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A praga que pode eliminar até 50% das lavouras de arroz, ameaça o alimento básico de 3,5 bilhões de pessoas e já provoca colapsos agrícolas no Sudeste Asiático

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 06/01/2026 às 19:58
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Um inseto microscópico ameaça até 50% das colheitas de arroz no Sudeste Asiático, colocando em risco o alimento básico de 3,5 bilhões de pessoas e a segurança alimentar global.

O arroz sustenta metade da população mundial. Em muitos países da Ásia, ele não é apenas um acompanhamento, mas a base absoluta da alimentação diária, responsável pela maior parte da ingestão calórica de bilhões de pessoas. É exatamente por isso que um pequeno inseto, quase imperceptível a olho nu, passou a ser tratado como uma das maiores ameaças agrícolas do planeta. O percevejo-do-arroz, conhecido cientificamente como Nilaparvata lugens, vem provocando perdas que podem chegar a 50% das colheitas em regiões inteiras do Sudeste Asiático, acendendo alertas globais sobre segurança alimentar.

O avanço dessa praga não é episódico nem localizado. Relatórios da FAO e estudos publicados em revistas como Nature Climate Change mostram que surtos cada vez mais intensos têm ocorrido na Indonésia, Vietnã, Filipinas, Tailândia e partes da China, afetando milhões de hectares cultivados e pressionando governos a adotar medidas emergenciais.

O que é o percevejo-do-arroz e por que ele é tão destrutivo

O Nilaparvata lugens é um inseto sugador que se alimenta diretamente da seiva do arroz. Ao perfurar os tecidos da planta, ele compromete o transporte de nutrientes e água, levando ao enfraquecimento rápido da lavoura.

Em infestações severas, ocorre o fenômeno conhecido como “hopperburn”, quando extensas áreas de arrozais secam completamente em poucos dias, como se tivessem sido queimadas.

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O problema vai além da sucção direta. O percevejo-do-arroz também atua como vetor de vírus altamente destrutivos, como o vírus da folha branca e o vírus do nanismo do arroz, que reduzem drasticamente a produtividade mesmo quando a planta não morre. Em lavouras intensamente afetadas, a perda pode ultrapassar metade da produção esperada.

Por que o Sudeste Asiático é o epicentro da crise

O Sudeste Asiático reúne as condições ideais para a proliferação do percevejo-do-arroz. Clima quente, alta umidade, ciclos contínuos de cultivo e extensas áreas de monocultura criam um ambiente perfeito para explosões populacionais do inseto.

Além disso, muitos países da região adotaram, nas últimas décadas, variedades de arroz de alto rendimento geneticamente semelhantes entre si. Essa baixa diversidade genética facilitou a adaptação da praga, tornando os campos mais vulneráveis a infestações em larga escala.

Dados da FAO indicam que apenas na Indonésia e no Vietnã, milhões de hectares já sofreram perdas severas em anos de surtos intensos, com impactos diretos no abastecimento interno e nos preços dos alimentos.

O impacto direto sobre bilhões de pessoas

O arroz alimenta mais de 3,5 bilhões de pessoas diariamente. Em países como Vietnã, Filipinas e Indonésia, ele representa mais de 40% da ingestão calórica média da população.

Quando a produção cai abruptamente, os efeitos não se limitam ao campo: os preços sobem, a insegurança alimentar cresce e governos são obrigados a importar volumes elevados para evitar desabastecimento.

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Estudos citados pela Nature Climate Change mostram que eventos climáticos extremos, combinados com surtos do percevejo-do-arroz, podem amplificar crises alimentares, afetando principalmente populações de baixa renda. Em áreas rurais, pequenos agricultores perdem safras inteiras e ficam sem renda por uma temporada completa.

Por que o controle químico falhou

Durante décadas, o combate ao percevejo-do-arroz foi baseado no uso intensivo de inseticidas. O resultado, no entanto, foi o surgimento de populações cada vez mais resistentes. Em várias regiões do Sudeste Asiático, o Nilaparvata lugens já apresenta resistência comprovada a múltiplas classes de pesticidas.

Além disso, o uso indiscriminado de químicos eliminou inimigos naturais do inseto, como aranhas e vespas predadoras, criando um efeito inverso: menos controle biológico e mais explosões populacionais da praga.

Relatórios da FAO apontam que, em alguns casos, a aplicação de pesticidas agravou o problema, acelerando a seleção de indivíduos mais resistentes e desequilibrando o ecossistema agrícola.

A relação com mudanças climáticas

O aquecimento global adiciona um fator crítico à equação. Temperaturas mais altas e padrões irregulares de chuva favorecem o aumento do número de gerações do percevejo-do-arroz ao longo do ano. Isso significa mais ciclos reprodutivos, maior densidade populacional e surtos mais frequentes.

Pesquisas publicadas na Nature Climate Change indicam que, sem adaptação nos sistemas agrícolas, a pressão dessa praga tende a aumentar nas próximas décadas, ampliando o risco de perdas severas justamente nas regiões mais dependentes do arroz.

Novas estratégias para conter a ameaça

Diante do fracasso do controle exclusivamente químico, países asiáticos passaram a investir em manejo integrado de pragas. Isso inclui o uso de variedades de arroz mais resistentes, o estímulo à presença de inimigos naturais, o monitoramento populacional do inseto e a aplicação criteriosa de defensivos apenas quando necessário.

Programas coordenados pela FAO incentivam práticas agrícolas menos intensivas em químicos, como o plantio escalonado e a diversificação genética das lavouras. Alguns países também avançam em pesquisas biotecnológicas para desenvolver cultivares com resistência duradoura ao percevejo-do-arroz.

Uma ameaça local com consequências globais

Embora concentrada no Sudeste Asiático, a crise do percevejo-do-arroz tem implicações globais. Qualquer instabilidade significativa na produção asiática afeta os mercados internacionais, pressiona estoques estratégicos e pode elevar preços em países importadores.

O avanço do Nilaparvata lugens mostra que, quando um alimento que sustenta bilhões de pessoas entra em risco, o impacto deixa de ser apenas econômico ou ambiental. Passa a ser uma questão de segurança alimentar planetária — e o tempo para respostas estruturais está se tornando cada vez mais curto.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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