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A Embraer fechou pela primeira vez contrato com uma fornecedora indiana, a Bharat Forge de Pune, para receber materiais forjados usados na fabricação de aviões, e já negocia com a Adani a instalação de uma linha de montagem do jato E175 na Índia para atender um mercado que vai precisar de 500 aeronaves em 20 anos

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 11/05/2026 às 15:13 Atualizado em 11/05/2026 às 15:17
A Embraer fechou pela primeira vez contrato com uma fornecedora indiana para materiais aeronáuticos e negocia linha de montagem do jato E175 na Índia, mercado que deve demandar 500 aeronaves em 20 anos.
A Embraer fechou pela primeira vez contrato com uma fornecedora indiana para materiais aeronáuticos e negocia linha de montagem do jato E175 na Índia, mercado que deve demandar 500 aeronaves em 20 anos.
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A Embraer assinou contrato inédito com a indiana Bharat Forge para fornecimento de materiais aeronáuticos forjados, avançou nas negociações com o grupo Adani para instalar uma linha de montagem do jato regional E175 na Índia e mira um mercado que deve demandar pelo menos 500 aeronaves com capacidade entre 80 e 146 assentos nos próximos 20 anos.

Segundo o G1, a Embraer está construindo na Índia algo que vai muito além de vender aviões prontos. A fabricante brasileira de aeronaves com sede em São José dos Campos anunciou nesta segunda-feira (11) a assinatura de um contrato com a Bharat Forge Limited (BFL), multinacional indiana com sede em Pune, para o fornecimento de materiais brutos forjados utilizados na cadeia de produção da companhia. Segundo a Embraer, este é o primeiro contrato desse tipo firmado com um fornecedor indiano, marcando um passo inédito na relação da empresa com o país asiático.

O anúncio foi feito em Nova Déli e se soma a uma sequência de movimentos estratégicos que a Embraer vem executando na Índia desde 2025. A fabricante brasileira já possui escritório próprio no país, firmou acordo com a Adani Defence & Aerospace para cooperação na fabricação de aeronaves e negocia a instalação de uma linha de montagem final do jato regional E175 em solo indiano. Estimativas do setor apontam que a Índia deverá demandar pelo menos 500 aeronaves com capacidade entre 80 e 146 assentos nos próximos 20 anos, um mercado que a Embraer pretende atender com presença local e não apenas com exportações.

O contrato com a Bharat Forge: o que muda para a Embraer

A Bharat Forge é uma multinacional indiana que atua nos setores automotivo, energia, petróleo e gás, construção, mineração, ferroviário, marítimo, defesa e aeroespacial. O contrato prevê o fornecimento de materiais brutos forjados, componentes fundamentais na estrutura de aeronaves que exigem altíssima resistência mecânica e precisão dimensional. Para a Embraer, incorporar um fornecedor indiano à sua cadeia global de suprimentos representa uma diversificação que reduz a dependência de fornecedores concentrados em poucos países.

O acordo também tem um significado estratégico que vai além da logística. Ao contratar uma empresa indiana, a Embraer fortalece sua posição política e comercial na Índia, demonstrando disposição de gerar valor local e não apenas extrair receita do mercado. Governos de países emergentes como a Índia valorizam parceiros internacionais que integram a indústria nacional em suas cadeias produtivas, e a Embraer está se posicionando exatamente nessa lógica.

A parceria com a Adani e a linha de montagem do E175

O contrato com a Bharat Forge é a peça mais recente de um quebra cabeça que a Embraer vem montando na Índia há pelo menos um ano. Em janeiro de 2026, a fabricante brasileira anunciou um acordo com a Adani Defence & Aerospace, considerada a maior empresa privada aeroespacial e de defesa da Índia, prevendo cooperação em fabricação de aeronaves, cadeia de suprimentos, serviços de pós-venda e treinamento de pilotos. O objetivo declarado era atender à demanda crescente da aviação regional indiana.

Em fevereiro, a Embraer e a Adani ampliaram a parceria e assinaram um memorando para viabilizar a instalação de uma linha de montagem final do jato regional E175 na Índia. A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do Comércio e Indústria da Índia, Piyush Goyal, sinalizando o peso institucional que ambos os países atribuem ao acordo. Se concretizada, a linha de montagem transformará a Índia em polo de produção de aviões comerciais brasileiros, uma condição que nenhum outro país asiático possui atualmente com a Embraer.

