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A falta de mão de obra na construção civil já é conhecida, mas um efeito menos visível preocupa empresas, a perda de conhecimento durante a execução das obras, aponta especialista

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 09/04/2026 às 20:33
Atualizado em 09/04/2026 às 20:35
A falta de mão de obra na construção civil já é um problema conhecido. Mas um efeito menos visível começa a preocupar ainda mais as empresas: a perda de conhecimento durante a execução das obras.
A falta de mão de obra na construção civil já é um problema conhecido. Mas um efeito menos visível começa a preocupar ainda mais as empresas: a perda de conhecimento durante a execução das obras.
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Falta de mão de obra atinge 41,6% das construtoras e expõe novo risco nas obras: perda de conhecimento 

A escassez de mão de obra na construção civil deixou de ser um problema pontual e passou a afetar diretamente a capacidade de execução das obras no Brasil. Segundo a sondagem da construção do FGV IBRE, 41,6% das empresas apontaram, em fevereiro de 2026, a falta de profissionais como fator limitante para os negócios, o maior nível para o mês desde 2011. O impacto já é visível no dia a dia dos canteiros. De acordo com a pesquisa Panorama da Mão de Obra na Construção Brasileira, da Grua Insights, 75% das empresas precisaram rever prazos de obra nos últimos meses devido à escassez de profissionais.

Rotatividade na construção civil causa perda de conhecimento técnico e compromete continuidade dos projetos

Na prática, o problema vai além da dificuldade de contratação. Um dos efeitos mais críticos observados pelas empresas é a perda de conhecimento ao longo da execução dos projetos.

Em muitos casos, decisões técnicas, alinhamentos com fornecedores e critérios de execução permanecem concentrados na memória individual dos profissionais. Quando há substituição de equipe, esse histórico se perde, e a obra passa a operar como se estivesse sendo reiniciada.

“Quando o conhecimento não está estruturado, ele sai junto com a pessoa. E aí não é só uma vaga em aberto, é o projeto que perde direção”, afirma Bárbara Kemp, arquiteta e cofundadora da Kemp Gerenciamento de Obras e Projetos.

Falta de padronização e gestão de informação aumenta retrabalho, custos e atrasos em obras

O impacto da rotatividade tende a ser mais intenso na construção civil devido à natureza sequencial e interdependente das atividades.

Diferentemente de setores com processos contínuos, as obras dependem de uma sequência precisa de etapas, com múltiplos fornecedores atuando em momentos específicos. Quando ocorre ruptura de informação, o efeito é imediato.

Cada novo profissional precisa reconstruir o contexto do projeto, entender decisões anteriores e reavaliar critérios técnicos, enquanto a operação passa a reagir a problemas em vez de antecipá-los.

“Você perde velocidade, perde consistência e começa a apagar incêndio. E isso tem impacto direto no prazo e no custo”, explica Bárbara.

Retrabalho, renegociação e perda de eficiência mostram impacto direto da falta de memória de projeto

Na prática, a falta de continuidade se traduz em retrabalho, renegociação com fornecedores e reinterpretação de decisões já tomadas.

Em alguns casos, empresas recorrem a parceiros externos para recuperar informações que não foram registradas internamente.

“O fornecedor acaba virando a memória do projeto”, afirma Bárbara, destacando um dos principais riscos operacionais da ausência de gestão estruturada.

Construção civil começa a migrar de modelo baseado em pessoas para modelo baseado em processos

Diante desse cenário, empresas do setor começam a revisar sua estrutura operacional. A principal mudança é a transição de um modelo baseado em pessoas para um modelo baseado em processos. Isso envolve registrar decisões, organizar informações de forma acessível e reduzir a dependência de conhecimento individual.

A proposta é transformar a memória da obra em um ativo estruturado, capaz de garantir continuidade mesmo com mudanças de equipe.

“Projetos que dependem de pessoas são frágeis. Projetos que dependem de processo são resilientes”, resume Bárbara.

Tecnologia na construção civil ganha espaço para garantir continuidade e reduzir dependência de equipes

Esse movimento também impulsiona a adoção de ferramentas digitais de gestão.

Soluções que consolidam cronogramas, histórico de decisões e documentação técnica em um único ambiente passam a ser utilizadas para garantir previsibilidade e continuidade operacional.

O objetivo é reduzir a dependência de e-mails, planilhas isoladas e da memória individual dos profissionais.

