Peugeot Hoggar fracassou no Brasil: picape da Stellantis lançada para enfrentar Strada e Saveiro vendeu menos de 18 mil unidades em quatro anos e saiu de linha em 2014.
Em 2010, a Peugeot decidiu apostar em um dos segmentos mais competitivos do mercado brasileiro: o das picapes compactas. Até então, modelos como Fiat Strada, Volkswagen Saveiro e Chevrolet Montana dominavam as ruas e lideravam os emplacamentos. A proposta da marca francesa era ousada: criar uma picape derivada do Peugeot 207, que unisse design moderno com versatilidade para o trabalho e lazer. Assim nasceu a Peugeot Hoggar.
Lançada com campanha publicitária forte e a promessa de ser uma alternativa diferenciada às concorrentes nacionais, a Hoggar tinha tudo para se destacar. Mas a realidade do mercado foi implacável: em apenas quatro anos de vendas, o modelo acumulou menos de 18 mil unidades emplacadas. Para comparação, a Fiat Strada vendia esse volume em pouco mais de um mês.
Vendas da picape da Stellantis ficaram muito abaixo das rivais
O desempenho comercial da Hoggar nunca chegou perto das expectativas da Peugeot. O modelo até teve algum impacto inicial, mas rapidamente passou a registrar números pífios.
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Entre 2010 e 2014, suas vendas totais não passaram de 18 mil unidades – uma média anual de pouco mais de 4,5 mil veículos.
No mesmo período, a Strada e a Saveiro consolidavam-se como líderes absolutas, vendendo dezenas de milhares de unidades por ano.
A discrepância era tão grande que a Hoggar nunca ameaçou a hegemonia das concorrentes. Nas concessionárias, consumidores demonstravam pouco interesse pelo modelo, que acabou virando um peso no portfólio da Peugeot.
Por que a Peugeot Hoggar fracassou no Brasil
Diversos fatores explicam o fracasso comercial da Hoggar:
- Projeto improvisado: a picape era derivada do 207, um carro compacto urbano. Isso gerou críticas quanto à robustez, já que concorrentes eram mais adaptadas para o trabalho pesado.
- Caçamba limitada: com capacidade inferior à de Strada e Saveiro, a Hoggar não entregava o que o consumidor tradicional de picapes pequenas buscava.
- Rede de concessionárias: a Peugeot tinha menos penetração em regiões onde as picapes compactas eram mais populares, como interior e áreas rurais.
- Imagem da marca: a Peugeot era vista como uma montadora de carros urbanos e sofisticados, mas não como fabricante de veículos utilitários. Essa falta de credibilidade afastou compradores.
- Concorrência consolidada: Strada, Saveiro e Montana já eram referências, com histórico de confiabilidade, bom valor de revenda e ampla aceitação.
Essa combinação de problemas fez a Hoggar ser rejeitada pelo público desde o início.
Descontinuação veio cedo, em 2014
Diante do baixo desempenho e da falta de perspectivas de crescimento, a Peugeot decidiu encerrar a produção da Hoggar em 2014, apenas quatro anos após seu lançamento. A retirada precoce do modelo do mercado foi a admissão de que o projeto não funcionou.
Enquanto a Fiat Strada se consolidava como líder absoluta do segmento – a ponto de hoje ser o veículo mais vendido do Brasil –, a Peugeot abandonava de vez a ideia de disputar espaço entre as picapes pequenas.
Hoggar virou símbolo de fracasso no mercado brasileiro
A trajetória da Hoggar ficou marcada como um dos maiores fracassos da Peugeot no país. Com menos de 18 mil unidades vendidas em todo seu ciclo de vida, o modelo entrou para a lista das picapes menos lembradas do Brasil.
Hoje, encontrar uma Hoggar nas ruas é raro, e no mercado de usados ela é desvalorizada e pouco procurada.

Apesar de algumas qualidades, como o design moderno e o conforto herdado do 207, a picape nunca conseguiu entregar robustez e praticidade suficientes para competir com rivais estabelecidas. A imagem que ficou foi a de um carro fora de lugar: bonito, mas sem vocação real para o trabalho.
Lições deixadas pelo fracasso da picape da Stellantis
O caso da picape da Stellantis deixou lições importantes para a indústria automotiva. Ele mostrou que não basta lançar um produto em um segmento promissor – é preciso entender as necessidades do consumidor e oferecer atributos compatíveis.
A Peugeot tentou competir em um nicho dominado por marcas tradicionais, mas não tinha histórico, estrutura ou produto adequado para a disputa.
A experiência reforçou que a marca deveria concentrar seus esforços em carros urbanos, onde tinha maior tradição, e deixou claro que conquistar consumidores de picapes no Brasil exige robustez, confiança e pós-venda eficiente. Sem esses pilares, qualquer lançamento está condenado ao fracasso.


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