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A Flórida passou a pagar caçadores para capturar pítons-birmanesas gigantes nos Everglades após a espécie, sem predadores naturais, prosperar livremente e viralizar ao matar um jacaré

Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 28/01/2026 às 14:13
Atualizado em 28/01/2026 às 21:23
Assista o vídeoCaçadores capturam píton-birmanesa gigante nos Everglades como parte de programa ambiental da Flórida.
Caçadores pagos pelo governo removem píton-birmanesa invasora dos pântanos dos Everglades, na Flórida.
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Vendidas como animais de estimação nos Estados Unidos e soltas na natureza quando crescem demais, as pítons-birmanesas encontraram nos Everglades um habitat perfeito, provocaram um colapso silencioso da fauna e forçaram autoridades a adotar um programa extremo de contenção ambiental

Os Everglades, na Flórida, tornaram-se o palco de uma das mais graves crises ambientais provocadas por espécies invasoras nos Estados Unidos. Entre dezenas de plantas e animais introduzidos artificialmente no ecossistema, a píton-birmanesa se consolidou como a principal ameaça. Sem predadores naturais e com acesso ilimitado a presas, a espécie prosperou de forma descontrolada, transformando o maior pântano do país em um ambiente cada vez mais hostil à fauna nativa.

A informação foi divulgada por produções documentais da HBO e por dados do South Florida Water Management District, órgão responsável pela saúde ambiental do Everglades. Segundo estimativas oficiais, espécies invasoras custam cerca de US$ 120 bilhões por ano à economia dos Estados Unidos. No caso específico da píton-birmanesa, o impacto vai além do financeiro e atinge diretamente o equilíbrio ecológico de uma área classificada como Patrimônio Mundial e Reserva Internacional da Biosfera.

Esse desequilíbrio começou de forma silenciosa. Vendidas legalmente como animais de estimação em lojas por todo o país, muitas pítons passaram a ser abandonadas quando atingiam tamanhos difíceis de manter. Uma cobra de 1,8 metro já exige cuidados complexos, mas indivíduos com 4,5 metros (15 pés) precisam se alimentar regularmente e representam riscos evidentes para seus donos. Na Flórida, onde a vegetação alta dos Everglades é quase idêntica à do sudeste asiático, o animal encontrou condições ideais para sobreviver e se reproduzir em larga escala.

Como a píton-birmanesa dominou o topo da cadeia alimentar

Desde os anos 2000, o Parque Nacional dos Everglades registrou um colapso expressivo nas populações de guaxinins, gambás, coelhos e até linces. Esse declínio coincidiu com a expansão da píton-birmanesa, que passou a ocupar o topo da cadeia alimentar no lugar de predadores nativos.

Além disso, estudos indicam que as pítons consomem até 25 espécies de aves, incluindo a cegonha-americana, classificada como ameaçada de extinção. Sem qualquer controle natural, a cobra passou a se alimentar do que estivesse disponível, ampliando o efeito cascata sobre todo o ecossistema.

O problema ganhou repercussão internacional após a viralização de um vídeo que mostrava uma píton-birmanesa lutando e matando um jacaré, animal símbolo da Flórida. A cena escancarou o nível de desequilíbrio ambiental e reforçou a percepção de que a espécie invasora havia se tornado dominante nos pântanos.

O programa oficial que paga caçadores para conter a invasão

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Diante desse cenário, em março de 2017, o conselho do South Florida Water Management District lançou um programa inédito: pagar 25 caçadores altamente treinados para remover o maior número possível de pítons do ambiente natural. A estratégia buscava atacar o problema de forma direta, especialmente durante períodos de reprodução.

Entre os participantes está Tom Rahill, líder do grupo conhecido como Swamp Apes. Desde 2008, Rahill e sua equipe capturaram aproximadamente 400 pítons, utilizando sondas com câmera, facas e as próprias mãos. Fora dos pântanos, Rahill trabalha com computadores, o que desmonta o estereótipo tradicional do caçador profissional.

O método envolve identificar áreas de nidificação, localizar rastros como peles descartadas durante a troca de pele e seguir a direção indicada pela cauda da cobra. Quando o animal é encontrado, a captura exige coordenação extrema para imobilizar a cabeça e retirar a píton com segurança.

Uma única captura pode evitar dezenas de novas cobras

Um dos casos mais emblemáticos do programa envolveu a captura de uma píton de 4,5 metros, pesando 112 quilos. O animal precisou ser transportado com empilhadeira para pesagem oficial. Durante a autópsia, realizada no dia seguinte, foram encontrados 61 ovos em seu interior.

Na prática, aquela operação representou a remoção de 62 pítons potenciais do ecossistema. Cada fêmea grávida capturada impede o nascimento de dezenas de novos predadores que poderiam consumir aves pernaltas, pequenos mamíferos e espécies já pressionadas pelo avanço urbano.

Embora o número de cobras removidas ainda seja pequeno diante de uma população estimada em milhares, especialistas afirmam que a retirada estratégica de fêmeas reprodutivas gera um impacto ambiental significativo. Ainda assim, o desafio permanece enorme, já que os Everglades continuam oferecendo condições ideais para a sobrevivência da espécie invasora.

Na sua opinião, contratar caçadores para remover pítons-birmanesas é a melhor solução para proteger os Everglades ou o foco deveria estar em punir com mais rigor os proprietários que abandonam animais exóticos na natureza?

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Natália
Natália
30/01/2026 02:25

Proibir a venda,e punir os proprietários,por abandono,pq não procuram ajuda , pra um lugar adequado,para elas , ninguém gosta de morrer, mais gostam de matar como se resolvesse o problema,proibi essas vendas sai multando todos q adquirir pra venda e para comprar.

Antiesker Dophata
Antiesker Dophata
30/01/2026 00:50

Tem que caçar e matar todas.

Leozildo Pacheco
Leozildo Pacheco
29/01/2026 22:41

Proibir a venda de piton e a maior solução

Fonte
Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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