500 aeronaves em 20 anos: o tamanho do mercado indiano

Os números que justificam a aposta da Embraer na Índia são expressivos. Estimativas do setor apontam que o país deverá demandar pelo menos 500 aeronaves com capacidade entre 80 e 146 assentos nos próximos 20 anos, uma faixa que coincide exatamente com o portfólio de jatos regionais da fabricante brasileira. A Índia possui uma população de mais de 1,4 bilhão de pessoas, centenas de cidades de médio porte com aeroportos subutilizados e uma classe média em expansão que começa a migrar de viagens ferroviárias para o transporte aéreo.

Esse perfil de mercado é ideal para o modelo de negócios da Embraer, que se especializou em aviões regionais capazes de operar em rotas de menor densidade com eficiência econômica. Enquanto grandes fabricantes como Boeing e Airbus disputam os contratos de aviões widebody para rotas internacionais, a Embraer encontra na aviação regional indiana um espaço onde seu produto é o mais adequado tecnicamente e onde a concorrência direta é menor. A presença local, com linha de montagem e fornecedores indianos, fortalece ainda mais essa vantagem.

Do escritório em Nova Déli à cadeia de suprimentos local

A sequência de movimentos da Embraer na Índia segue uma lógica progressiva. Em maio de 2025, a empresa anunciou a instalação de um escritório próprio em Nova Déli, o primeiro passo para estabelecer presença institucional permanente no país. Na época, a Embraer informou que pretendia ampliar operações nas áreas de defesa, aviação comercial, executiva, serviços e suporte, além do setor de mobilidade aérea urbana.

Do escritório vieram os acordos com a Adani e agora o contrato com a Bharat Forge, desenhando uma cadeia que começa na representação institucional, passa pela parceria industrial e chega ao fornecimento local de componentes. Cada etapa reduz a distância entre a Embraer e o mercado indiano, criando vínculos que tornam a fabricante brasileira cada vez mais integrada ao ecossistema aeroespacial do país. Para a Índia, que tem como meta desenvolver capacidade industrial própria no setor de aviação, essa integração é tão valiosa quanto os aviões em si.

50 aeronaves já voam na Índia com a marca brasileira

A Embraer não está chegando à Índia do zero. A fabricante brasileira já possui cerca de 50 aeronaves e 11 modelos diferentes em operação no país, distribuídos entre aviação comercial, defesa e aviação executiva. Entre os modelos utilizados estão os jatos E175 e ERJ145, operados pela companhia aérea regional Star Air, além das aeronaves Legacy 600 e o sistema aéreo de vigilância Netra, utilizado pela Força Aérea Indiana.

Essa base instalada funciona como vitrine permanente das capacidades da Embraer no mercado indiano. Cada E175 operando rotas regionais na Star Air demonstra na prática a confiabilidade e a eficiência do produto brasileiro, enquanto o sistema Netra prova que a empresa tem credenciais também no segmento militar. Para um mercado que vai precisar de centenas de aeronaves novas nas próximas décadas, ter modelos já em operação e pilotos já treinados reduz significativamente a barreira de entrada para novas encomendas.

Uma aposta que conecta São José dos Campos a Pune e Nova Déli

A Embraer está transformando a Índia de cliente eventual em parceiro estratégico de longo prazo. O contrato com a Bharat Forge para materiais forjados, a parceria com a Adani para montagem do E175, o escritório em Nova Déli e a base de 50 aeronaves em operação formam um conjunto de movimentos que posiciona a fabricante brasileira como protagonista na aviação regional indiana por pelo menos as próximas duas décadas.

Você acredita que a Embraer pode se consolidar como principal fornecedora de aviões regionais na Índia? Conte nos comentários o que acha dessa estratégia de expansão, se a instalação de uma linha de montagem no país asiático fortalece ou arrisca a indústria brasileira e como você vê a disputa com Boeing e Airbus por esse mercado de 500 aeronaves. Queremos ouvir a sua opinião.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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