Vendidas como animais de estimação nos Estados Unidos e soltas na natureza quando crescem demais, as pítons-birmanesas encontraram nos Everglades um habitat perfeito, provocaram um colapso silencioso da fauna e forçaram autoridades a adotar um programa extremo de contenção ambiental
Os Everglades, na Flórida, tornaram-se o palco de uma das mais graves crises ambientais provocadas por espécies invasoras nos Estados Unidos. Entre dezenas de plantas e animais introduzidos artificialmente no ecossistema, a píton-birmanesa se consolidou como a principal ameaça. Sem predadores naturais e com acesso ilimitado a presas, a espécie prosperou de forma descontrolada, transformando o maior pântano do país em um ambiente cada vez mais hostil à fauna nativa.
A informação foi divulgada por produções documentais da HBO e por dados do South Florida Water Management District, órgão responsável pela saúde ambiental do Everglades. Segundo estimativas oficiais, espécies invasoras custam cerca de US$ 120 bilhões por ano à economia dos Estados Unidos. No caso específico da píton-birmanesa, o impacto vai além do financeiro e atinge diretamente o equilíbrio ecológico de uma área classificada como Patrimônio Mundial e Reserva Internacional da Biosfera.
Esse desequilíbrio começou de forma silenciosa. Vendidas legalmente como animais de estimação em lojas por todo o país, muitas pítons passaram a ser abandonadas quando atingiam tamanhos difíceis de manter. Uma cobra de 1,8 metro já exige cuidados complexos, mas indivíduos com 4,5 metros (15 pés) precisam se alimentar regularmente e representam riscos evidentes para seus donos. Na Flórida, onde a vegetação alta dos Everglades é quase idêntica à do sudeste asiático, o animal encontrou condições ideais para sobreviver e se reproduzir em larga escala.
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Como a píton-birmanesa dominou o topo da cadeia alimentar

Desde os anos 2000, o Parque Nacional dos Everglades registrou um colapso expressivo nas populações de guaxinins, gambás, coelhos e até linces. Esse declínio coincidiu com a expansão da píton-birmanesa, que passou a ocupar o topo da cadeia alimentar no lugar de predadores nativos.
Além disso, estudos indicam que as pítons consomem até 25 espécies de aves, incluindo a cegonha-americana, classificada como ameaçada de extinção. Sem qualquer controle natural, a cobra passou a se alimentar do que estivesse disponível, ampliando o efeito cascata sobre todo o ecossistema.
O problema ganhou repercussão internacional após a viralização de um vídeo que mostrava uma píton-birmanesa lutando e matando um jacaré, animal símbolo da Flórida. A cena escancarou o nível de desequilíbrio ambiental e reforçou a percepção de que a espécie invasora havia se tornado dominante nos pântanos.
O programa oficial que paga caçadores para conter a invasão
Diante desse cenário, em março de 2017, o conselho do South Florida Water Management District lançou um programa inédito: pagar 25 caçadores altamente treinados para remover o maior número possível de pítons do ambiente natural. A estratégia buscava atacar o problema de forma direta, especialmente durante períodos de reprodução.
Entre os participantes está Tom Rahill, líder do grupo conhecido como Swamp Apes. Desde 2008, Rahill e sua equipe capturaram aproximadamente 400 pítons, utilizando sondas com câmera, facas e as próprias mãos. Fora dos pântanos, Rahill trabalha com computadores, o que desmonta o estereótipo tradicional do caçador profissional.
O método envolve identificar áreas de nidificação, localizar rastros como peles descartadas durante a troca de pele e seguir a direção indicada pela cauda da cobra. Quando o animal é encontrado, a captura exige coordenação extrema para imobilizar a cabeça e retirar a píton com segurança.
Uma única captura pode evitar dezenas de novas cobras

Um dos casos mais emblemáticos do programa envolveu a captura de uma píton de 4,5 metros, pesando 112 quilos. O animal precisou ser transportado com empilhadeira para pesagem oficial. Durante a autópsia, realizada no dia seguinte, foram encontrados 61 ovos em seu interior.
Na prática, aquela operação representou a remoção de 62 pítons potenciais do ecossistema. Cada fêmea grávida capturada impede o nascimento de dezenas de novos predadores que poderiam consumir aves pernaltas, pequenos mamíferos e espécies já pressionadas pelo avanço urbano.
Embora o número de cobras removidas ainda seja pequeno diante de uma população estimada em milhares, especialistas afirmam que a retirada estratégica de fêmeas reprodutivas gera um impacto ambiental significativo. Ainda assim, o desafio permanece enorme, já que os Everglades continuam oferecendo condições ideais para a sobrevivência da espécie invasora.
Na sua opinião, contratar caçadores para remover pítons-birmanesas é a melhor solução para proteger os Everglades ou o foco deveria estar em punir com mais rigor os proprietários que abandonam animais exóticos na natureza?


Proibir a venda,e punir os proprietários,por abandono,pq não procuram ajuda , pra um lugar adequado,para elas , ninguém gosta de morrer, mais gostam de matar como se resolvesse o problema,proibi essas vendas sai multando todos q adquirir pra venda e para comprar.
Tem que caçar e matar todas.
Proibir a venda de piton e a maior solução