeto de estudo que produz números que assustam cientistas. O físico Pete Riley, da empresa Predictive Science Inc., publicou em fevereiro de 2014 na revista Space Weather cálculo estimando em 12% a probabilidade de um evento de classe Carrington atingir a Terra na década seguinte, entre 2014 e 2024, janela que já se encerrou sem que o evento tenha ocorrido. “Inicialmente fiquei surpreso com a probabilidade tão alta, mas as estatísticas parecem corretas. É um número que faz pensar”, declarou Riley em comunicado à NASA, e modelos atualizados nos anos seguintes sugerem probabilidades semelhantes para cada janela de dez anos, o que significa que a questão não é se uma tempestade solar de classe Carrington vai atingir a Terra, mas quando.

O Sol entrou em fase de máximo solar em 2025, período de maior atividade dentro do ciclo de aproximadamente 11 anos que governa as erupções solares. O máximo solar significa mais manchas, mais erupções e mais ejeções de massa coronal direcionadas ao espaço, e embora a maioria dessas erupções seja de baixa intensidade e não represente risco para a Terra, a probabilidade de uma tempestade solar extrema é estatisticamente maior durante essa fase do ciclo do que durante o mínimo solar. A combinação entre máximo solar ativo e infraestrutura tecnológica cada vez mais dependente de satélites e redes elétricas interconectadas faz de 2025 e 2026 período em que a vigilância de clima espacial por agências como NASA, NOAA e ESA é particularmente crítica.

Por que a tempestade solar de 2012 importa para o setor de energia e petróleo

O impacto de uma tempestade solar extrema sobre o setor energético não é especulação: é risco documentado com precedente real. Em 13 de março de 1989, uma tempestade geomagnética muito menor do que a de 2012 causou apagão de 9 horas na província de Quebec, no Canadá, afetando 6 milhões de pessoas e queimando transformadores de alta tensão, demonstração prática de que tempestades solares podem derrubar redes elétricas inteiras em questão de minutos. A tempestade de 1989 mediu menos 589 nT no índice Dst, enquanto a de 2012 teria gerado entre menos 600 e menos 1.182 nT, ou seja, intensidade que varia de comparável a duas vezes maior do que o evento que apagou Quebec.

Para o setor de petróleo e gás, o risco é específico e documentado. Sistemas SCADA que operam oleodutos, gasodutos e refinarias dependem de eletrônicos sensíveis à indução eletromagnética que uma tempestade solar produz, operações offshore dependem de GPS para posicionamento dinâmico de plataformas, e a distribuição de gás natural em grandes redes depende de bombas elétricas que parariam sem energia, conjunto de vulnerabilidades que faz do clima espacial tema de segurança energética nacional em países como Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, que já incluem tempestades solares em seus planos de contingência. O Brasil, embora menos vulnerável que países de altas latitudes (porque o efeito geomagnético é mais intenso perto dos polos), opera sistemas elétricos e de petróleo interconectados que não estão imunes a evento de magnitude Carrington, realidade que o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) monitora como parte da gestão de risco do setor.

E você, sabia que a Terra escapou por uma semana de uma tempestade solar que poderia ter derrubado a civilização tecnológica? Acha que estamos preparados para a próxima? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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