A possível aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, avaliada em US$ 110 bilhões, entrou no radar de estados americanos e pode abrir uma disputa judicial com impacto direto no futuro do entretenimento.
Uma disputa bilionária envolvendo Warner Bros. Discovery, Paramount Skydance, Netflix, CNN, HBO e Hollywood ganhou força nos Estados Unidos após estados americanos prepararem uma ação judicial contra a compra da Warner pela Paramount.
Segundo a Reuters, em 5 de junho de 2026, Califórnia e Nova York estão entre os estados que articulam o processo para tentar bloquear a operação avaliada em US$ 110 bilhões, cerca de R$ 563 bilhões na cotação atual.
A ação deve ser apresentada nas próximas semanas, conforme fontes ouvidas pela agência. Portanto, o caso pode marcar uma ofensiva relevante dos estados na aplicação das leis antitruste nos Estados Unidos.
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Investigação estadual amplia pressão sobre a Paramount
A possível ação judicial ocorre durante a análise dos efeitos da operação sobre o mercado de mídia, streaming, TV e cinema.
De acordo com a Reuters, ainda não está claro quais outros estados devem entrar no processo. O gabinete do procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, confirmou que a investigação continua em andamento.
A Paramount afirma que o acordo aumentaria a concorrência. Além disso, a empresa sustenta que impedir a compra daria vantagem injusta a companhias consolidadas, como a Netflix.
Um porta-voz da Paramount declarou que a companhia seguirá combatendo qualquer tentativa de barrar um acordo que, segundo ela, beneficia consumidores, criadores e a indústria.
Mercado reage ao risco de bloqueio
Após a divulgação da Reuters, as ações da Warner Bros. Discovery recuaram 3,6% na tarde de sexta-feira.
Ao mesmo tempo, os papéis da Paramount ampliaram perdas e caíram 6,7%. Assim, Wall Street passou a acompanhar com mais atenção os riscos regulatórios do negócio.
Analistas avaliam que a Paramount poderia encontrar um caminho mais favorável nos órgãos federais. Parte dessa percepção envolve as conexões políticas da família Ellison.
O CEO da Paramount, David Ellison, é filho de Larry Ellison, bilionário e cofundador da Oracle, que mantém conexões com o presidente Donald Trump.

Disputa pela Warner começou com a Netflix
A disputa pela Warner começou em dezembro de 2025, quando a Netflix fechou um acordo para comprar parte dos ativos da empresa.
Naquele momento, a proposta tinha foco nos negócios de estúdio e streaming. Depois disso, a Paramount apresentou uma oferta concorrente para adquirir a companhia inteira.
A proposta da Paramount prevê US$ 31 por ação e inclui a dívida da Warner. Além disso, a empresa ofereceu uma multa maior caso autoridades regulatórias barrem a transação.
A oferta da Netflix somava US$ 83 bilhões e não incluía ativos como CNN e Discovery.
Hollywood vê empregos e marcas em jogo
A transação proposta enfrenta resistência de atores, roteiristas e outros profissionais de Hollywood por causa do risco de eliminação de empregos.
A operação reuniria algumas das franquias mais duradouras do entretenimento. Por isso, Hollywood e Wall Street acompanham o acordo com atenção.
Caso a compra avance, a família Ellison passará a controlar marcas importantes do jornalismo americano, como CBS News, 60 Minutes e CNN.
Ao mesmo tempo, a Paramount ampliaria sua base de assinantes e reforçaria sua presença em cinema, TV e plataformas digitais.
O que está em jogo no streaming
O impacto da operação vai além do valor bilionário. Afinal, a Warner concentra marcas valiosas, enquanto a Paramount busca escala para disputar espaço com Netflix e Disney.
A oferta da Paramount inclui todo o grupo Warner Bros. Discovery, com CNN, HBO e redes de TV a cabo.
Analistas avaliam que o movimento poderia criar um grupo com catálogo mais robusto, maior poder de negociação e mais recursos para produção de conteúdo.
Enquanto isso, os estados americanos tentam assumir protagonismo na fiscalização antitruste. Será que a compra bilionária da Warner pela Paramount conseguirá avançar mesmo sob pressão judicial?