Plataformas de gestão de obras como Workemp organizam informações e reduzem impacto da rotatividade

Entre as soluções adotadas está o Workemp, plataforma desenvolvida a partir da experiência da Kemp na gestão de múltiplas obras simultâneas.

A ferramenta organiza informações, decisões e registros técnicos ao longo de toda a execução, permitindo que os projetos mantenham consistência mesmo com mudanças de equipe.

“Quando a informação está organizada, a saída de alguém deixa de ser um colapso e passa a ser uma transição”, afirma Bárbara.

Bárbara Kemp, arquiteta e cofundadora da Kemp Gerenciamento de Obras e Projetos.

Investimentos em tecnologia e gestão crescem para enfrentar escassez de mão de obra na construção

A tendência acompanha um movimento mais amplo no setor. Segundo a Grua Insights, a maioria das empresas já planeja aumentar investimentos em tecnologia e metodologias de gestão, buscando reduzir a dependência de mão de obra e melhorar a previsibilidade das obras.

Esse cenário também se conecta a um problema estrutural da construção civil global. Estudos da McKinsey e do PMI indicam que a maioria dos projetos de construção enfrenta atrasos e estouros de orçamento, resultado de baixa previsibilidade, falhas de coordenação e gestão fragmentada.

Perda de controle em obras se torna desafio central em um setor estratégico para a economia brasileira

Em um ambiente marcado por escassez de profissionais e alta rotatividade, o desafio deixa de ser apenas contratar e reter mão de obra.

A questão central passa a ser garantir que o conhecimento permaneça no projeto. Quando decisões se perdem, equipes mudam sem transição e o histórico não é preservado, os projetos entram em ciclos de retrabalho, com prazos mais longos, custos elevados e perda de previsibilidade.

Em um setor que representa uma parcela relevante da economia brasileira, esse tipo de ineficiência compromete não apenas empresas, mas a competitividade de todo o mercado.

“Hoje, tão desafiador quanto perder profissionais é perder controle”, conclui Bárbara.

Agora queremos saber: a construção civil brasileira está preparada para reduzir a dependência de mão de obra e migrar para gestão baseada em processos?

Diante de um cenário de escassez estrutural de profissionais e aumento da complexidade das obras, a adoção de processos e tecnologia se torna um fator decisivo para o futuro do setor.

Na sua visão, essa transformação será suficiente para resolver os gargalos da construção civil ou o problema tende a se agravar nos próximos anos?

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Juvenil Wille
Juvenil Wille
15/04/2026 22:15

Primeiro, o salário é pouco, poucos benefícios, segundo, se surge um funcionário que quer padronizar as coisas o patrão demite o cara por medo de perder o lugar dele.

Além disso, as empresas deveriam valorizar quem faz mais e não dar mais serviço.

Max da silva viana
Max da silva viana
14/04/2026 08:52

Olha primeiro, não esta faltando mao de obra , qualificada, eu sei por que e simples de resolver, olhas os curso de qualificação e..uito caro, como pode um desempregado pagar cursos, apostilas, passagem, apostilas. E ainda ter wue comprar comida ,.
Olha se o curso for de graça.
E o a logistica e os materiais fosse de graça. Teria boas moes de obra. Eu sou o caso. Preciso acabar o curso de logistica, mais como posso estudarse estou desempregado.
Pense bem antes de falar as coisas pesquisem primeiro, saia na rua e nao fiquei sentado dentro do escritório com a ****, sem fazer nada. E escrever so ****.

Alessandra
Alessandra
13/04/2026 05:06

Ora ora, quem diria que pagar um salario ridículo, explorar, nao valorizar, um dia ia trazer problemas para a área? Quem diria que as gerações seguintes iam ver os pais todos lascados, de baixo de sol e chuva, sem tempo de qualidade com a família, sem lazer, e não iria querer nem passar perto de uma obra? Quem diria que essa febre de coachs que vendem curso de empreendedorismo, faça seu próprio horário, seja seu próprio patrão, não trabalhe para os outros iam influenciar uma geração inteira, levando ao trabalho autônomo achando que ta empreendendo???
Magina, nem dava para imaginar kkkkk

José Cardoso
José Cardoso
Em resposta a  Alessandra
14/04/2026 12:15

O problema não e apenas ter os cursos.
Você pode ser um exemplo de alguém que quer aprender e conhecer, mas a maioria dos brasileiros apoiada pelos programas assistencialista do governo e falta de incentivo a população pela busca de um emprego está desqualificando a maioria das população
Não se tem mais jovens que queiram trabalhar com o intuito de se profissionalizar

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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